Mercado

Empregados mais velhos são menos produtivos?

27/12/2016 - 12:52, Capital Humano, Uncategorized, Universidade

Há países que vão sofrer com o envelhecimento da população, não conseguindo evitar quedas de produtividade. Fenómeno que afeta toda a economia.

Por Pedro Araújo 

Velhos são os trapos? O provérbio português tem a sua razão de ser, mas a economia diz-nos algo mais. A produtividade aumenta geralmente até os trabalhadores entrarem nos 40, começando a decair por essa altura, fenómeno que se acentua até à idade da reforma.

Segundo alguns estudos do Fundo Monetário Internacional, o envelhecimento da população empregada está a ser um travão ao aumento da produtividade, tanto na Europa como no Japão. A produtividade portuguesa não é a melhor no contexto europeu.

Usando o índice 100 para a União Europeia (UE), nota-se que Portugal está muito abaixo de vários parceiros europeus e ainda mais distante da média da Zona Euro (média dos países da moeda única está sete pontos acima da UE).

A produtividade é um dos principais motores do crescimento económico. Quando está a subir, mais bens e serviços são produzidos a partir da mesma quantidade de inputs (qualificação dos empregados, máquinas, matérias-primas, organização do trabalho, entre outros) – entregando, deste modo, mais à sociedade em geral.

Quando a produtividade está a cair, o crescimento da economia é retardado. Segundo os autores Shekhar Aiyar, Christian Ebeke e Xiabo Shao, o número crescente de trabalhadores acima dos 55 anos teve como consequência a baixa da produtividade em 0,1 pontos percentuais ao ano ao longo das duas últimas décadas na Europa.

A população empregada portuguesa mostra bem essa realidade. Entre 1983 e 2015, a faixa etária dos 45-54 anos ainda a trabalhar aumentou 42,5% e a faixa daqueles que estão já muito perto da reforma (55-64 anos) sofreu um alargamento de 34,5% no mesmo período .

O problema básico é que há menos nascimentos e as fatias da população idosa com qualidade de vida (saúde) tem vindo a crescer desde há décadas. Aliás, é por esse motivo que existe em Portugal o chamado “factor de sustentabilidade”, que colocou a idade da reforma sem penalizações nos 66 anos e três meses em 2017.
De acordo com as actuais projecções demográficas, o futuro será ainda pior. De 2014 a 2045, o envelhecimento da força de trabalho vai intensificar-se na Europa e poderá reduzir o crescimento anual da produtividade total dos factores em 0,2 pontos percentuais.

Mas em países onde o envelhecimento será mais pronunciado – Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e Espanha – o crescimento anual da produtividade pode ser reduzido em 0,6 pontos percentuais ao ano.

Em países africanos , a massa laboral é muito jovem, começa-se a trabalhar mais cedo e a esperança média de vida ainda é mais curta do que nos restantes continentes.

Os índices de produtividade, porém, ainda não são mesuráveis ao ponto de se estabelecer uma correlação directa entre a idade e a produtividade.A idade da reforma é muito subjectiva, na medida em que a assistência social é ainda precária e não existe uma idade minima para se deixar de trabalhar.

Dinheiro Vivo*

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