Mercado

Vamos descer todos à Terra?

24/03/2017 - 12:15, Opinião

O nosso País tem conhecido avanços extraordinários em vários sectores de actividade, entre os quais, o petrolífero, o diamantífero, o imobiliário e o financeiro.

Por Campos Vieira

E o sector agrícola? Qual a avaliação geral que podemos fazer sobre as potencialidades que este sector encerra e a realidade com que nos deparamos nesta altura?

Citamos a propósito um excerto de um poema, “Havemos de Voltar”, de Agostinho Neto, fundador da Nação Angolana:

“Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar
Às nossas terras
vermelhas de café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas havemos de voltar”

Não será que nós, angolanos, não teremos de “descer à terra”, o mesmo é dizer: voltarmo-nos para o desenvolvimento do mundo rural, contribuindo decididamente, na base da economia e da sociedade, para a diversificação da actividade económica ora priorizada?

Todos concordamos que o nosso solo arável é muito rico, mas encontra-se por explorar na sua maior parte. Ainda não atingimos níveis de produção agrícola, e muito menos de exportação, já conseguidos no passado.

Trata-se de um sector fortemente gerador de emprego e em zonas com baixos níveis de rendimento e instrução escolar.

Não queremos aqui enumerar toda uma série de medidas necessárias que constam, de resto, do Programa Nacional e Desenvolvimento de 2013-2017.
O que está em causa é uma mudança de atitude sobre a prioridade que a agricultura nos deve merecer sob todos os pontos de vista, com a consequente incidência na canalização de fortes recursos humanos e técnicos qualificados, bem como de meios financeiros avultados, visando o seu crescimento e desenvolvimento para altos níveis de produção e exportação.

Para tanto, não teremos de romper com os índices de crescimento dos últimos anos, os quais, tendo o seu significado, não são de todo suficientes?

Não teremos de abrir um novo ciclo, com uma nova estratégia, com novos organismos e operadores relacionados com a agricultura?
Não convirá adoptar uma política de investimento estrangeiro específica que atenda ao estádio actual do sector e da grande mudança estrutural que se pretende introduzir?

Estas são algumas das questões que se colocam e que convém aprofundar urgente e amplamente, sendo certo que esta visão transformacional é, agora mais do que nunca, oportuna e necessária, a favor de Angola e dos Angolanos!

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