Mercado

Como é que estaremos em 2050?

13/08/2015 - 10:40, Uncategorized

A viragem histórica acontece em 2026, com a China a ultrapassar os EUA como a maior economia do mundo…

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

É já para amanhã que os continentes se configuram numa nova ordem económica mundial. Os Estados Unidos cedem o palco à China, ou, pelo menos, terão de partilhá-lo com chineses e indianos. A Rússia sai das 10 economias mais fortes. E amanhã, que é 2050, cada um dos três primeiros países – China, Estados Unidos e Índia –, isoladamente, tem um PIB maior que os cincos países logo a seguir na lista. Dito de outro modo: a China ou os Estados Unidos ou a Índia serão mais ricos que Indonésia, Japão, Alemanha, Brasil e México… tudo somado. Os três primeiros terão, por isso, uma escala de riqueza única. Claramente, o poder económico quer da China quer da Índia dar-lhes-á um outro protagonismo na abordagem das questões globais, tais como regularização climática, segurança internacional e a governação económica global.
Estas são algumas das muitas conclusões a que se pode chegar a partir do novo relatório da Economist Intelligence Unit (EIU). Uma pesquisa baseada em previsões de longo prazo em 82 países. O conceito operacional situa os resultados em 2050.
As previsões a longo prazo, e a forma como a partir delas se determinam cenários, são essenciais para todos os agentes que tomam decisões estratégicas. Este relatório dá-nos conta de algumas das grandes questões económicas que poderão (ou irão) mudar os negócios globais nas próximas décadas. As previsões são baseadas na paridade do poder de compra (PPC).

Brasil mantém-se
Entre entradas e saídas, o Brasil mantém a 7.ª posição. É a sétima economia do mundo e assim continuará nos próximos 35 anos. Ainda assim, o PIB brasileiro dará um bom salto: passa dos 2,3 biliões em 2014 para 10,3 biliões em 2050, cinco vezes mais, o que lhe permite resistir à descida. O mesmo não se pode dizer do Japão, da Alemanha, do Reino Unido e da França. Posto isto, é quase fácil perceber que o crescimento da Ásia se dá à custa do declínio da Europa.
Itália, Rússia e Reino Unido descem
Entre as quedas que se prevêem mais perturbadoras estão as de Itália ( 8.º) e Rússia (10.º) para fora da lista, mas a Alemanha caí de 4.º para 6.º; o Reino Unido sai igualmente dos 10 primeiros; a França passa de 6.º para 10.º
A França, sendo um dos países que mais descem, porém, vai triplicar o PIB. De certa forma, acontece algo muito parecido com o Reino Unido: mesmo com o crescimento em queda, prevê-se, em 2050, que esteja mais forte que outras economias da Europa Ocidental, como Alemanha, Itália ou Espanha, que, com Portugal e Grécia, enfrentam o sério problema que é o de envelhecimento da população. O crescimento demográfico vai passar de 1,3% para 0,5%.

Indonésia, México e Nigéria sobem
Entram para a lista das 10 maiores economias, uma surpresa ou talvez não, quando a virtude demográfica e os recursos naturais se complementam. O México (8.º) ocupa o lugar da Itália e passa à frente da Rússia. O México é a única economia que fala espanhol entre os 10 primeiros, tal como o Brasil é a única que fala português. E a Indonésia (4.º) é o único país muçulmano. A Índia vai crescer 5% ao ano, e o poder de compra aumenta para 24% do PIB (é agora 8%) – a economia que mais vai crescer.

Ásia assume a liderança
Das cinco maiores economias, só os Estados Unidos é que não são um país da Ásia. Em 2050, 53% do PIB mundial está no continente asiático; em 2014, o valor era de 32%. O rendimento per capita da China vai aproximar-se do rendimento per capita do Japão, mas a China, mesmo ultrapassando os Estados Unidos, não permitirá que os chineses tenham um poder de compra tão elevado como os americanos, andará mesmo pela metade.
Um outro dado importante é que tanto a Europa como a Ásia Oriental vão sofrer um declínio da sua força de trabalho, o que afecta particularmente o Japão, que sofre uma quebra na ordem dos 25%. Com tudo isto, em 2050, só três das actuais potências (Estados Unidos, Alemanha e Japão) fazem parte do G7.

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