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Relações entre Japão e Angola

05/12/2017 - 17:17, Opinião

O meu primeiro ano em Angola está repleto de avanços em várias áreas.

Por Hironori Sawada
Embaixador do Japão em Angola

Faz  um  ano  que,  com  enorme  satisfação,  assumi, em Dezembro de 2016, as funções de embaixador do Japão em Angola.

Era a segunda vez que viajava para Angola, 30 anos depois da minha primeira viagem de trabalho, que durou algumas semanas, em território angolano. Ao chegar aqui, observei logo que o País se havia desenvolvido de forma substancial, denotando determinadas paisagens nostálgicas que me fazem recordar aquela época, há três décadas. Apesar de ser a primeira vez a trabalhar um longo período no continente africano, sinto-me bastante confortável pela estadia e por trabalhar em Angola.

Em 2016, quando cheguei ao País, comemoravam–se os 40 anos das relações diplomáticas entre o Japão e Angola. No ano corrente, as relações bilaterais têm estado a ser incrementadas cada vez mais em vários sectores, tais como as áreas política, diplomática, económica e cultural.

No âmbito político, em 2017, realizou-se uma série de visitas a Angola por parte de distintas personalidades japonesas, com realce para a vinda de uma delegação, em Janeiro, composta pelos senadores Sato e Horii. Os senadores visitaram o CENFOC e o Hospital  Josina  Machel,  instituições  às  quais  o  governo do Japão concedeu apoio através de programas de financiamento. Por ocasião da visita, os senadores Sato e Horii foram recebidos por honoráveis responsáveis da Assembleia Nacional e, no Ministério das Relações Exteriores, foram acolhidos por Maria Ângela Bragança.

Em Julho, o governo do Japão e Angola anuíram apoiar-se reciprocamente para que, na reunião do Comité de Classificação do Património Mundial, realizada em Cracóvia, Polónia, a candidatura das ‘Ilhas sagradas’ de Okinoshima e locais associados da  Região  de  Munakata  do  Japão,  e  a  cidade  de M’Banza Congo, em Angola, fossem aprovadas como patrimónios mundiais da UNESCO.

Em Agosto, Yamagiwa, deputado japonês, encontrou-se com Fernando da Piedade Dias dos Santos, presidente da Assembleia Nacional, e com Georges Chicoti,  na  altura  ministro  das  Relações  Exte- riores.

Ainda em Agosto, o governo do Japão organizou, em Maputo, Moçambique, a reunião ministerial da TICAD, com a participação de Ângela Bragança, então secretária de Estado das Relações Exteriores e, à margem do evento, teve um encontro com Horii. O facto de a Conferência ter acontecido no dia posterior ao das Eleições Gerais não impediu a representação do Governo de Angola.

O dia 23 de Agosto, no qual foram realizadas as Eleições Gerais de forma pacífica, justa e democrática, foi um momento histórico, cujos resultados elegeram o terceiro Presidente da República de Angola, João Lourenço. No acto do empossamento do Presidente, o ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros do Japão esteve presente como enviado especial do primeiro-ministro, Shinzo Abe. Na ocasião, após a cerimónia de investidura, Sato foi recebido em audiência pelo novo Presidente da República de Angola.

Quanto ao sector económico e de cooperação, o ponto  mais  alto  neste  ano  foi  a  cerimónia  de lançamento do cabo submarino, em que a empresa japonesa NEC foi subcontratada pela Angola Cables, com financiamento do JBIC (Banco para a Cooperação Internacional do Japão). Tenho a convicção de que este projecto será de grande valia e contribuição em prol do desenvolvimento das telecomunicações em Angola.

A JICA, Agência de Cooperação Internacional do Japão,  também  desempenhou  um  grande  papel através de projectos como a segunda fase da melhoria do Porto do Namibe, estudo experimental para o cultivo de algodão no Pólo Agrícola de Capanda em Malanje, cooperação técnica para a elaboração do Plano Director de Electricidade, fortalecimento da capacidade do CENFOC, implementação do Caderno de Saúde Materno-Infantil e desenvolvimento de cultivo de arroz, entre outros. No âmbito da Assistência a Projectos Comunitários, o governo japonês financiou ONG, como a SERVIR, consubstanciado na entrega da máquina para tratar cataratas em Benguela, a construção de escolas e o financiamento à desminagem na província do Huambo ligado a Halo Trust, ONG britânica, em colaboração com a embaixada do Reino Unido em Angola. A JMAS, ONG japonesa, realizou a cerimónia de encerramento das actividades de desminagem na comuna das Mabubas, província do Bengo, em Março.

Nesta actividade, a JMAS concretizava o objectivo de desminar 325 hectares de terreno na comuna das Mabubas, ao longo de nove anos, isto é, entre Junho de 2008 e Maio de 2017. No âmbito cultural, realce para o mês de Julho, em que a embaixada promoveu um seminário com o cozinheiro oficial da embaixada e outros cozinheiros convidados de restaurantes do País para a divulgação de sushi. Em Agosto, a selecção angolana de andebol feminino foi ao Japão participar numa série de jogos amistosos, onde as jogadoras angolanas exibiram os seus talentos. Salienta-se que, em 2019, será realizado no Japão o campeonato mundial de andebol, na província de Kumamoto, minha terra natal. A selecção campeã do torneioqualificar-se-á para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Desejo que a selecção angolana tenha excelente desempenho na competição. Em Novembro, a embaixada organizou o workshopsobre karatée a primeira edição do torneio de karaté, denominada Taça Embaixador, em colaboração com a Federação Angolana de Karaté. No final de Novembro, recebemos Sebastian Masuda, enviado cultural da Agência da Cultura do Japão, cujos eventos atraíram a atenção de fazedores de arte fãs da nossa cultura J-POP nas suas mais variadas vertentes, que culminaram com um workshopno CEARTE e uma palestra no Instituto Camões.

O meu primeiro ano em Angola está repleto de avanços em várias áreas e sinto-me orgulhoso em trabalhar como embaixador do Japão. No entanto, acredito que ainda subsiste muito mais a fazer.

Angola é um país com enorme potencial económico, resultante  dos  seus  recursos  naturais,  povo  maravilhoso, terra fértil e riqueza turística. Pude constatar este facto nas viagens que fiz a diferentes províncias de Angola, sendo de destacar a beleza das Pedras Negras de Pungo Andongo, as quedas de Calandula, em Malanje, onde pude também visitar a Carreira de Tiro, a Biocom e a Barragem de Laúca.
Visitei também a maravilhosa província de Benguela por duas ocasiões: na primeira, visitei a fábrica têxtil Lassola, que foi reabilitada pela empresa japonesa Marubeni; na segunda, participei na cerimónia de entrega da máquina para tratar cataratas e tive, ainda, oportunidade de visitar a província do Namibe, em Abril.

Ao longo dos últimos anos, tanto no sector público como no privado, os japoneses estão de olhos focados em Angola. No discurso da investidura do Presidente João  Lourenço,  o  Japão  está  na  lista  dos  países  prioritários com quem Angola deseja incrementar o seu relacionamento. Não pouparemos esforços para trabalhar com o novo Governo angolano para estreitar ainda mais as relações entre o Japão e Angola. Obrigado.

 

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