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Grupo Sanzel investe 6 milhões USD na malha industrial nacional

24/04/2017 - 10:10, Business, featured, Uncategorized

Nova fábrica terá uma capacidade de produção de 700 toneladas/ano de produtos derivados do plástico, contando para isso com a mão-de–obra de 47 funcionários. 42 são angolanos.

Por Vânia Andrade

vania.andrade@mediarumo.co.ao 

O Grupo Sanzel prevê inaugurar em Junho, em Luanda, uma unidade industrial destinada à transformação de plásticos, segundo informações avançadas ao Mercado pelo CEO do Grupo Sanzel, Rúbio Pimentel. A referida unidade faz parte do programa de curto prazo da empresa, que, deste modo, alarga a malha produtiva do País. Rúbio Pimentel descreve o projecto como “de grande dimensão”, razão pela qual está a ser executado em três fases, sendo a primeira responsável pelo consumo de 6 milhões USD.

O responsável explica que a empresa terá como segmento a moldagem por injecção para o fabrico de baldes, a moldagem por extrusão para os sacos de supermercado, sacos de lixo, sacos para a casa de banho, películas aderentes (caseiras e industriais) e, por último, terá a moldagem por termoformação a vácuo para produções de copos e marmitas. O mesmo adiantou que a indústria terá uma capacidade de produção de 700 toneladas anuais de cada produto acima mencionado e que numa primeira fase começará a operar com cerca de 47 funcionários directos, dos quais 42 são angolanos.

Rúbio Pimentel reconhece que só através de uma aposta consistente na diferenciação, na inovação e na qualidade é que o grupo conseguirá se manter neste mercado. “Sabemos da existência de pelo menos 23 indústrias de transformação de plásticos, já em pleno funcionamento. Temos também conhecimento, através de alguns bancos, que existem mais de 30 pedidos de financiamento para implementação de indústrias de plásticos. Mesmo supondo que 50% vá realmente a frente, teremos quase 40 indústrias a transformar as mesmas coisas”, considerou.

Por outro lado, o CEO confirmou que os números de importação ainda “são muito expressivos”, e que produzir em Angola ainda é muito caro. “Nós, angolanos, temos custos de produção que o europeu não tem, como, por exemplo, com as cisternas de água, combustível para o gerador, os 20% de custos aduaneiros, os custos com a logística, mais a mão-de-obra dos respectivos trabalhadores, são gastos de cerca de 500 mil Kz, enquanto uma indústria europeia gasta dez vezes menos”, diz.

Adiantou, ainda, que o grupo tem passado por alguns constrangimentos, e a nova lei, que obriga a que os expatriados sejam remunerados em kwanzas, tem sido uma faca de dois gumes para as empresas. “Esta lei tem um lado positivo. As empresas deixam de procurar por divisas no mercado formal e informal, porque já não têm de pagar aos expatriados com moedas estrangeiras, mas por outro lado, a maior parte dos bons quadros expatriados desiste ou desistiu de trabalhar com as novas condições de trabalho, o que provoca uma quebra nos rendimentos da empresa”, reconheceu.

Para além dos constrangimentos acima referidos pelo gestor, o Grupo Sanzel, assim como todas as empresas, tem tido dificuldades no acesso às divisas, assim como na disponibilização de visas para os produtores das máquinas fazerem as respectivas formações ou manutenções. De acordo com o mesmo, as taxas aduaneiras são muito elevadas para o produtor nacional, o mau fornecimento de luz eléctrica e de água continua a ser uma debilidade para os empresários nacionais.

Por fim, o empresário apelou ao Estado que faça uma reformulação das políticas, com o fim de reduzir os custos de produção dos produtos nacionais, para que se tornem mais competitivos, seja no mercado nacional como no internacional. “Relembro que, se tivermos preços mais competitivos, poderemos participar em concursos internacionais, começar a exportar os produtos e angariar divisas para o nosso sistema financeiro”, referiu.

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