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Activos da banca angolana continuam com risco elevado

14/09/2017 - 15:37, Banca

A agência de rating Moody’s considera positiva a criação, em 2016, da Recredit, veículo financeiro destinado a comprar os créditos malparados da banca nacional, mas avisa de que há ainda muito por fazer pela saúde do sector bancário em Angola.

A análise faz parte de uma nota divulgada no mês passado pela agência sediada em Nova Iorque, que diz que os activos da banca angolana continuam sob risco elevado.

“Esperamos que o risco dos activos se mantenha elevado em Angola, devido à redução da despesa pública e aos significativos atrasos nos pagamentos do Estado no seguimento da descida das receitas petrolíferas, a maior fonte de rendimento do Governo”, escrevem os analistas de serviço da Moody’s, Akintunde Majekodunmi e Constantinos Kypreos.

Na nota enviada aos investidores, a agência frisa que os riscos de desvalorização do kwanza continuam a prejudicar o desempenho dos bancos, cuja exposição a moeda estrangeira vale 30% dos activos.

“O risco de uma nova desvalorização da moeda local continua a ameaçar o desempenho dos bancos que emprestaram dinheiro em moeda estrangeira, que representa 30% do total dos empréstimos em Maio”, escreve a Moody’s.

A criação do Recredit é, no entanto, vista como um passo positivo no sentido da normalização do sector no País, embora o seu alcance seja “moderado”, referem os analistas.

A sociedade anónima de capitais públicos Recredit foi criada em 2016 e é detida a 100% pelo Ministério das Finanças, tendo inicialmente como objectivo a absorção do crédito malparado do Banco de Poupança e Crédito (BPC).

A missão do Recredit foi, no entanto, alargada a toda a banca nacional por decisão do Presidente José Eduardo dos Santos, em Dezembro último.

Outra medida que a Moody’s considera positiva foi o anúncio, em Julho, da emissão de 950 milhões USD de dívida pública em moeda nacional para financiar nova compra do crédito malparado na banca, elevando assim a factura da operação, desde Dezembro, a mais de 2 mil milhões USD, já que, no final do ano passado, tinha sido feita outra emissão de dívida pública a favor da Recredit, no valor de 231.127 milhões Kz (1.450 milhões USD), especificamente para a compra de crédito malparado no BPC.

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