Mercado

Depósito nos bancos de grande dimensão aumenta 11,3%

03/04/2017 - 17:36, Banca, Uncategorized

Com aumento dos depósitos, os bancos passam a dispor de mais recursos financeiros para apoiar os sectores-chave da economia.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

O agregado da carteira de depósito dos principais bancos do sistema financeiro angolano ficou orçado em pelo menos 3,1 biliões Kz, até ao terceiro trimestre de 2016, representado um crescimento de 11,3%, face ao período homólogo de 2015, como se pôde aferir a partir da informação financeira das respectivas instituições.

Das instituições bancárias de grande dimensão verificadas, excepto o BPC por falta de informação disponível, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) apresenta a maior quota de crescimento, com um peso de 36,4%, equivalente a pelo menos 1,1 biliões Kz.

Tais indicadores fazem do BAI a maior instituição bancária angolana, relativamente à captação de recursos de clientes, no exercício financeiro 2016, porque o BFA, principal concorrente, neste segmento, fechou o ano económico transacto com a carteira de depósitos calculada em 1 bilião Kz.

A sociedade de José Massano controla o mercado.

O desempenho do BAI é ainda verificado no agregado do volume de crédito, no qual também tem a maior participação (39,2%), se comparado com os restantes bancos de grande dimensão, segundo a classificação da Associação Angolana de Bancos (ABANC).

A julgar pela quota de 39,2% dos 931,2 mil milhões Kz, referente ao agregado da carteira de crédito, no exercício analisado, o BAI assume-se como a instituição financeira privada no País que mais aposta na intermediação bancária (actividade creditícia), depois do BCP, banco de capital público, sob processo de reestruturação.

O papel activo daquela sociedade bancária, relativamente à participação na economia, é ainda notado no rácio de transformação de depósitos em crédito, cuja taxa ficou em 32,9%, no terceiro trimestre de 2016; menos 1,9 p.p. face ao período análogo anterior (2015).

Também no exercício financeiro em análise, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) mostrou-se pujante nos fundos próprios, com 119,6 mil milhões Kz. Facto relevante para a instituição, porque demonstra robustez na possibilidade de cobertura de riscos.

O Banco de Fomento Angola (BFA) detém o segundo registo no volume agregado de depósitos até ao terceiro trimestre de 2016 com uma quota de 35,9%, equivalente a 1 bilião Kz. À diferença do BAI, é dos bancos de maior dimensão cuja actividade creditícia está abaixo dos níveis recomendados, inclusive chega a ser superado por pequenos.

Aliás, a taxa do rácio de transformação de depósitos em crédito (21,8%) ilustra o desempenho do banco mais lucrativo no País, quanto à actividade creditícia. A posição do BFA demonstra ser uma sociedade bancária indisposta a assumir riscos, inerente ao crédito. Apostou em títulos e valores mobiliários, no qual detém a maior carteira.

Até ao terceiro trimestre de 2016, a carteira dos títulos e valores mobiliários representou 46,9% da constituição do activo, ao passo que a do crédito fora de 18,2%.

Este facto deixa depreender menor contributo do BFA na alavancagem da economia, partindo da premissa de que os bancos são os principais pilares do sector empresarial.

Embora esteja entre os bancos com menor representatividade no âmbito da concessão de crédito, o BFA é forte nos fundos próprios (111,3 mil milhões Kz). A par do BAI, estão entre os mais pujantes do sistema financeiro nacional, razão pela qual figuram da lista dos bancos de grande dimensão em Angola, como reconhece a ABANC.

Com uma taxa de 27,7% do agregado da carteira de depósito dos bancos de grande dimensão (“Big Four”), equivalente a 843,7 mil milhões Kz, o Banco BIC também figura entre os maiores quanto à captação de recursos de clientes no terceiro trimestre de 2016.
Embora atrás do BFA na carteira de depósitos, é maior no que se refere a concessão de créditos à economia, inclusive está entre os principais parceiros estratégicos do Governo no Programa Angola Investe, de apoio a projectos estruturantes.
A carteira de crédito do BIC ficou calculada em 327,5 mil milhões Kz, influenciando para que o rácio de transformação chegasse à taxa dos 38,8%, maior registo comparativamente aos dois bancos acima referenciados, embora aqueles se tenham demonstrado pujantes no que tange aos depósitos, assim como aos fundos próprios.

Sector financeiro suporta crise

Embora a economia angolana esteja a passar por enormes dificuldades, o sector financeiro, sobretudo a banca, tem sabido dar resposta à pressão a que está submetido, defende Fonseca Braga, economista que prevê períodos complexos do ponto de vista funcional, face às mudanças que se avizinham para os bancos.
Na perspectiva de Fonseca Braga, com aumento dos depósitos, os bancos passam a dispor de mais recursos financeiros para apoiar os sectores- chave da economia, visto que os “bancos são os motores do crescimento e desenvolvimento económico”.

“O momento exige das instituições financeiras maior racionalidade dos recursos disponíveis. Quanto menor for o risco na concessão de crédito, melhor, por isso vemos muitos bancos pouco disponíveis para a intermediação bancária. Deve-se encontrar mecanismos viáveis, caso contrário a economia vai ressentir-se desta retracção”, afirmou.

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