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ESTAMOS A GASTAR DE MAIS E A POUPAR DE MENOS

16/10/2015 - 16:49, Uncategorized

“Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.” (Abraham Lincoln) Uma das leis universais no mundo financeiro respeita ao princípio de que é necessário poupar para haver investimento, crescimento e emprego. Há que reconhecer que os níveis de poupança são baixos e daí o recurso ao endividamento em proporções que merecem reflexão de todos os agentes, onde se incluem empresas […]

“Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.” (Abraham Lincoln)

Uma das leis universais no mundo financeiro respeita ao princípio de que é necessário poupar para haver investimento, crescimento e emprego. Há que reconhecer que os níveis de poupança são baixos e daí o recurso ao endividamento em proporções que merecem reflexão de todos os agentes, onde se incluem empresas e famílias, o que pode comprometer, a prazo, a sustentabilidade do País.

Poderá questionar-se como é possível poupar-se num ciclo menos favorável da economia e quando predominam níveis de rendimento relativamente baixos. Paradoxalmente, não é nos períodos de boom que mais se poupa e não são as classes mais altas que o fazem, pelo que há que aproveitar a oportunidade nas fases de crise para se combater os gastos supérfluos, se eliminar o desperdício, se racionalizar estruturas e se fomentar a poupança
na prevenção do futuro.

É nestas fases que, muitas das vezes, se toma consciência da realidade nua e crua das leis da economia e das finanças que, transportadas para o quotidiano, implica seguir-se certos princípios, um dos quais se traduz na necessidade de não abusar do endividamento, sobretudo se aplicado no consumo.

A proliferação dos cartões de crédito concedidos sem critério é uma armadilha para o próprio utilizador que pode levá-lo ao incumprimento e até à insolvência. A noção de poupança tem de voltar às preocupações do dia-a-dia, tanto mais que os sistemas de previdência pública estão a revelar-se
insuficientes, não garantindo o necessário a uma vida digna na reforma. Tudo começa pela mentalidade: gerir o rendimento disponível de maneira equilibrada e assumir compromissos financeiros só quando, conscientemente, se pode pagar.

Nos primeiros anos do ensino escolar devia sensibilizar-se os alunos de forma estruturada e consistente, para o tema da gestão das finanças pessoais. É verdade que não é fácil resistir às campanhas de publicidade para compra de bens supérfluos e de concessão de crédito para os adquirir tantas vezes de forma demasiado acessível. Mas aí é que surge a aplicação do princípio da responsabilidade a contrariar o impulso emocional da compra.

Do lado das entidades que promovem publicidade, nomeadamente os bancos, também se impõe a moderação de comportamentos agressivos e de apelo ao crédito ao consumo. No entanto, os bancos só emprestam a quem quiser aceitar o empréstimo, pelo que, no final, vinga o princípio da responsabilidade individual.

As empresas estão sujeitas a idênticos critérios de racionalidade, porventura mais rigorosos ao envolverem o emprego de muitos trabalhadores, sendo estes as principais vítimas dos erros de gestão reflectidos em gastos supérfluos, especialmente se financiados pelo recurso ao crédito. O reflexo negativo dessa situação nos balanços dos bancos também se fará sentir sobremaneira, com o risco de se transmitir a todo o sistema financeiro e à economia. Não gastar irracionalmente contribui para a poupança, fomenta os depósitos, promove a concessão de crédito saudável à economia, favorece o investimento, proporciona crescimento e garante emprego. É esta cadeia de valor que todos devem seguir decididamente no seu interesse individual e do País!

Por: Campos Vieira
Email: geral.mediarumo@gmail.com

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