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Empresa Nacional de Resseguro poderá ser criada este ano

02/01/2017 - 09:30, Uncategorized

A instituição poderá ser criada este ano, e serão igualmente providenciadas as condições para que comece em seguida as suas operações.

Por Estêvão Martins 

estevao.martins@mediarumo.co.ao 

A entrada em funcionamento da Empresa Nacional de Resseguros (AngoRe) deverá proporcionar a retenção de 500 milhões USD – cerca de 50% do negócio das seguradoras que é ressegurado no estrangeiro – aliviando a pressão sobre as reservas externas do País.

A informação foi prestada em exclusivo ao Mercado pelo chairman da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).

Aguinaldo Jaime notou que a Empresa Nacional de Resseguro poderá ser criada em 2017, e de seguida serão igualmente providenciadas as condições organizativas e logísticas para que a empresa comece as suas operações no País.

Para o efeito, o gestor sublinhou que o conselho de administração que dirige já submeteu, à apreciação superior, o estudo de viabilidade técnica, económica e financeira da futura empresa angolana de resseguro.

Frisou que o estudo foi elaborado por uma empresa estrangeira especializada, em coordenação com responsáveis técnicos e especialistas nacionais, tendo sido, posteriormente, apreciado pela ARSEG.

O responsável referiu igualmente que o estudo faz menção em relação à viabilidade da futura empresa, os benefícios que a instituição trará para o sector segurador nacional, para o mercado de emprego e de uma maneira geral para o sistema financeiro nacional.

O documento analisa ainda diferentes experiências sobre a criação de empresas resseguradoras, em África, na Ásia na América Latina.

Com base em tais exemplos, Aguinaldo Jaime nota que o estudo apresenta propostas sobre o melhor modelo de gestão da empresa, sua composição accionista, bem como sobre a sua governança.

Um aspecto crucial a ter em conta, segundo o chairman da ARSEG, será o capital humano necessário para que a empresa comece com as suas operações com a eficiência desejada, sendo que deverá ser dotada de pessoal com formação especializada.
Com efeito, avançou, a ARSEG realizou seminários, com o apoio de resseguradores internacionais sobre resseguro destinado quadros do sector dos seguros e de outros reguladores do sistema financeiro.

O responsável sublinha que foi já constituída pelo Ministério das Finanças a comissão instaladora da resseguradora, onde a ARSEG participa com outros representantes.

Explica que a comissão tem vindo a trabalhar e já preparou os seus estatutos, onde está explícito o seu mandato, a sua estrutura de capital e accionista, que será composta por empresas domiciliadas em Angola e que operam no sector financeiro e não só.

“Um instrumento como este ganha credibilidade se tiver dentro de si parceiros de referência internacional. Queremos que a Ango Re seja um parceiro de referência no domínio dos seguros, não apenas em África, mas em todo o mundo”, disse.

Nossa Seguros aplaude iniciativa

Entretanto, a Nossa Seguros encoraja a implementação da resseguradora nacional que deve ter como missão a concentração de capacidade doméstica para reter os riscos originados em Angola.

O CEO da seguradora enfatiza que a medida não podia ser mais oportuna, sobretudo num contexto económico caracterizado pela falta de liquidez dos recursos cambiais externos.

Deste modo, acrescentou Carlos Duarte, serão poupadas as reservas cambiais no exterior do País que eram canalizadas para programas de resseguro.
O responsável considerou que há riscos que têm de ser acautelados a fim de evitar situações de incumprimento e de violação à lei como a que se deu no passado.

Carlos Duarte citou o exemplo do regime de co-seguro nos sectores energéticos, mineiro e de aviação, que degenerou numa situação de aproveitamento e incumprimento da lei por parte de determinada seguradora.

Para este caso, o CEO da Nossa Seguros é de opinião que tem de haver mecanismos de controlo, no sentido de evitar situações semelhantes, e que traduzam correctamente o espírito da resseguradora num aumento da eficiência do sector.

“Pensamos também que a futura resseguradora deverá estar dotada de uma forte capacidade técnica, e igualmente com uma base de capital muito sólida para cumprir com o objectivo para o qual foi criada.”

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