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Tempos difíceis na gestão de pessoas nas empresas

15/12/2016 - 11:47, Opinião

A gestão de pessoas tem algo de atractivo que muitos sonham assumir. Tem o lado das relações humanas que tanto fascina qualquer chefia ao estar para além do simples tratamento de questões técnicas ou operacionais numa organização.

Por Campos Vieira

Alguém que na hora de definir o seu percurso profissional resolve seguir uma carreira na área da gestão dos recursos humanos prevê contribuir com a sua participação para um ambiente de motivação do colaborador, fazer com que este se sinta bem na empresa, providenciar pela sua formação profissional, garantir a progressão da sua carreira profissional e fazer parte da sua realização profissional e pessoal.

A formulação destes desejos insere-se geralmente num cenário de crescimento da empresa, numa conjuntura económica favorável e num quadro de perspectivas de desenvolvimento optimista.

São desejos que se identificam com objectivos empresariais ao se traduzirem em mais produção, mais vendas e mais resultados.

É um olhar positivo do mundo e da economia que interessa reter mesmo em períodos de crise em que podem não ser realizáveis esses objectivos. Aqui pode haver lugar a profundas divergências entre os objectivos puros das ciências humanas e sociais e os ditames financeiros impostos em termos de eficiência e resultados.

A literatura e o ensino sobre recursos humanos não dão tanta ênfase à gestão de pessoas em tempos de crise e, porventura, é aí que devemos estar mais preparados para enfrentar todo o “mar de tempestades” que se esperam acontecer, havendo lugar a situações de grande pressão, desconforto e dificuldades várias.

É um outro olhar que só com a prática se apreende, testando a vocação efectiva de quem quer seguir a área de recursos humanos, pois, então, é que se vê realmente quem dispõe de condições emocionais (fortes) e técnicas (bem mais alargadas) para corresponder cabalmente aos desafios enormes que se colocam nessas circunstâncias.

Infelizmente, esses desafios não são pontuais, antes têm um carácter recorrente bem mais frequente de que o desejável, podendo mesmo assumir um carácter estrutural.

É que podem não estar em causa só períodos de crise, mas também um processo permanente de brutal concorrência e globalização que obriga a uma gestão muito mais complexa do capital humano.

Por isso, gerir pessoas pode gerar muitas frustrações, provocar muitas incompreensões e levar a um sentimento de que nunca se atingem os objectivos a que se propôs o gestor.

O colaborador será porventura bem mais difícil de se gerir do que qualquer cliente da empresa. Deter a confiança do trabalhador é fulcral para que se possa garantir o sucesso empresarial.

Ao fim e ao cabo, é o sinal de que o trabalhador é o stake holder mais importante de uma organização, e o gestor de recursos humanos detém um papel muito exigente e determinante na empresa.

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