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Filipe Lemos: A minha mãe quis que eu fosse jogador de futebol

30/12/2015 - 02:09, Uncategorized

O gestor foi o convidado da secção Brunch With… da primeira edição do jornal Mercado, no início do segundo trimestre do ano corrente, onde manifesta estar apreensivo com a sociedade por estar a perder valores cívicos. Filipe Lemos é o presidente executivo do LIDE Angola – Grupo de Líderes Empresariais – uma organização de empresários […]

O gestor foi o convidado da secção Brunch With… da primeira edição do jornal Mercado, no início do segundo trimestre do ano corrente, onde manifesta estar apreensivo com a sociedade por estar a perder valores cívicos.

Filipe Lemos é o presidente executivo do LIDE Angola – Grupo de Líderes Empresariais – uma organização de empresários destinada a fortalecer o pensamento, o networking e os princípios éticos de governação empresarial.

Aceitou o convite de privar com o Mercado sobre sua vida fora do mundo da gestão, no restaurante La Piazza do Hotel de Convenções de Talatona, num ambiente caracterizado de silêncio, acima de tudo formal e luxuoso. O jurista conta que foi músico de dois agrupamentos, mas que a mãe gostaria que fosse futebolista.

Aos 45 anos idade, tem a particularidade de estar junto de quem mais gosta e admira. Preserva a amizade, cultiva as relações com os amigos e vê um interesse muito forte na troca de experiências com outras pessoas.

Todos os dias desenvolve uma boa convivência com os seus cinco filhos, dos quais três estudam na África do sul. É um cidadão preocupado com o país, garante Lemos, e só pensa positivo, quer no seio de amigos quer no da família.

Apesar do seu trabalho diário no mundo da gestão, reserva tempo suficiente para estar com a família. “Não tenho estado constantemente com eles (filhos), mas sempre que é possível procuro estar. Sonho em ser um pai exemplar”.

Filipe Lemos é amante acérrimo do desporto. Desde cedo, a sua mãe apoiou-o vigorosamente para se tornar num futebolista. “Nunca levei jeito para tal, apesar de ter tido todas as condições”.

Na infância e adolescência, Filipe recebeu vezes sem conta presentes de bolas de futebol e equipamentos desportivos, que algumas vezes ofereceu para os amigos, na vila de Andrada, actual vila da zona mineira do Nzagi, município do Cambulo, na Lunda Norte.

É lá onde nasceu e começou a desenvolver simpatia pelo Sporting.“Tive sempre o privilégio de receber equipamentos do Sporting, ofertas de pessoas que vinham de Portugal”.

Em Andrada, as camisolas e calções coloriam o areal e os canteiros verdes que eram transformados em campos. As balizas improvisadas de pedra e paus comprovavam os golos marcados algumas vezes com a bola de trapo. Nzagi tinha um campo multiuso na Casa do Pessoal e um campo onze frente à sua residência, feito com apoio do seu pai.

Fazendo sol ou chuva, buscavam inspiração nos grandes ídolos da época e nos jogos que passavam pela televisão. Aos adultos, Filipe cedia, inclusive, a bola de futebol.

O seu coração está dividido entre várias equipas de futebol. Apesar de ser um adepto ferrenho do Sporting de Portugal, é, igualmente, adepto do Barcelona de Espanha e também do Progresso do Sambizanga (Luanda). Mas de forma natural apoiou sempre o Sagrada Esperança, equipa da sua terra natal.

A música é a primeira na numeração das artes. Foi também a primeira que a partir dos 12 anos fascinou-o. Começou a tocar viola baixo no grupo Estrelas de Andrada entre 1982 a 1984. “Era costume os agrupamentos musicais do Dundo, como o Sagrada Esperança, os Moyowenos, realizarem espectáculos musicais no Nzaji. Ficávamos emocionados ao ver os mais velhos a cantar e a tocar”, lembra franzindo os olhos.

De Andrada aos palcos

A música começou a assediar as veias de crianças e adolescentes na vila, que deu na constituição do grupo musical Estrelas de Andrada. Filipe Lemos conta que, com os amigos e vizinhos, arranjaram guitarras e aos poucos começaram a dar os primeiros passos. Diz que foi a partir daí que começou a tocar viola baixo sem entender de notas musicais. Como a experiência é o resultado das cíclicas práticas, Lemos aperfeiçoou a arte.

Anos depois, no período entre 1985 e 1986, integrou o grupo Sagrada Esperança, como guitarrista, usando a viola ritmo. Entre 1988 a 1899, integrou a banda do Petro do Huambo, já como vocalista.

Com as mãos entrelaçadas e um sorriso natural, lembrou que o grupo Sagrada Esperança tocava músicas de cantores ingleses e norte americanos, porque a zona habitacional da Diamang (actual Endiama), na Lunda Norte, era habitada também por estrangeiros.

“Havia sempre no repertório da banda algumas músicas estrangeiras. Nunca interpretei nenhum clássico angolano nem músicas de outras pessoas, fiz sempre as minhas e as cantei”, explica. Ele reparte a sua vivência em duas partes. A primeira entre o Nzaji e o Dundo. A segunda, na cidade do planalto central.

Para ele, a experiência no Huambo foi muito longa. A sua formatação como indivíduo deu-se nesta província, bem como a sua transição de adolescente para a vida adulta. Ao falar do Huambo, manifesta apreço pelos melhores amigos que fez no período de 1987 a 1992. Foi lá onde apareceu pela primeira vez a cantar pela Televisão Pública de Angola.

A saudade ainda se denota na expressão de Filipe Lemos vários anos depois de se mudar para Luanda. Foi no Huambo que viveu momentos difíceis, onde partiu aos 16 anos para estudar, desde a adaptação de morar num lar de estudantes, no primeiro ano, e a perda de cinco pessoas da família a quem deve muito a educação que herdou.

Fora a tristeza, admite que os meus filhos não possuem a veia musical, mas praticam futebol em clubes da África do Sul, apenas como um hobby, pois tem-lhes incutido que o objectivo no país mais austral do continente berço é o de estudar.

No período de 2000 a 2004 trabalhou na Ascorp, o seu primeiro emprego, como avaliador de diamantes. Naquela altura também presidiu também o Clube Desportivo e Recreativo Atlético Mineiro do Nzagi, clube afecto a Endiama EP.

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