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O carro que se move… a energia solar!

Há 30 anos que os estudantes de Engenharia da Universidade de Stanford desenham, testam e fazem corridas com automóveis movidos com o brilho do sol.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia DR

Um automóvel movido a energia solar é uma inovação que, tão cedo, não fará parte do nosso quotidiano, mas há quem trabalhe intensamente para que se torne uma realidade no futuro. Como um grupo de estudantes de Engenharia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que, desde 1986, há quase 30 anos, se dedica a desenhar, testar e até correr com carros que recebem a sua energia da luz do sol.
O mais recente protótipo idealizado pelos alunos que integram o Stanford Solar Car Project chama-se Arctan e está a ser testado debaixo do sol escaldante do deserto australiano. Ali terá a sua estreia oficial no World Solar Challenge, corrida que se realiza de dois em dois anos e que leva até à Austrália inventores de todos os lados do globo para uma competição destinada exclusivamente a veículos movidos a energia solar. A prova deste ano, a 13.ª desde a corrida inaugural de 1987, realiza-se entre 18 e 25 de Outubro, com partida em Darwin, cidade costeira do norte da Austrália, e meta em Adelaide, no sul do país, numa distância de 3200 quilómetros. O Arctan dos alunos de Stanford é um dos 42 veículos inscritos, em representação de 25 países dos cinco continentes.
A equipa de Stanford persegue um feito que nunca alcançou nas 12 edições prévias da corrida: um lugar no pódio. O Arctan vai tentar superar o protótipo anterior, o Luminos, até agora o mais bem-sucedido carro saído de Stanford. Apesar do quarto lugar obtido na edição de 2013 do World Solar Challenge, o Luminos fez dos norte-americanos a melhor equipa de estudantes do mundo. Desde então, o Lumina já percorreu mais de 15 mil quilómetros e continua a ser utilizado como veículo de testes e de treino para novos membros da equipa.
Formar “engenheiros sustentáveis” é, como afirma Rachel Abril, membro da equipa mecânica, o grande objectivo do Stanford Solar Car Project. O Arctan, tal como os automóveis anteriores, é feito de fibra de carbono e alumínio, materiais leves que permitem velocidades à volta dos 90 quilómetros por hora. O recorde da prova australiana foi alcançado na edição de 2005, quando o veículo da equipa holandesa Nuon atingiu os 102 quilómetros/hora.
Para além da leveza do material, há outro aspecto essencial à velocidade do carro: a aerodinâmica. As formas do automóvel têm de permitir o ganho máximo de energia, até porque a alimentação é feita por uma única bateria com a potência de uma vulgar torradeira. E torrar é, aliás, o que acontece invariavelmente aos condutores destes veículos. “Conduzir um carro destes é uma experiência muito quente e muito suada”, refere Rachel Abril. O habitáculo, com tamanho à justa para um ocupante, tem apenas uma pequena entrada de ar, de modo a reduzir ao mínimo a perda de energia. “Mesmo no deserto da Austrália, está mais calor dentro do carro do que fora dele”, acrescenta a estudante, admitindo que as grandes limitações do veículo são a lentidão com que acelera e trava.
Um carro deste tipo dificilmente chegará às estradas mundiais. É demasiado frágil para sobreviver a um choque com outro automóvel e, nos testes, corre sempre acompanhado por uma equipa de emergência para o caso de haver um acidente. Mas o que o vale é, neste caso, a intenção: contribuir, de forma criativa, para tornar o nosso planeta mais sustentável.

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