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Nova linha corta importação de clínquer e poupa 54 milhões USD

14/07/2017 - 12:29, Business, Uncategorized

A Cimangola II vem atestar a autonomia na produção de cimento do País. São 2,4 milhões de toneladas de clínquer ao ano. Os números põem Angola a competir com os maiores produtores do mundo.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

A cimenteira angolana Nova Cimangola vai elevar o nível de produção anual de cimento para 2,4 milhões de toneladas, e reforçar a produção de clínquer, principal matéria-prima para a produção do composto, para 2 milhões de toneladas.

Os novos números surgem em função da inauguração, nesta quarta-feira, em Cacuaco, Luanda, de uma nova fábrica da cimenteira (a Nova Cimangola II), cuja primeira unidade foi inaugurada em 1950.

O projecto prevê o transporte do clínquer para as instalações da Nova Cimangola 1, operação irá permitir poupar cerca de 54 milhões USD por ano a todas as entidades envolvidas nesta actividade, dinheiro que tem sido empregado na importação do produto.

Com a inauguração desta linha de produção de clínquer, o País torna-seauto-suficiente nesta componente, o que já acontece com a produção de cimento, que, com a entrada em funcionamento desta fábrica, eleva a produção nacional anual de cimento de 7 para 8 milhões de toneladas.

A nova fábrica resulta de um investimento de 400 milhões USD e congrega, igualmente, uma central de geração de energia eléctrica, sala de comando, controlo centralizado e as restantes instalações do processo produtivo.

Numa visita às instalações, acompanhado por jornalistas, o presidente do conselho de administração da Nova Cimangola, Sindika Dokolo, disse que as modernas tecnologias instaladas “garantem eficiência energética e o controlo das emissões de gases”, assegurando, assim, o cumprimento dos padrões internacionalmente estabelecidos para protecção do ambiente.

Durante o processo de construção da fábrica, que durou 21 meses, foram envolvidos, na fase de maior intensidade, 700 trabalhadores.
Para a sua operação, a unidade conta com 250 novos funcionários, dos quais mais de 85% são de nacionalidade angolana. Espera-se que atinjam os 100% em breve.

Na ocasião, a ministra da Indústria, Bernarda Martins, reconheceu o crescimento da indústria cimenteira nacional e reforçou que o aumento da produção de clínquer vai alargar a produção de cimento de 7 milhões para 8 milhões de toneladas por ano.

“Estes números vão permitir abastecer o mercado, estando as nossas necessidades à volta dos 6 milhões por ano. Isso atesta os passos dados rumo às exportações, principalmente para os nossos vizinhos”, disse. “Por via do Corredor do Lobito, podemos fornecer, muito rapidamente, cimento à República Democrática do Congo e à Zâmbia”, disse a ministra.

A falta de capacidade instalada adiou, até ao momento, a produção em larga escala de clínquer no País, reconheceu Bernarda Martins, garantido que “a capacidade produtiva da Nova Cimangola 2 vai eliminar, totalmente, a importação de clínquer”.

Bernarda Martins disse, igualmente, que os níveis de produção de cimento em Angola “não tardarão a influenciar satisfatoriamente os preços do produto”.
“Até ao momento, a produção de clínquer em Angola não era suficiente para cobrir as necessidades de produção de cimento. Assim como a Cimangola, outras indústrias se confrontam com dificuldades na sua produção, dando, deste modo, margem para a importação deste produto. Mas, com a abertura deste projecto, já não vamos importar”, referiu.

Sindika Dokolo sublinhou que o projecto vai facilitar a concorrência com as melhores fábricas do mundo “abrindo uma perspectiva estratégica em relação ao mercado sub-regional”.

“A título de exemplo, começámos, na semana passada, com a primeira operação de exportação para os Camarões de um barco de clínquer”, revelou o gestor.

Com isso, o PCA acredita concorrer com os principais fornecedores do Golfo da Guiné ou outros países que “de modo conjuntural se encontram em sobreprodução.”

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