Mercado

Angola emite títulos soberanos na Bolsa de Londres

22/10/2015 - 20:29, Uncategorized

Angola lança hoje, quinta-feira, na maior praça financeira internacional, títulos da dívida soberana, sob forma de Eurobonds, no montante global de 1,5 mil milhão USD, ao abrigo da política de gestão de finanças públicas do Executivo, em conformidade com o programa de desenvolvimento económico e financeiro de longo prazo. A emissão de títulos soberenos na […]

Angola lança hoje, quinta-feira, na maior praça financeira internacional, títulos da dívida soberana, sob forma de Eurobonds, no montante global de 1,5 mil milhão USD, ao abrigo da política de gestão de finanças públicas do Executivo, em conformidade com o programa de desenvolvimento económico e financeiro de longo prazo.

A emissão de títulos soberenos na Bolsa de Londres, hoje, acontece depois de no início do ano corrente o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ter concedido uma Carta-Mandato que  autoriza as instituições financeiras internacionais Goldman Sachs International, Deutsche Bank e Industrial and Commercial Bank of China (ICBC)  actuarem como bancos agentes em representação da República de Angola para a estreia de Angola nas grandes praças financeiras internacionais.

A informação tornada pública hoje, pelo gabinete institucional do Ministério das Finanças, enumera cinco principais benefícios que a emissão soberana poderá gerar para o País. O Executivo prevê, com a emissão de títulos no mercado internacional, maior diversificação das fontes de  financiamento, estabelecimento de fontes de financiamento de longo prazo, impacto positivo em termos de avaliação das agências de notação de risco, construção de uma curva de rendimentos (build a yield curve) e possível crescimento das reservas internacionais.

Para o segundo benefício, refere a nota que durante o processo de emissão soberana, o País tem a oportunidade de lançar as bases para o estabelecimento de relações de longo prazo com os investidores internacionais em todos os principais centros financeiros do mundo, enquanto o acesso aos mercados de obrigações globais poderá ser um impulso positivo e de confiança na notação de Bonds.

A nota diz também que a construção de uma build a yield curve permite que os países soberanos acedam aos mercados de capitais, com facilidade e maior frequência, ao passo que o possível crescimento das reservas internacionais resume-se no facto de que uma emissão de títulos internacionais pode ajudar a aumentar a entrada de capital estrangeiro e logo o incremento de reservas internacionais.

A trajectória até a Bolsa de Londres

A emissão soberana que hoje tem lugar na Bolsa de Londres coroa os esforços inicados pelo Executivo em 2011, segundo a nota do gabinete institucional do Minsitério das Finanças, quando o recurso às fontes de financiamento tradicionais – bilateral, comercial e linhas de crédito – mostrava já alguma concentração.

Tal cenário, do ponto de vista da gestão dos riscos e dos custos associados “não é recomendável, pois aumenta a exposição do País à um determinado financiador”, sublinha a nota, e o Executivo considerou a necessidade de buscarem-se fontes de financiamento alternativas.

Os primeiros passos começaram-se a ser dados com a elaboração de estudos que viriam a sustentar uma primeira emissão soberana do País nos mercados de capitais internacionais.

Para êxito do processo, o Executivo passou a submeter-se as avaliações periódicas por parte das principais agências de notação de risco internacionais, para além de buscar aconselhamento técnico e jurídico com  instituições financeiras de renome internacional, como Goldman Sachs, J.P. Morgan, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

“Nas conversações então realizadas contatou-se que uma emissão soberana poderia vir a contribuir significativamente para potenciar a imagem do País no exterior, especialmente no que tange à questões relativas à transparência na gestão das finanças públicas e dos custos associados ao processo de financiamento do Orçamento Geral do Estado”, diz a nota, uma vez que estes são indispensáveis na determinação dos indicadores de solvabilidade de um país em honrar os seus compromissos de dívida em moeda doméstica e estrangeira.

Deste processo de consulta ampla ficou patente que Angola poderia beneficiar da emissão soberana nos mercados internacionais, não apenas porque  poderia beneficiar da diversificação das fontes de financiamento externo, mas também porque constatou-se que devido aos sensíveis progressos sociais, políticos e económicos que o Pais obteve, desde o fim do conflito armado, seria grande a apetência dos investidores europeus e norte-americanos por investir em activos que o Estado Angolano viesse a emitir.

Tendo sido cumprido um longo e meticuloso processo de estudo e consultas sobre a exequibilidade, a conveniência, a receptividade e os custos derivados de uma emissão soberana nos mercados internacionais, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, concedeu uma Carta-Mandato que  conferiu às instituições financeiras internacionais Goldman Sachs International, Deutsche Bank e Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), autorização para actuarem como bancos agentes em representação da República de Angola nas emissões soberanas que o País hoje realiza.

 

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.