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Diamantino Azevedo “A Geoangol não é apenas um laboratório”

22/12/2015 - 10:45, Uncategorized

Com a inauguração da Geoangol, Angola conta com o primeiro laboratório de prospecção geológica. O chairman da Ferrangol, que é sócia maioritária do projecto, garante que servirá de suporte às empresas mineiras. Qual é o objecto social da Geoangol? O objecto da Geoangol é a realização de actividades de suporte mineiro, nomeadamente de prospecção e […]

Com a inauguração da Geoangol, Angola conta com o primeiro laboratório de prospecção geológica. O chairman da Ferrangol, que é sócia maioritária do projecto, garante que servirá de suporte às empresas mineiras.

Qual é o objecto social da Geoangol?

O objecto da Geoangol é a realização de actividades de suporte mineiro, nomeadamente de prospecção e também de exploração de recursos minerais, sendo que essa actividade é análise laboratorial, sondagem geológica, formação técnica e também a realização de estudos geológicos, e também de investigação ligada aos recursos minerais, esse é o objectivo essencial da Geoangol. É uma instituição que partiu de um projecto da Ferrangol, tendo em conta que nós sentíamos grandes dificuldades para o desenvolvimento das nossas actividades de prospecção, porque tínhamos de recorrer a empresas situadas no estrangeiro, tendo em conta que não existia no País capacidade para a realização das actividades que já havia referido.

Quanto tempo durou a execução desse projecto?

Podemos dizer que a ideia deste projecto já foi tida há bastante tempo pelo conselho de administração da Ferrangol, nos finais de 2006, quando assumimos a posição de PCA da Ferrangol. Fomos amadurecendo a ideia e, apresentada aos órgãos que superintendem a empresa para que fosse aprovado o projecto, isso começou há mais ou menos 3 anos, com a facturação do negócio e a realização do projecto em si, bem como a implementação e formação de quadros, a compra de equipamentos e o início da actividade até aos dias de hoje.

A Ferrangol implementou este projecto com capital próprio, ou com a participação de outras empresas?

Este projecto iniciou como uma ideia da Ferrangol, mas, como sabe, a actividade de preservação de serviço é, geralmente, uma actividade levada a cabo pelas empresas privadas. E nós, no decorrer do projecto, fomos procurando também sinergias de parceiros privados angolanos que tinham intenção de intervir neste sector de actividade, nomeadamente na parte de sondagem geológica, não na parte de sondagem de análise laboratorial, e assim se transformou num projecto entre a Ferrangol, empresa pública, e alguns parceiros privados angolanos.

Pode mencionar os parceiros privados da Ferrangol na Geoangol?

Eu penso que são empreendedores, no momento não tenho comigo o nome deles, mas a Geoangol vai poder fornecer-lhe depois, são empresas angolanas pequenas que estão connosco nesta parceria.

Com quantos trabalhadores a Geoangol inicia a actividade de sondagem e prospecção de minas?

Conta com mão-de-obra estrangeira e nacional. A Geoangol tem uma gestão de técnicos angolanos que são os responsáveis desse projecto e têm o apoio de dois técnicos estrangeiros de renome com bastante experiência neste ramo. Os dois técnicos estrangeiros são da Tanzânia, mas não significa que não precisaremos de mais. Aliás, temos dois técnicos na área laboratorial e dois técnicos angolanos com experiência na área de sondagem geológica, porque ainda temos poucos. A empresa está na fase inicial, neste momento conta com cerca de 15 a 20 profissionais, desde engenheiros a técnicos básicos

O surgimento da Geoangol vai dar azo à prospecção e exploração de outros minerais?

É assim, temos primeiro de delimitar uma coisa: a Geoangol é uma empresa de prestação de serviços ao sector mineiro, não é uma empresa mineira. Relativamente à questão que me coloca, o País tem potencial para outros recursos minerais, dizer que a própria Ferrangol está inserida em diversos projectos de prospecção, mas de recursos minerais ferrosos e não ferrosos ou básicos, bem como de metais preciosos terreáveis. Especificamente, posso dizer que estamos a desenvolver projectos de prospecção de mineral de ferro, ouro, cofre e manganês.

Quais são os resultados que se podem esperar da Geoangol?

A Geoangol, como havia referido, presta serviço a empresas mineiras. Apesar de analisar as amostras que recolhe durante a prospecção, com objectivo de obter resultados que permitam efectuar a actividade de exploração mineira, ela tem de socorrer a instituição deste ramo. A Geoangol também pode prestar serviços às empresas que actuam na área ambiental que precisam de análise de solo, sedimentos, e outros serviços. Portanto, a Geoangol não presta serviços só às empresas mineiras, apesar de o foco ser a actividade mineira, outras empresas também poderão requerer os serviços desta instituição.

Desta forma, a Geoangol poderá ajudar na descoberta de novos jazidos?

É assim, ela presta serviço às empresas mineiras, e estas, por sua vez, têm como objectivo descobrir novos jazidos, portanto, ela directamente, não. Mas o seu serviço ajuda outras empresas mineiras a descobrir novos jazidos.

A Geoangol está equipada com laboratórios de qualidade, comparada com as homólogas de renome em África e no mundo?

O processo de criação de um laboratório tem várias fases, temos equipamentos básicos para as análises essências das actividades mineiras. A instituição possui equipamento tanto para a preparação das amostras como para análises geoquímicas e geológicas das amostras. Também tem equipamento para o trabalho de perfuração. Portanto, este equipamento básico a instituição possui. Claro que agora está num processo de melhoria, todo o procedimento de análise, de obtenção de certificação, já iniciou. Este é o procedimento necessário para obtenção de certificação internacional e de qualidade.

Quanto tempo será necessário para que a Geoangol atinja a maturidade?

A Geoangol foi inaugurada hoje, mas a empresa começou a funcionar há cerca de seis messes, a nível de sondagem, e já está a prestar serviço a algumas empresas mineiras e também já está a fazer análises de amostra de algumas empresas que pediram este serviço.

Em quanto está orçado este projecto?

A Geoangol, como tivera dito, nasceu de um projecto da Ferrangol, e transformou-se hoje numa empresa, a Ferrangol é apenas uma das accionistas. O que eu lhe posso dar é indicadores de quanto custou o trabalho todo desde a concepção da ideia à elaboração do plano estratégico de negócio, à formação de técnicos, aquisição de terreno, equipamentos, e isto é se formos a falar em valores equivalentes: estamos a falar de cerca de 12 milhões a 13 milhões USD.

A Geoangol conta com parceiros estrangeiros para a consolidação deste projecto?

A Geoangol é um projecto concebido por técnicos angolanos pertencentes à Ferrangol-EP, sendo neste momento uma empresa inteiramente angolana, no entanto, não podemos descartar qualquer espécie de relacionamento com outros parceiros, sejam estrangeiros ou nacionais, desde que tragam mais-valias à Geoangol, mantendo a essência da sua criação.

A aposta neste laboratório não estará a desviar as atenções da Ferrangol no que diz respeito aos projectos mineiros em curso?

A Geoangol não é apenas um “laboratório”, mas, sim, uma instituição que possui no seu âmbito de actuação também a de prestação de é uma empresa “A Geoangol “ serviços ao sector mineiro, não é uma empresa mineira” “Desde a concepção da ideia, estamos a falar de cerca de 13 milhões USD” actividade de análise laboratorial, visto que ela se dedica a outras actividades de prestação de serviços, como a sondagem geológica, a realização de estudos geológicos e a formação técnica. A Geoangol, embora tenha sido um projecto de iniciativa da FerrangolEP, evoluiu para um ente empresarial com vida e organização própria, possuindo uma gestão autónoma e órgãos de controlo próprios de acordo com a Lei das Sociedades Comerciais, sendo agora a Ferrangol somente um dos integrantes da mesma, e desta maneira exercerá apenas as suas obrigações e direitos.

Qual é a actual situação das minas de ouro de M’popo e Chipindo, que estavam em fase de prospecção?

Tecnicamente, não seria muito correcto neste momento falarmos das “minas de ouro de M’popo e de Chipindo”, mas, sim, dos “projectos de prospecção de ouro do M’popo e do Chipindo”, visto que estamos ainda no processo de investigação geológico-mineira, que comporta as fases de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação, com o objectivo de provarmos, ou não, a existência de recursos minerais, que, em caso positivo, depois de quantificados e devidamente qualificados, poderão conduzir-nos a reservas minerais que permitirão então a realização dos estudos de viabilidade técnicoeconómicos e socioambientais, que, por sua vez, determinarão, também, caso os resultados e a conjuntura socioeconómica internacional sejam favoráveis, a implantação de projectos mineiros de exploração, beneficiamento e comercialização de ouro. Este é um processo que necessita de algum tempo, é de capital intensivo e de riscos elevados. No entanto, podemos dizer que terminamos este mês os estudos de viabilidade do projecto de M’popo, e até ao fim do primeiro trimestre do próximo ano poderemos então anunciar os resultados, ou seja, se estaremos em condições de implementar um projecto mineiro. Já quanto ao Chipindo, estamos ainda numa fase inicial do processo de investigação geológico-mineira, cujo cronograma prevê a finalização no fim do primeiro trimestre do próximo ano da fase conceptual do projecto. Estes projectos, bem como outros em fase de arranque em algumas províncias do País, estão a ser realizados por empresas constituí- das com base em parcerias entre a Ferrangol-P&P, uma subsidiária da Ferrangol-EP, e empresas privadas angolanas e estrangeiras. A Ferrangol-EP desempenha o papel de concessionária nacional para o ouro.

Para quando o arranque da produção do projecto minero-siderúrgicos de Kassinga e Kassala Kitungo?

O projecto minero-siderúrgico de Kassinga e Kassala Kitungo foi aprovado em 2010, tendo sido constituída uma parceria entre a Ferrangol-EP e parceiros privados. Entretanto, em 2013, as actividades do projecto foram suspensas por diversos motivos. Actualmente, o projecto está a ser reestruturado para que sejam criadas condições para a sua implementação, tendo em conta a situação do mercado internacional de minério de ferro e do aço, nomeadamente a baixa considerável dos preços dos dois produtos referidos, bem como a conjuntura socioeconómica actual do nosso País. No entanto, a Ferrangol-EP, também com parceiros privados, está a implementar outros dois projectos minero-siderúrgicos, nomeadamente o projecto de Cerca, na província do Cuanza Norte, e o projecto de produção de ferro gusa no Cutato, província do Cuando Cubango.

Já é possível saber qual o custo financeiro alocado para pôr a andar estes projectos? Que entidades estão a financiar estes projectos?

Gostaria de poder fornecer-lhe esta informação. No entanto, estando eles a ser realizados no âmbito de parcerias com outras empresas, deverão ser as mesmas a fornecer estes dados, visto a Ferrangol não ser o parceiro investidor.

O ferro, o ouro e o manganês continuam a ser o foco da Ferrangol?

A Ferrangol-EP viu muito recentemente o seu objecto social ser revisto e ampliado no âmbito da aprovação do seu novo estatuto orgânico, passando agora a poder realizar projectos de prospecção, exploração, beneficiamento e comercialização de metais ferrosos (ferro, manganês, titânio, crómio), metais não ferrosos ou de base (cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, estanho, níquel, cobalto), metais raros (lítio, nióbio, tântalo) e metais nobres (ouro, prata, platina.

Por: Fernando Baxi

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