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Brunch With…Ana Marta Castelbranco

06/03/2017 - 09:39, Brunch with, Uncategorized

Criadora de uma das marcas mais vendidas de quitutes da terra, a empresária fala sobre o projecto e o crescimento do produto a nível de produção e distribuição.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Foi com a ajuda da mãe que Ana Marta decidiu abandonar o emprego e dedicar-se à produção dos nossos deliciosos quitutes. Conta que em criança obrigava a mãe a comprar doces para que os vendesse numa pequena barraca que ela mesma montava em frente ao portão de casa. Achava a brincadeira divertida, embora fosse a realidade de alguns dos seus vizinhos na altura.

“Eu convivia com vizinhos que vendiam doces nas portas de suas casas, e inocentemente interessei-me por esta prática, embora os comesse pela metade”, confessa, sorrindo.

Ana Marta conta que saiu de Luanda ainda adolescente, emigrando para Inglaterra, onde fez a sua formação superior, no curso de Gestão Hoteleira e de Eventos, uma experiência que considera ter sido a mais marcante da sua vida.

Acresce dizendo que, no período em que esteve ausente da família, essencialmente da mãe, se tornou numa mulher, pois teve de trabalhar enquanto estudava. Foi babysitter, trabalhou na restauração como empregada de mesa e chegou a ser chefe de recepção, contou.
Implementação do projecto pessoal

Ao fim de sete anos a estudar e a trabalhar em Inglaterra, em 2012, a gestora regressou à terra natal, formada e pronta para começar a exercer o que aprendeu na sua formação no exterior.

Sem qualquer planificação, por um acaso, Ana Marta começou a trabalhar fora da sua área de formação. Trabalhou na área de comunicação e marketing na AIA (Associação Industrial de Angola). Fazia assessoria de comunicação (nas participações da instituição nos fóruns, na interface entre a mesma e as empresas que precisavam de orientação para investimento em Angola).

A posteriori, a nossa convidada abraçou outro projecto, teve participação na 3.ª edição do Superbrands Angola, um projecto que tem como objectivo eleger as melhores marcas do mercado nacional. “Exerci algumas funções, desde a área comercial à promoção do projecto. Fazia também o acompanhamento do estudo do mercado e auxiliava as marcas para a criação do livro da Superbrands”, explica.

Entretanto, sendo uma mulher ambiciosa, Ana Marta não parou por aí. Voltou a abraçar um novo desa͌o, desta vez na área de marketing na Nossa Seguros, onde esteve por um ano e meio. “Participei na criação de um novo produto para o mercado, que foi o seguro de saúde da Nossa Seguros.”

Entretanto, de forma súbita, decide abandonar o emprego e juntamente com a mãe realizar um projecto pessoal. Inicialmente os quitutes era feitos e vendidos somente aos amigos e familiares de modo informal, até surgir a ideia de apostar a 100% e fazer um investimento maior, conta.

A empresária confessou que no início teve medo de não ter sucesso, não sabia que resultado teria o investimento, nem o tamanho do risco que corria, mas diz que, apesar de se sentir amedrontada, se manteve optimista.

A marca – Kamarta – está no mercado há dois anos e é considerada a maior em termos de distribuição, sendo já reconhecida a nível nacional. Dentro do projecto, Ana Marta é comercial, trata da introdução do produto no mercado e de novos ramos do negócio.

A distribuição dos doces é feita em alguns supermercados de Luanda, nomeadamente, o Kero, o Descontão, assim como em minimercados, como a Jofrago e o Mega, e fornece também alguns restaurantes, hotéis e também a peso para eventos.

Planos, desafios profissionais e opiniões

Ana Marta Castelbranco, futuramente, pretende desenvolver novos produtos, melhorar a qualidade dos seus produtos e expandir a distribuição para fora de Luanda.

“Neste momento, vivo o maior desafio da minha trajectória”, conta. É de opinião que trabalhar no privado, ou seja, para os outros, torna as tarefas muito mecanizadas, porque se sabe sempre o que fazer, para onde ir, e temos quem trace os objectivos por nós. Sendo empresária, está por conta própria, e, embora não seja fácil, agradece por poder contar com a ajuda da mãe.

A empresária, assim como outros entrevistados, partilhou com o Mercado a sua opinião em relação aos jovens empreendedores angolanos, e começa por dizer o seguinte: “Os jovens empreendedores angolanos têm tido projectos viáveis, mas ainda lhes falta oportunidade de implementação. Acho que precisam de mais apoio e de orientação na formação e de mais financiamento”, re͍flectiu.

Em sequência, deixa o seu apelo aos jovens que pretendem empreender no País. Pede para que acreditem nos seus sonhos e sigam em frente sem desistir. Pede para que batalhem e ultrapassem cada obstáculo que surgir, e que não se esqueçam de que cada ano é menos um ano. “Não deixem os vossos projectos na gaveta, as oportunidades passam”, apelou.

Uma mulher extrovertida, solidária e…

Considera-se uma mulher complexa, que procura ser equilibrada, embora não saber dizer “não” imediatamente quando é necessário a torne pouco determinada. Uma pessoa que prima pelos valores morais e que acha o incumprimento da palavra falta de carácter do ser humano.

Por ter pessoas que hoje dependem de si, confessa ter medo de falhar, de contrair dívidas, e com isso prejudicar quem dela precisa. Facto curioso é que Ana Marta não goste de usar cartões de crédito, de modo a não gostar demasiado.

Nos seus tempos livres, a empresária não dispensa a companhia dos amigos, gosta de ler romances e histórias intelectuais.

É cidadã do mundo, gosta de viajar, de conhecer diferentes culturas e de ir à praia. Acredita que exista uma força que seja superior a nós, “Deus”, mas é agnóstica.

“Sempre neguei quando dissessem que sou ciumenta, mas confesso ser, principalmente quando se refere às minhas amigas.”

Diz que uma das suas tristezas é gostar de comer, é gulosa, come tudo, e ainda aprecia um bom vinho. Um dos seus maiores desejos era poder ser daquelas pessoas que não dão prioridade à comida, e ser adepta de alimentos saudáveis.

Não pratica desportos, mas quando está fora da linha limita- se a comer menos e a controlar o que consome, aprecia um bom vinho branco, adora dar umas passadas ao som do nosso semba com um grupo de amigos e de ouvir música em pequenos bares da cidade.

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