Mercado

A rentrée dos bancos

20/12/2016 - 11:40, Opinião

Os bancos precisam de competir no crédito ao retalho, ao consumo, ao investimento face ao contexto actual da economia, com a mudança de paradigma em que o banco central optou por proteger os angolanos mantendo estáveis as reservas internacionais líquidas em detrimento de cedência desenfreada de divisas para importação de bens e serviços acabados, fundamentalmente.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao 

O actual contexto mostrou aos investidores, analistas, banqueiros e gestores que o mercado angolano é enorme e os bancos podem concentrar apoio em diversas áreas de actividade económica, sobre as quais podem também ter grande rentabilidade, maior até que no mercado cambial onde estavam acostumados com ganhos elevados. O desafio está lançado. E se for caso disso, caso o banco central materializa no curto prazo uma legislação que levaria os bancos comerciais a actuarem somente nos segmentos do crédito ao retalho, ao consumo e ao investimento, deixando as divisas para as casas de câmbio, conforme ocorre nas grandes praças financeiras, teremos bancos comerciais à altura da pujança que a economia precisa e almeja lá chegar.

Durão Barroso, chairman do Goldman Sachs International, disse recentemente ao Mercado que não conhece economia desenvolvida sem uma banca forte, aludindo inclusive ao risco sistémico e à supervisão da banca, bem como às incertezas dos investidores e à credibilidade do sistema financeiro angolano nas duas praças financeiras mais fortes do mundo, nos EUA e em Londres. Para a realidade angolana, a tarefa é árdua para os próprios bancos, que ao longo de décadas se acostumaram ao “investimento” com aquisição de divisas sem incentivar de facto a poupança e promover o crédito com indicadores robustos como sucede em economias com características similares à nossa em múltiplos aspectos.

Em tudo há risco e, se não forem os bancos a apoiar a mudança de cenário da economia que aponta para um crescimento económico sustentável à prazo, será mais deplorável a realidade de um sistema financeiro robusto com famílias que até trabalham, possuem rendimentos, mas são paupérrimas. Os bancos precisam de fazer uma rentrée ao modelo que é reservado para um banco, o de conceder crédito.

É natural que se diga que até os bancos concedem crédito, mas quando se está perto de 20% do PIB não há economia que se torne forte. Aliás, o FMI fez esta referência há um ano após visita de trabalho a Luanda ao afirmar que a diversificação da economia não ganhou consistência porque os bancos não cumpriram o seu verdadeiro papel.

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