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Júlio Abrantes

30/07/2015 - 17:48, + Mercado, Brunch with, Uncategorized

Com 32 anos, nasceu e cresceu na Rússia, onde foi criado pelos avós maternos até aos 11. O filho de pai angolano e mãe russa contou-nos o seu percurso.

Por Vânia Andrade | Fotografia Walter Fernandes

Júlio Abrantes sentiu-se honrado pelo convite para um brunch na esplanada do Hotel HCTA em Luanda, onde o chefe do departamento comercial de Novos Canais da ZAP conta como foi aprender a falar português, sozinho, com a ajuda de um dicionário dado pelo pai.
“Sou um homem de família, tenho um casal de filhos e orgulho–me de ser um pai presente no crescimento e desenvolvimento deles. Infelizmente, por ironia do destino, passei parte da minha infância longe do meu, o que me faz dar muito valor à constituição de uma família, adoro brincar com eles.”
Bastante sereno e calmo dentro de casa, Júlio diz não ser tímido, mas considera-se um low-profile. Gosta muito de matemática: “Quando fiz o meu curso nos Estados Unidos, fui o único angolano que terminou com honra.”
Passou a maior parte da sua infância na Rússia. Teve uma infância feliz, mas em 2005, com apenas 11 anos, optou por viver com o pai. “Sentia necessidade de estar ao lado dele e, de certa forma, tinha curiosidade em conhecer as minhas origens africanas e aproximar-me também da cultura angolana.”

Formação profissional
Fez o ensino primário numa das escolas russas perto de onde vivia, é licenciado em Gestão de Empresas pela Strayer University, nos EUA, tem uma pós-graduação no mesmo curso pela George Town University, que terminou em 2005, e veio para Angola enfrentar novos desafios a nível profissional. Tem como língua materna o russo, mas fala bem português e inglês.
“Foi uma boa experiência para mim como homem ter vindo para cá. Confesso que a adaptação não foi fácil, uma vez que o português é completamente distinto do russo, tanto na fala como na escrita, portanto, foi um desafio, mas fui atrevido o suficiente para aprender a língua portuguesa sozinho.”
“Por incrível que pareça, aprendi a falar português quando vim para Angola. Lembro-me de o meu pai me ter oferecido um dicionário e dizer-me ‘Olha, tens aqui um dicionário, agora tens de ir à luta’, e fui em frente.”
Quando regressou para Angola, começou a fazer parte de um projecto, o Banco BIC, de 2005 a 2009 aproximadamente. Na altura, o banco era apenas uma pequena agência onde estava toda a direcção e administração da instituição.
“Não existia o BIC que hoje tem agências em todo o País. Comecei por ser gestor e fui progredindo, tornando-me gerente de centro de empresas, mas depois cheguei à conclusão de que queria novos desafios e optei por ir para um novo ramo enfrentar novos desafios.”
“Portanto, de 2009 a 2010, passei a fazer parte de um novo projecto que hoje é a ZAP. Na altura, era um projecto com outro nome, era desconhecido, as pessoas não acreditavam na empresa e no projecto. Mas eu, como gosto de desafios, gosto de projectos novos, gosto de trabalhá-los e desenvolvê-los principalmente, e foi assim que começou.”
“Cada ano que foi passando, fomos melhorando, fortalecendo o projecto. Começámos a oferecer serviços, conteúdos em alta definição, que é uma inovação no mercado. Hoje em dia, já temos a Globo, que é um canal muito conhecido, mas, mesmo antes de ter conquistado a Globo, a ZAP já era uma referência no mercado.” Antes de entrar para a ZAP, teve a oportunidade de avaliar vários projectos, ou talvez de ter dado seguimento à sua carreira na banca, tendo chegado a receber alguns convites para trabalhar noutras instituições bancárias.
Na altura já estava decidido a mudar de ramo, nomeadamente da banca para as telecomunicações, porque acreditava que a banca era muito “copy and paste”.
“Mesmo que mudasse para outro banco, era capaz de continuar a fazer o mesmo trabalho que fazia no BIC, e eu já não tinha tanto interesse porque não havia muitos desafios, então agarrei a oportunidade de trabalhar para a ZAP, uma vez que foi o projecto que mais me aliciou na altura”, refere.
Diz que a experiência de trabalho que teve anteriormente ajudou-o bastante, primeiro porque a experiência conta muito, “as áreas comerciais, por exemplo, têm aspectos comuns”, a área comercial do BIC, por exemplo, vende produtos financeiros, e a da ZAP também vende serviços. “Por um lado, eu já tinha noção do mercado, e é extremamente importante conhecer o mercado para poder vender.” “Quando entrei para a ZAP, a empresa era bebé, estava no berço”, lembra-se de estarem em média cinco pessoas num escritório, era uma pequena sala, onde lá fizeram os primeiros trabalhos.
Foi assim que a instituição foi crescendo. Quando a ZAP começou a se tornar mais conhecida no mercado, quando começou a ter maior número clientes, e de lojas, fazia tudo o que tinha que ver com abertura de lojas, montar lojas, dar formações resistentes, recrutamento, tudo fazia parte deste processo.
Só quando a ZAP começou a ter algum volume no mercado, Júlio Abrantes foi nomeado responsável das lojas próprias, e depois chefe de departamento.
“Devo salientar que primeiro expandimos em Luanda e depois para outras províncias, estando neste momento no País inteiro. Ocupei este cargo por 5 anos e recentemente deram-me um novo desafio.”
Muito ambicioso profissionalmente, tem sempre metas para o futuro: “Ambiciono evoluir, dar passos sólidos e crescer, não somente eu, mas também as pessoas que estão na minha área.”
Tem o basquetebol como a sua grande paixão e adora comer um bom mufete de cacusso com feijão de óleo de palma.
“Nos meus tempos livres pratico desporto, aprecio muito a natureza, por isso saio da cidade de vez em quando, e vou para a Barra do Kwanza, Cacuaco, Caxito, junto dos meus amigos.”
Gosta de ir ao cinema e ver filmes reais, com acção, uma boa comédia, ler jornais e revistas.
Os seus destinos predilectos são Portugal, EUA, Dubai e a África do Sul.

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