Mercado

Aguinaldo Jaime aponta vantagens no capítulo da formação

09/10/2017 - 10:15, Banca, Banca, featured

Serão priorizadas acções de formação em matéria de resseguro, de uma forma geral, e resseguro de aviação e de petroquímica, de forma particular.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

O actual administrador e vice-presidente da Africa Re, organização continental de resseguro para a qual foi eleito recentemente, frisa, em entrevista ao Mercado, que durante o seu mandato será dada maior atenção à questão da formação especializada, sobretudo em matéria de resseguro.

Aguinaldo Jaime considera que, sendo praticamente inexistentes as ofertas formativas especializadas em matéria de resseguro, de uma forma geral, e resseguro de aviação e de petroquímica, em particular, os quadros angolanos terão muito a ganhar com os programas de formação, na modalidade de cursos, seminários ou palestras, a serem promovidos pela Africa Re.

Destaca que a Africa Re possui programas de formação e capacitação, concebidos tendo em conta as particularidades dos mercados africanos de seguro e resseguro, sem perder de vista o facto de a indústria de resseguro ser global.

Como frisa o também presidente da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), estas acções de capacity building tornarão os mercados mais eficientes, competitivos e sólidos para uma visão de futuro.

Aguinaldo Jaime faz menção, por exemplo, aos estudos comparados dos mercados internacionais de resseguro e aos boletins que contêm a divulgação dos melhores princípios e práticas de resseguro, que a Africa Re publica, periodicamente, que são uma mais-valia.
“Os documentos são extremamente úteis como material de consulta permanente, não apenas para os membros da direcção, mas também para o corpo técnico dos reguladores e operadores dos mercados africanos de resseguro”, considera.

Estímulo

Para Aguinaldo Jaime, que já ocupou o cargo de ministro das Finanças, a eleição para tão importante cargo constitui um poderoso estímulo para os quadros mais jovens.

Esclarece que o facto demonstra que as oportunidades não se confinam apenas ao mercado nacional, daí a importância do domínio de idiomas como o inglês e o francês.

Quanto às linhas de força do seu mandato, o entrevistado explica que, nesta altura, se encontra num processo de consultas com representantes do Executivo, do regulador e operadores do mercado de seguros e resseguro de cada um dos países para apurar as suas principais preocupações e sugestões.
Eleito na reunião anual da Africa Re, realizada em de Junho último, em Abidjan, Côte d’Ivoire, em representação da África Austral, Oriental e do Sudão, o responsável angolano diz que os contactos têm sido realizados mesmo sem sair de Luanda, com recurso às tecnologias de informação e de comunicação.
Ressalta que apenas no fim deste processo, que deverá prolongar-se durante a primeira quinzena do corrente mês, saberá o que cada um dos países espera de si enquanto representante da África Re.

Mesmo não tendo traçado, todavia, as linhas que vão desafiar o seu mandato, revela que o seu trabalho já se faz sentir.

Como exemplo, Aguinaldo Jaime explica que, recentemente, determinada companhia nacional solicitou a sua intervenção para convencer a Africa Re no sentido de permitir que o kwanza, em vez do dólar americano, seja a moeda de referência nos tratados de resseguro celebrados entre as partes.
“É uma forma de mitigar o risco cambial no presente quadro, marcado por alguma pressão da moeda no mercado de câmbios”, acrescenta.

Harmonização

Em relação aos demais países africanos, e Angola não foge à regra, o antigo governador do BNA refere que será a interface entre os mercados de seguro e resseguro de cada um dos países que representa, por um lado, e a África Re, por outro, na busca da harmonização possível entre os interesses de uns e de outros.

“Não é a primeira vez que presto serviços para uma organização internacional e sei, por experiência própria, que, às vezes, pode haver interesses conflituantes”, alerta o administrador.

Aguinaldo Jaime nota ainda que há, de uma parte, a necessidade de a organização continental observar padrões de excelência e rigor, porquanto opera num ambiente de concorrência internacional feroz e tudo faz para conservar o seu rating internacional.

No seu ponto de vista, com a aplicação dos padrões desejados e que se impõem para o desenvolvimento dos mercados de seguro e resseguro, será possível oferecer aos países-membros produtos e serviços de elevada qualidade e a um preço competitivo.

Por fim, destaca Aguinaldo Jaime, no decorrer do seu mandato pretende trabalhar no estabelecimento de pontes e na busca de consensos, na medida em que os países-membros da Africa Re ambicionam uma organização que atenda às suas necessidades.

“Estamos a falar de inquietações próprias de países que vivem num quadro de crise económica, financeira e social e, em alguns casos, também política, que estão atentos e à espera de respostas concretas dos seus problemas”, finaliza Aguinaldo Jaime.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.