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Credit Suisse: nunca tão poucos tiveram tanto

24/10/2015 - 12:29, Uncategorized

A desigualdade continua a crescer: 45,2% da riqueza mundial está hoje nas mãos de 0,7% da população do planeta. O aumento da desigualdade, o crescimento mais lento da classe média e o avanço da China em termos de rendimento são as grandes conclusões do “Global Wealth Report 2015 ” do Credit Suisse, a sexta edição do relatório que o banco helvético publica anualmente. A concentração da […]

A desigualdade continua a crescer: 45,2% da riqueza mundial está hoje nas mãos de 0,7% da população do planeta.

O aumento da desigualdade, o crescimento mais lento da classe média e o avanço da China em termos de rendimento são as grandes conclusões
do “Global Wealth Report 2015 ” do Credit Suisse, a sexta edição do relatório que o banco helvético publica anualmente. A concentração da riqueza
na mão de uma minoria continua a destacar-se, com quase metade a ser detida por menos de 1% da população.

Em números exactos, 0,7% dos indivíduos detém 45,2% da riqueza global, ou seja, 34 milhões de pessoas. Em sentido inverso, na base da pirâmide estão mais de 3 mil milhões de pessoas que detêm meros 3% da riqueza.

Em 2015, a riqueza mundial diminuiu em 13 biliões USD, mas nem por isso há menos multimilionários, antes pelo contrário. Segundo o relatório,
existem hoje no mundo 123 800 pessoas com um património líquido superior a 50 milhões USD, que o Credit Suisse classifica como “ ultra-high
net worth individuals”, ou seja, indivíduos com património ultra-elevado.

Destes, 45 mil têm, pelo menos, mais de 100 milhões USD, e 4500 valem mais de 500 milhões USD. Em termos geográficos, o maior número de multimilionários continua a viver na América do Norte, com 61 mil, mais ou menos metade. A Europa conta com cerca de 30 mil pessoas no
topo da pirâmide da riqueza, e a região da Ásia-Pacífico possui 27 600 indivíduos muito ricos, com destaque para a China, com 9600. A concentração
da riqueza: aproximadamente 75% está na América do Norte e Europa, mas o crescimento nas economias emergentes tem sido, nas palavras de
Tidjane Thiam, CEO do Credit Suisse, “impressionante”, com destaque para a China. A riqueza do gigante asiático cresceu cinco vezes desde o início do século.

Se falarmos de nações, os Estados Unidos aparecem à frente, com cinco vezes mais milionários que a segunda classificada, a China. Seguem-se Reino
Unido, Alemanha e Suíça. Segundo o banco helvético, há menos 800 multimilionários no mundo do que em 2014, mas o relatório sugere que houve
um aumento no número de pessoas que possuem mais de 500 milhões USD.

“Enquanto a base da pirâmide é ocupada por pessoas de todos os países em vários estágios dos seus ciclos de vida, os indivíduos muito ricos estão
altamente concentrados em países e regiões específicos e tendem a compartilhar estilos de vida mais similares”, sintetiza o estudo.

Classe média

A classe média merece análise especial no estudo deste ano . “A riqueza da classe média cresceu a um ritmo mais lento do que o topo da pirâmide. É uma reversão da tendência pré-crise, quando a percentagem da riqueza da classe média permaneceu estável. Estes resultados reforçam as conclusões do ano passado, quando argumentámos que a desigualdade aumentou na maioria dos países nos anos após a crise de 2008”, escreve Tidjane Thiam na introdução do relatório.

Neste capítulo, a China é a grande vencedora. A classe média chinesa ultrapassou a dos EUA como a maior do mundo e conta agora com 109 milhões
de pessoas, número superior aos 92 milhões de norte-americanoscom rendimento médio. “Como resultado, veremos mudanças nos padrões de consumo e na sociedade, visto que, historicamente, aclasse média agiu como um agente de estabilidade e prosperidade”, lê-se no relatório do Credit Suisse.

Desde o início do século, a riqueza global da classe média duplicou, sendo agora de 80,7 biliões USD, cerca de 32% do total mundial. Tudo somado, a riqueza mundial é, em 2015, de 250,1 biliões USD, que equivalem a 336% do PIB global. Deste valor, 113 biliões USD encontram-se nos Estados Unidos. O estudo da instituição suíça estima que, até 2020, poderá mesmo subir para 352% do PIB.

Seja como for, a crise financeira do final da década passada deixou as suas marcas. Entre 2000 e 2007, a riqueza mundial cresceu a um ritmo anual de
9,4% mas, após 2008, o ritmo do crescimento baixou para 4,4% ao ano.

Por: Paulo Narigão Reis

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