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Research Atlântico: Mercado das Commodities em Março

17/04/2017 - 11:48, Commodities, Markets, Uncategorized

O preço das commodities energéticas e não-energéticas durante o mês de Março registou no geral uma contracção face ao mês anterior.

Os mercados de commodities ajudam a garantir alguma estabilidade em termos de preços, principalmente através de contractos de futuros. O preço das commodities energéticas e não-energéticas durante o mês de Março registou no geral uma contracção face ao mês anterior.

Os preços estavam sob pressão na primeira metade do mês, com os investidores expectantes com a possibilidade de mais um aumento da taxa de juro de referência por parte dos Estados Unidos da América, sendo que a pressão intensificou especialmente no período que antecedeu a reunião da Reserva Federal dos EUA (Fed).

No grupo das commodities energéticas, o preço do petróleo registou o maior declínio desde Novembro de 2016, devido ao excesso de oferta persistente por parte dos Estados Unidos da América, tendo o preço médio do crude reduzido durante o mês de Março em cerca 6,3%.

Entretanto, o gás natural e o carvão registaram ganhos e perdas entre as regiões, tendo o gás natural aumentado 1,9% nos EUA devido ao clima mais frio do que a média durante o meado do mês em análise, mas recuado 14,5% na Europa.

No grupo dos produtos não-energéticos, o maior declínio ocorreu nos preços dos produtos agrícolas que reduziu 2,3%, impulsionado por expectativas de maiores suprimentos de soja, milho, trigo e açúcar da América do Sul. O preço do açúcar, soja e óleo de palma reduziu 10,9%, 5,2% e 4,9%, respectivamente. Há expectativa de que a produção do Brasil de milho e soja poderão atingir máximos históricos durante o ano corrente, com crescimento de 36% e 12%, respectivamente, em relação ao ano anterior. No entanto, em Março, a produção de açúcar também se traduziu em preços baixos.

Os preços dos metais-base reduziram 0,6% quando as preocupações no que concerne ao fornecimento desapareceram, depois dos trabalhadores retomarem às operações nas duas maiores minas de cobre do mundo, a mina Escondida no Chile e a mina Grasberg na Indonésia, após um acordo entre o governo e a companhia Freeport McMoRan. Ao mesmo tempo, o stock de cobre no sistema de armazém da LME aumentou 44% durante o mês. O preço do níquel reduziu 4,1%, representando a maior queda no grupo dos metais-base, pressionado pelas expectativas de maior aumentos na oferta da Indonésia depois do governo ter concedido algumas licenças de exportação em Janeiro. No entanto, a expansão das actividades de fabricação na China, que apesar de ter registado um ritmo mais lento, o PMI de fabricação manteve-se acima dos 50 pontos, situando-se em 51,2 pontos durante o terceiro mês do ano, contribui para travar a queda preço. Além disso, apesar das medidas de aperto do governo, segundo dados avançados pelo Bureau Nacional de Estatísticas da China, o preço da habitação aumentou em 56 das maiores cidades em Fevereiro, em comparação ao aumento em 45 cidades verificados em Janeiro.

Os preços dos metais preciosos reduziram no início do mês, mas recuperaram-se na segunda metade, devido a incerteza em relação a capacidade da nova administração norte-americana de implementar políticas que estimulem o crescimento, principalmente, após o Congresso não ter aprovado a reforma na saúde proposta por Donald Trump em detrimento do Obamacare.

O preço do ouro diminuiu 0,2% em média, devido ao período que antecedeu a reunião da Reserva Federal que traduziu-se em um aumento da taxa de juro para a faixa dos 0,75% a 1%. A prata, por sua vez, reduziu em aproximadamente 1,7%.

As actuais pressões geopolíticas entre os Estados Unidos da América e alguns países, alinhado a recente declaração do presidente norte-americano afirmando que o dólar está a ficar forte demais e que prefere quea Reserva Federal mantenha as taxas de juro baixa, poderá levar os investidores a optarem por activos mais seguros.

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