Mercado

Fátima Monteiro – “Novos players no mercado trazem desafios para todas as seguradoras”

30/07/2015 - 15:30, Banca, Seguros, Uncategorized

A BIC Seguros tem apenas nove meses e já sonha ser um dos grandes players desta actividade. A chairwoman da companhia considera que as seguradoras devem fazer mais pelo País.

Por Estêvão Martins | Fotografia Walter Fernandes

Já passou um ano desde afiscalização do seguro deresponsabilidade civil automóvel obrigatório. Em que medida esta regra beneficiou a BIC Seguros?
A BIC Seguros tem nove meses deactividade (começámos a 15 deOutubro de 2014) e, de certa forma, apanhámos a carruagem emandamento. No entanto, temos notado uma maior preocupação por parte dos cidadãos em relação ao cumprimento da obrigatoriedade do seguro automóvel. Julgamos que há ainda um longo caminho apercorrer para termos percentagens significativas em relação às viaturas asseguradas que circulam no País. A polícia tem feito o seu trabalho, e sentimos diariamente que novos clientes têm procurado os serviços da nossa seguradora, não tanto pela necessidade, mas sim pela obrigatoriedade dentro daquilo que a lei exige.

Quais são os números da BIC Seguros em relação à carteira de negócios deste ramo automóvel?
O negócio do ramo automóvel representa 50% da carteira doramo não vida. A BIC Seguros possui à volta de 9000 clientes emetade destes fazem parte doramo automóvel. O facto determos surgido neste período defiscalização foi fundamental para atingirmos estes números. Éuma pena quando o cidadão fazdeterminado acto apenas por obrigação. Este passo é importante, porque as taxas de sinistralidade rodoviária no País são elevadas ebastante preocupantes. Para baixar os indicadores, é necessário o envolvimento de todos osoperadores desta cadeia e que os cidadãos procedam deforma responsável.

É de opinião que a fiscalização deve continuar?
As autoridades devem e têm de continuar a fiscalizar a implementação do seguro automóvel de responsabilidade civil obrigatória. Circular de automóvel sem seguro acarreta consequências graves para a sociedade, não só a nível físico como a nível material. Por isso, qualquer pessoa que circule sem o seguro automóvel pode prejudicar seriamente a sua vida ou bens de terceiros. E para isso o papel da polícia é fulcral, porque somente ela pode fiscalizar o cumprimento da lei.

Há restrições na cobertura doseguro automóvel?
Não pode haver uma restrição aonível das coberturas, ou seja, todos os veículos automóveis têm de estar segurados pelo seguro obrigatório de responsabilidade civil, independentemente da sua condição técnica. Mesmo as viaturas em péssimas condições técnicas têm de estar seguradas. Pode, entretanto, haver algumas limitações quanto à cobertura de danos próprios, ou seja, de acordo com o estado técnico da viatura. Ainspecção às viaturas é uma dasformas que poderão existir para minimizar a problemática referente ao estado técnico dasviaturas. Há automóveis quecirculam na via pública sem travões, por exemplo. Isto faz comque o risco dessa viatura aumente significativamente.

Como é classificado o seguro de um automóvel em função do seu tempo de vida?
Os veículos estão associados àdesvalorização comercial. Aofim de um ano, por exemplo, um veículo em termos do seu valor comercial tem uma desvalorização de 20%. Ou seja, após este período, se o cidadão optar por um seguro contra danos próprios, jánão será feito pelo valor da aquisição das viaturas, mas sim pelo valor comercial passado um ano. Ou seja, o valor inicial menos 20%, sendo que a sua desvalorização acontece ao longo do seu tempo de vida.

Qual é a capacidade da BIC Seguros em termos de resposta, uma vez que as taxas desinistralidade no País são elevadas?
A resposta da BIC Seguros é quase imediata. Depois de contactados por clientes, tentamos resolver os sinistros no máximo de 48 horas. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, tivemos dois acidentes de viação em que duas pessoas tiveram ferimentos graves. No caso, demos a nossa resposta imediata, procurando que essas pessoas tivessem omelhor tratamento possível.

Como está a seguradora em relação à arrecadação de prémios referentes ao sector automóvel?
Em termos globais, no que toca à arrecadação de prémios, pensamos fechar o mês de Julho com cerca de 700 milhões Kz. Conforme afirmei, o ramo automóvel representa 50% donegócio da BIC Seguros, sendoque fechamos o semestre comcerca de 600 milhões Kz.

Qual é a perspectiva de negócios da seguradora no que toca ao futuro do ramo automóvel?
O nosso objectivo é continuar a ter uma carteira forte de clientes e poder satisfazer com maior qualidade e rapidez assim que formos chamados para acudir aum sinistro.
Vamos continuar a apostar nasensibilização para que todos os condutores e proprietários deveículos automóveis possam cumprir com a obrigatoriedade legal e garantir o ressarcimento atodos os lesados, sejam pessoas ou bens. Além da obrigatoriedade, o seguro automóvel acarreta responsabilidade. Quem circula com um automóvel corre riscos que podem traduzir-se em danos próprios ou a terceiros. Por outro lado, os cidadãos têm de ter consciência desta responsabilidade, porque o risco tem de ser transferido para uma seguradora.

Qual é a taxa de sinistralidade rodoviária da seguradora?
A nossa taxa corresponde a 20% dos prémios das apólices. Infelizmente, neste ano tivemos alguns danos corporais, mas amaior parte é referente a danos materiais em relação a veículos, seja de proprietários, seja de terceiros.

Essa taxa é reduzida. Como manter o rácio com os níveis desinistralidade rodoviária aaumentarem todos os dias no País?
Temos feito junto dos nossos clientes um trabalho de prevenção rodoviária, ou seja, dar formação aos nossos clientes – empresas eparticulares – no sentido de contribuirmos para a diminuição da sinistralidade rodoviária.

Qual é a sua opinião em relação ao seguro agrícola, cuja operacionalização se aguarda no País?
Este serviço está a ser estudado e analisado pelas autoridades competentes, nomeadamente oMinistério da Agricultura e oórgão regulador: a ARSEG e os demais operadores do mercado.
O BIC Seguros está disponível a colaborar naquilo que for possível porque ele não existe e tem de ser regulado. É um tema que está na mesa, e sabemos também que tem havido um esforço das autoridades para a sua operacionalização.

Quais são os outros projectos da seguradora para os próximos anos?
Nesta altura temos em comercialização todos os produtos de seguros, com excepção do seguro de saúde, previsto ainda para este ano. O nosso projecto visa continuar a crescer de forma sustentada e com bastante rigor por forma anão ferir nem desiludir asexpectativas dos clientes emrelação ao nosso trabalho. Pretendemos igualmente colaborar e interagir com todas as entidades envolvidas no sector de seguros, seja a Polícia ou o Ministério da Administração Pública, Trabalho eSegurança Social (MAPTESS), na questão dos acidentes de trabalho, para que todos juntos possamos fazer com que este mercado evolua de forma segura.

Qual é a sua opinião em relação à pertinência da criação daEmpresa Nacional deResseguros?
Sabemos que a questão tem sido uma das preocupações da ARSEG. A criação de uma resseguradora nacional é fundamental porque implica uma poupança clara derecursos cambiais para o País.AAngo-Re foi criada em 2003, mas está apenas no papel. Todosos operadores do mercado e as seguradoras fazem os seus contratos de resseguros fazendo recurso a companhias estrangeiras, o que obriga à saída de recursos financeiros do País.

O BIC Seguros tem optado peloresseguro, ou pelo co-seguro dos riscos?
A agência tem os seus tratados de resseguros firmados com instituições estrangeiras para ressegurar determinados riscos, para que agestão do risco seja saudável esegura e nunca coloque em causa o ressarcimento dos clientes. Aseguradora que fizer a retenção do risco assume sozinha as consequências em caso de sinistro. Portanto, o resseguro e o co-seguro são as formas que uma determinada seguradora tem para dispersar e partilhar o risco que assume, e nenhuma seguradora opera sem tratados de resseguros devidamente firmados.

Como têm evoluído os custos em relação ao resseguro?
Os custos dependem muito de cada ramo e das características do tratado. Se assumirmos um risco equivalente a 10 milhões USD, por exemplo, dispersamos este risco. Ao obrigo do tratado alocamos parte deste risco para resseguradoras estrangeiras por forma anão colocarmos em causa ofuturo da seguradora. Geralmente cedemos 30% a 50% do risco.

Qual é sua opinião face ao crescimento do mercado segurador do País?
O aparecimento de novas companhias de seguro é saudável (são mais de 10 seguradoras emfuncionamento). Isto é sinal de que o mercado está em movimento e de que a actividade seguradora, finalmente, começa a estar naordem do dia.  Não podemos esquecer que a actividade seguradora é fundamental para o desenvolvimento e o crescimento de um país. A entrada de novos operadores no mercado de seguros comporta um desafio para todas as seguradoras que já estão no mercado. Isto obriga-nos a melhorar a nossa actividade e asermos cada vez mais rigorosos e exigentes também com as nossas próprias equipas.

Quais seriam os ganhos para aeconomia de ter um sector segurador forte e robusto?
Permite que a própria economia se desenvolva e cresça, cada vez mais segura. Veja que, se a actividade seguradora não conseguir corresponder às necessidades do mercado, seja a nível empresarial, seja a nível particular, é muito difícil as empresas conduzirem as suas actividades de forma segura, porque, no caso de uma mínima situação de risco, a empresa pode enfrentar dificuldades para se reerguer.

Como encara a concorrência num mercado em franco crescimento?
A concorrência faz fortalecer o mercado. Um mercado sem concorrência não tem evolução. Portanto, encaramos a concorrência como um desafio que nos obriga a melhorar a nossa actividade todos os dias. Ou seja, obriga-nos igualmente a trabalhar para estarmos no topo das preferências dos nossos clientes, daí que a concorrência é sempre saudável em qualquer área de actividade. Para o cidadão em geral, é fundamental existir, uma vez que o cliente vai possui uma opção de escolha. Assim pode optar pela seguradora que melhor defende e salvaguarda os seus interesses.

Como funciona o canal de distribuição da BIC Seguros?
A nossa comunicação institucional – “Vai ao banco como à seguradora” – diz tudo. A BIC Seguros tem como suporte todas as agências do banco espalhadas por todo o País, que neste momento são 225. Temos feito um esforço muito grande no sentido de formarmos o nosso pessoal de maneira a que os clientes possam de facto ir à sua seguradora como vão ao banco. Onosso objectivo é ocuparmos umespaço de destaque em termos de banca de seguros.

Acredita que o facto de cada agência do banco funcionar também como um canal de distribuição dos vossos produtos faz da BIC Seguros uma referência nacional?
Um dos objectivos passa por sermos uma referência nacional, não só pelo facto de estarmos presentes em todo o País, mas também pelo rigor e, sobretudo, por apostarmos junto dos nossos clientes e respondermos quando chamarem por nós no momento do sinistro.

A penetração dos seguros no PIB é de apenas 1%. No seu ponto de vista, que deve ser feito para reverter o quadro?
De facto, a percentagem é bastante reduzida. O facto mostra que há um longo caminho a percorrer em termos de penetração dos seguros no PIB, e a BIC Seguros pretende contribuir para que o facto se torne uma realidade. Por outro lado, as seguradoras devem melhorar os serviços e produtos que oferecem. Contudo, urge fazer campanhas de sensibilização às populações a fim de se criar a cultura do seguro na população e irmos aumentando esta percentagem. Luanda é nesta altura o maior mercado das seguradoras do País.

Como evoluí a BIC Seguros nasoutras províncias do País?
O negócio das seguradoras tem que ver com o desenvolvimento da região. Benguela, Huíla, Huambo eas Lundas são praças muito importantes para a BIC Seguros.

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1 Comentário

  1. Lakisha 25/04/2016 - 19:11

    Bonjour merci pour ce concours!!Ces ombres me faisaient envie,ça tombe bien!!Je voudrais bien le « sahara trenoure&absp;&raqus; qui se rapproche de la couleur que je porte à peu près tous les jours.Les autres sont quand même supers jolies aussi!!!

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