Mercado

Tempos árduos!

17/04/2017 - 12:04, Opinião

Enquanto os países desenvolvidos acostumaram-se nos últimos cinco anos a um crescimento mais lento, as economias dos países emergentes enfrentam uma séria crise financeira e económica.

Por Aylton Melo 

As populações de todos os países, com maior ou menor dimensão, vivem tempos árduos. Especialmente nos países em “vias de desenvolvimento”, também considerados “os emergentes”, de acordo com o Banco Mundial (BM): Brasil, Índia e África do Sul. Contudo, todos apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e deslocação deficitária de recursos na educação e saúde. No entanto, tais jargões não servem para o País, quanto muito, um “pré-emergente”, com inúmeras potencialidades económicas, mas estagna há largos anos nas vias que levariam a dar sinais medianos de desenvolvimento.

Angola viu cair substancialmente as suas receitas, segundo o BM de quase 49% do PIB em 2011 para 20% em 2016. O crescimento económico que chegou a 6,8% em 2013 não cresceu em 2016. Adicionalmente, a inflação entrou em trajectória ascendente e fechou 2016 em 41%.

O endividamento interno tem aumentado para fazer frente às necessidades de financiamento ilíquido do sector público. A dívida pública total aumentou e deve estar acima de 65%, em 2017, em comparação aos níveis anteriores, 30% em 2012. “Em outras palavras, o choque da queda do preço do petróleo afectou de forma dramática toda e economia angolana”, tal como refere o ex-economista do BM em Angola, Ricardo Gazel em entrevista exclusiva nesta edição.

Mas, as medidas de atenuação dos efeitos da crise parecem surtir algum efeito positivo. No que diz respeito à questão cambial, porque está a ajudar a reduzir o desequilíbrio, entre as taxas oficiais e o mercado paralelo. A pequena melhoria no preço do petróleo pode também ajudar a reduzir a limitação de divisas, para aquisição de consumo, para o sector não-petrolífero e melhora as perspectivas de crescimento doméstico.

Especialmente em substituição de importações, hoje mais caras devido à desvalorização do Kwanza. Não se pode pensar, por outro lado, que a ampliação da base tributária e o aumento dos impostos não-petrolíferos compensarão a perda em receitas fiscais do petróleo no curto prazo. “Se isto ocorresse traria um perigo grande de estrangular o sector privado e os cidadãos”, alerta Ricardo Gazel. Só a recuperação do crescimento do PIB pode melhorar essa relação. Claro, se a economia estivesse mais diversificada, uma base de impostos mais abrangente, numa rede de infra-estruturas mais completa em toda a sua cadeia de valor; uma força de trabalho mais qualificada. Na verdade, os problemas estão identificados, porém, solucioná-los levará o seu tempo, por isso, ânimo!

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