Mercado

Relações bilaterais Angola-Reino Unido

31/03/2017 - 10:11, Opinião

Na semana em que o Reino Unido (RU) entrega a carta de divórcio à União Europeia, o subsecretário de Estado para o Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth (ministro para o Oriente Médio e África), Tobias Ellwood, anunciou, durante o Fórum de Comércio e Investimento Reino Unido-Angola, que decorreu em Londres, que o RU aumentou em 50% o financiamento para empresas britânicas investirem em Angola.

Por Aylton Melo

aylton.melo@mediarumo.co.ao

Tobias Ellwood precisou que o montante disponível pelo governo britânico passou de 500 milhões GBP/libras (mais de 103,2 mil milhões Kz) para 750 milhões GBP.

Um sinal de confiança, apesar do contexto em que se encontra a economia angolana e do mau ambiente de negócios, ainda desfavorável ao crescimento do sector privado, de acordo com o Banco Mundial. Uma revisita às relações entre Angola e RU, tendo como data de referência 2009, leva-nos a considerar que estão a crescer gradualmente, para além da importância estratégica dos recursos energéticos.

Neste âmbito, a British Petroleum (BP) é uma das principais companhias petrolíferas em Angola; o Standard Chartered Angola, um dos maiores bancos britânicos, dispõe de uma posição privilegiada perante a Sonangol e uma joint-venture com o Grupo ENSA (detém 40% da filial), também no domínio financeiro; o Lonrho, grupo investidor britânico, está activo nos sectores de transporte aéreo e agricultura. Estas entidades praticamente canalizam, através das suas estruturas de interesse, os investimentos que chegam ao País.

Entretanto, essas relações estão longe de ser totalmente bilaterais, porque os benefícios não são justamente recíprocos, em termos de trocas comerciais, se comparadas com as que o País mantém com a União Europeia.
Mas como pode a saída do RU beneficiar ou prejudicar o País? Será que o resultado das negociações dos termos do Brexit, nos próximos 24 meses, favorecerá Angola?

Entretanto, parece óbvio que os decisores políticos terão de desenvolver um conjunto de acções interna e externamente, que garantam a recuperação do crescimento da economia. Daí que certamente as empresas, sejam do sector financeiro, sejam do sector não-financeiro, deverão dinamizar e intensificar outras relações com antigos e novos parceiros económicos.

Desse ponto de vista, faz sentido aprofundar as relações quer com RU, quer com a União Europeia de forma a atrair investimentos do sector privado de uns e de outros; fortalecer os laços comerciais e financeiros que nos permitam desenvolver os sectores da educação, saúde, tecnologias, indústria transformadora e serviços.

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