Mercado

Rolf Mendelsohn: “Este ano, o nosso foco está nas pequenas e médias empresas”

22/05/2017 - 09:07, Tecnologia, Uncategorized

As pequenas e médias empresas (PME) representam, actualmente, cerca de 20% dos clientes da ITA, mas, este ano, este sector vai ser a grande aposta de crescimento, revela o CEOda provedora de serviços de Internet.

Por Líria Jerusa e Ricardo David Lopes | Fotografia Carlos Muyenga 

Há 12 anos que estão no mercado angolano. Quais foram os desafios iniciais que a ITA enfrentou no País?

Os desafios iniciais foram muitos: primeiro, houve a questão da língua e da própria cultura angolana.Montar a nossa rede também se revelou outro grande desafio, porque, na altura, tínhamos muitos problemas de energia eléctrica e de infra-estruturas.

De então para cá, o mercado de telecomunicações mudou muito. Como o avalia hoje?

O mercado amadureceu bastante. Hoje, os serviços são mais rápidos, mais fiáveis, há mais oferta. Diria que o consumidor está mais bem servido.

Há muita concorrência?

Sim. Há, actualmente, mais de 10 provedores de serviços de Internetem Angola. O mercado angolano é bastante competitivo.

E a concorrência é leal?

Sim, é uma concorrência leal.

Que balanço faz da vossa actividade em 2016?

Foi um ano muito desafiante, não só para ITA, mas também para várias empresas em Angola, acredito eu. Tivemos o problema das divisas, com reflexo nas importações, e o abrandamento económico que gerou atrasos nos pagamentos, mas conseguimos sobreviver e crescer. Montámos a nossa delegação no Huambo, expandimos a rede, criámos o primeiro backbone de energia renovável, daqui [de Luanda] para Benguela. Portanto, acho que, dentro das circunstâncias, estivemos bem.

O negócio não caiu?

Não. Crescemos 5% a nível da facturação, em 2016.

Como foram afectados pelo problema das divisas?

Tivemos de fazer muitas ‘manobras’ para manter a nossa rede estável. Para importar matérias-primas, tivemos de estabelecer prioridades, criar vários planos e desenvolver uma série de ideias para não falharmos.

O vosso plano para 2016 teve de ser alterado por causa disso ou conseguiram fazer tudo quanto queriam na mesma?

Fizemos tudo quanto estava planeado, mas de forma mais lenta.

Quais são as perspectivas para este ano?

Este ano, estamos a investir numa rede de fibra óptica em Cabinda e a ampliar a nossa cobertura a nível nacional no Namibe, em Cabinda, no Soyo e no Bié (Cuíto).Também estamos a focar-nos em oferecer serviços na cloud, nomeadamente, hospedagem de páginas, servidores de correio e outras aplicações.

Desde que estão em Angola, quanto já investiram?

Não sei dizer o total, mas, em 2015, o nosso investimento rondou os 12 milhões USD.

E já há algum retorno deste investimento?

Já houve retorno a nível de sinergias de clientes e colaboradores. Estamos a conseguir servir melhor o mercado e temos agora um network operations center[acrónimo de NOC, em português, centro de operação de redes) que opera 24/7 com equipamento topo de gama.Neste sentido, beneficiámos dos investimentos.

Que cobertura tem a vossa rede, actualmente?

Servimos todo o País, incluindo o interior, através da tecnologia satélite, mas já temos tecnologia wireless e fibra óptica em cinco províncias: Luanda, Benguela, Huíla, Huambo e Namibe.Como disse, este ano vamos crescer em Cabinda, Huambo, Bié e Namibe.

Quantos clientes tem a ITA ?

Temos cerca de 500 empresas. Estamos focados no mercado corporativo, ou seja, quase todos os nossos clientes são empresas, mas também temos algumas fazendas.

Não pensam em entrar no mercado residencial?

Não, porque seria difícil servir os dois mercados muito bem. Entrar no residencial iria desviar-nos do nosso foco principal e isso poderia afectar o nível de serviço que oferecemos aos nossos clientes actuais.

Também trabalham com universidades?

Sim, algumas. Temos uma gama de clientes muito diversificada, da banca a empresas públicas, passando pelo próprio Governo, organizações não-governamentais, companhias estrangeiras, fazendas, administrações municipais…

Se já cobrem o território via satélite, por que se decidiram a apostar na rede de fibra óptica?

A tecnologia satélite é muito boa a nível de cobertura e só tem um ponto de falha – que é o próprio satélite –, mas tem a desvantagem dos custos, que são muito mais elevados face à fibra, e da velocidade. A fibra oferece um serviço muito mais rápido e a menores custos.

Estão a convidar clientes actuais a passarem para a fibra?

Sim, estamos a fazê-lo.

E baixam os preços?

Sim. Baixamos os preços e aumentamos a largura de banda.

Em termos de concorrência, como é que Angola compara com outros países da África Austral?

Estamos no meio da tabela em termos de preços e de competitividade do sector.

O que seria preciso acontecer para que os preços da Internet em Angola baixassem?

Seria necessário haver melhores infra-estruturas e energia mais estável, porque este é o maior custo suportado pelos operadores.

Trabalham só com grandes empresas ou já têm oferta para as pequenas e médias empresas (PME)?

Temos serviços para as PME e, aliás, estamos a investir e a trabalhar muito nesse sector.

Temos o serviço MAXNET, com uma oferta variada, com carregamentos que podem ser feitos por multicaixa ou transferência bancária.

O custo mínimo é de 13 mil Kz por mês. Achamos muito competitivo.

Qual o peso das PME na vossa carteira de clientes?

Actualmente, cerca de 20%. O serviço para as PME é uma aposta recente…

Sim, mas já temos este serviço lançado e estamos a apostar muito nele, porque entendemos que o sector das PME é muito importante para a economia. A economia angolana precisa de mais empresas, e nós queremos ajudá-las a terem bons serviços.

Não ponderam a hipótese de entrar noutros mercados dentro do sector das telecom?

Já oferecemos outros serviços, nomeadamente, voz fixa, temos alguns clientes na área de cloud e clientes no nosso data center.Acreditamos que são áreas que vão crescer muito nos próximos anos e que temos os serviços mais fiáveis e com custos menores do mercado.No nosso data center, temos uma elevada redundância, com 36 bastidores.Estamos equipados com duas fontes de energia, temos 25 toneladas de baterias e uma série de equipamentos para monitorizar e detectar qualquer problema que surja antes que afecte o cliente.

Em que medida a ITA é melhor do que a concorrência?

Principalmente, a nível do serviço, no qual estamos tão focados. Monitorizamos as ligações dos clientes 24h/24h. Temos equipas vocacionadas para as províncias, que estão mais próximas dos clientes, e temos o NOC, que trabalha 24/7 e faz o planeamento, área a área, para o recurso a satélite, fibra óptica ou wireless.

Em termos de clientes, em 2016, cresceram quanto?

Ficámos na mesma… conseguimos não baixar.

E há uma meta de crescimento para este ano?

Sim, pretendemos crescer em, pelo menos, 20% no número de clientes.

E qual é o foco? Grandes empresas ou PME?

O nosso foco está nas PME.

No ano passado, previam ficarindependentes do combustível, investindo em energias renováveis. Qual é o ponto da situação deste projecto?

Ainda não estamos independentes, infelizmente, mas investimos na nossa rede para Benguela e já temos 10 torres.As estações são sustentadas apenas por energia solar e temos 16 baterias.

Qual foi o investimento?

No projecto Luanda-Benguela, investimos perto de 800 mil USD.

Como avalia as políticas públicas na área das telecom?

O Governo tem várias políticas para a diversificação deste sector, a nível da concorrência e da cobertura.A oferta tem aumentado bastante em termos de capacidade, com melhores preços. Se repararmos, em 2016 quase todos os produtos sofreram um nível de inflação muito alto, mas isso não se verificou na Internet, por exemplo. Mas os custos subiram.

Perderam margem para ‘segurar’ os preços?

Sim.

E este ano, pretendem subir os preços ou vão manter?

Não tenho certeza…

Os custos operacionais aumentaram em que percentagem?

Os custos operacionais aumentaram, principalmente, por causa dos combustíveis. Os custos com gasóleo subiram cerca de 80%, mas, em média, não sei dizer qual o aumento dos custos operacionais.

A vossa operação é rentável?

A nossa operação é rentável. Conseguimos não ter prejuízo em 2016..

Têm quantos colaboradores?

Cerca de 180. Grande parte está concentrada em Luanda, mas temos também noutras províncias.

Este ano vão contratar mais pessoas ?

Vamos ver….

Apostam muito na formação dos colaboradores?

Sim, fazemos várias formações internas e também mandamos o nosso pessoal para fora. Por vezes, trazemos cá os nossos fornecedores, para darem formação.

Qual o peso dos trabalhadores nacionais no total?

Cerca de 93% são angolanos.

Nas áreas mais técnicas, a mão-de-obra é também nacional?

Há uma mistura entre nacionais e estrangeiros. Há cá muitos bons peritos a nível de energia e telecomunicações.

Vão às universidades procurar talentos?

Sim. Também pesquisamos junto dos nossos colaboradores pessoas que queiram trabalhar e estejam aptas para tal.

Como é a vossa política de responsabilidade social?

Temos um torneio de golfe, o “Golfe Solidário”. No ano passado, mesmo com a crise, conseguimos arrecadar cerca de cinco milhões Kz.

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