Mercado

Restruturar e optimizar

02/12/2016 - 10:02, Opinião

2016 chegou ao fim. O ano em que talvez mais se ouviu falar em reestruturações ou pelo menos o início da elaboração de planos de reestruturações quer no aparelho do Estado quer no sector privado. Há vários sinais que nos levam a percepcionar mudanças sectoriais positivas em 2017, seja no financeiro seja não financeiro.

Por Aylton Melo 

Um ano em que o Estado e os agentes económicos olharam de forma mais realista e crítica para a sua estrutura de custos, as prioridades, a sua dimensão e onde podem optimizar a breve, médio e longo prazos. Mas, a implementação desses planos dependerá de muitos factores.

A final a economia angolana é muito sensível a choques externos. Não só por causa da volatilidade do preço das commodities, nomeadamente do brent, como também das insuficiências e debilidades dos sectores primário, secundário e terciário em toda a sua cadeia de valor. O estado em que se encontram é o reflexo do estágio de desenvolvimento do País.

Por isso assistimos de bom grado, o anúncio de diferentes planos de reestruturação, desde o início do ano. A reestruturação da Sonangol, que se baseia na redução de custos e melhoria da eficiência, começa a dar os primeiros sinais positivos, passando pelo Ministério do Comércio – com foco na distribuição dos produtos internamente e organização dos agentes comerciais, podem consolidar-se em 2017.

O sector bancário, muito afectado pela crise da escassez de divisas, está igualmente a reestruturar a sua política de concessão de crédito para travar a tendência crescente do mal parado. Aliás, a banca comercial tem de ter um papel muito activo nesse processo. Ou seja, tem de apoiar os projectos que sejam críticos para o sucesso do País, terá de ser muito criteriosa na avaliação de projectos e melhorar os níveis de análise de risco de crédito. E tem já experiência intramuros e de outras geografias das consequências negativas resultantes da falta de rigor na concessão de crédito.

Como também deverá, no próximo ano, melhorar a sua capacidade de captar fundos no exterior para conseguir financiar as empresas angolanas e conseguir divisas. A conjugação de esforços comprometidos com a ética, transparência e eficiência derrubam qualquer muralha.

Mas é preciso que todos continuem a trabalhar para a melhoria dos níveis de credibilidade do País como um todo. E que os investimentos certos permitam substituir importações por produção local, em sectores chaves, porque se chegamos aqui rapidamente, também pode ser rápida a saída.

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