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Quando os CEO ficam perdidos na tradução – Anshu Jain

30/07/2015 - 18:09, Banca, Banca, Uncategorized

Anshu Jain – Ex-CEO do Deutsche Bank

Ao enfrentar milhares de investidores do Deutsche Bank, Anshu Jain sabia que havia muito em jogo no discurso que iria fazer na reunião anual do maior banco da Alemanha. “Neste dia, cada palavra é importante”, afirmou Jain em alemão, durante a reunião de Maio. Por esse motivo, disse que prosseguiria na sua língua materna. Nascido na Índia e naturalizado britânico, Jain fez o resto da sua apresentação de 2 mil palavras em inglês. Menos de três semanas depois, Jain pediu a demissão do cargo de co-CEO após perder a confiança dos investidores. Brady Dougan, um norte-americano que sentiu dificuldades com o alemão durante os oito anos em que dirigiu o Credit Suisse, saiu do banco com sede em Zurique no final de Junho.
Embora a incapacidade de Jain e Dougan para dominar o alemão não tenha custado os seus empregos, tal foi alvo de críticas nos países que os receberam e privou os CEO de uma ferramenta valiosa para estabelecer uma ligação comaccionistas, clientes e colegas locais. Numa época em que os controlos fronteiriços desapareceram em grande parte da Europa, o idioma continua a ser uma barreira.
“Os seus clientes precisam entendê-lo, e os clientes da Alemanha falam alemão”, disse Kerstin Altendorf, porta-voz da Associação de Bancos Alemães, com sede em Berlim. Embora muitas multinacionais com sede na Europa – como Airbus, Daimler e SAP – tenham adoptado o inglês como idioma empresarial, falar só inglês não é suficiente.
Sendo a face pública de uma empresa, os CEO costumam reflectir a cultura local, inclusive o idioma, o que é importante numa época em que o crescente predomínio do inglês pode criar ressentimentos em casa. Isto ajuda a explicar porque os CEO que não sabem falar o idioma local são raros, mesmo nas empresas multinacionais da Europa.
Na Suíça, país que não faz parte da UE e cujos idiomas oficiais são alemão, francês e italiano, espera-se que os executivos falem pelo menos dois deles, além de inglês. Paul Bulcke, o belga que é CEO da Nestlé, fala com fluência holandês, alemão, francês, espanhol e português, de acordo com o site da empresa. Dougan disse recentemente que se arrepende de não ter aprendido mais alemão. “Falo um pouco de francês e de japonês, e acho que tenho talento para línguas, mas estava demasiado ocupado”, disse ao jornal financeiro suíço Finanz und Wirtschaft.
O sucessor de Jain, John Cryan, é um cidadão britânico que, de acordo comoscolegas, fala bem alemão. O sucessor de Dougan, Tidjane Thiam, que nasceu na Côte d’Ivoire e é também cidadão francês, estudou alemão no colégio da sua terra natal.
“Como vocês devem ter percebido, o meu alemão está um pouco enferrujado”, disse Thiam durante uma entrevista colectiva no dia em que foi nomeado CEO. “Vou usar os próximos meses para aprimorá-lo.”

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