Mercado

Especialista defende adopção de mais seguros obrigatórios

28/12/2017 - 09:51, featured, Seguros

Em 2018, perspectiva-se um universo de mais cinco novas seguradoras para o mercado, e Pascoal Diogo alerta o regulador no sentido de ser mais proactivo.

Por Estêvão Martins
estevão.martins@mediarumo.co.ao

O mercado segurador nacional é bastante jovem, precisa de amadurecer, o que significa a adopção de mais seguros obrigatórios, defende Pascoal Diogo.

Além dos três seguros obrigatórios existentes, nomeadamente automóvel, seguro de aviação e o seguro de acidentes de trabalho e doenças profissionais, o especialista diz que urge a criação de regulação própria e a consciencialização e educação da população sobre a importância dos seguros.
Com mais de 15 anos de experiência no sector, e com passagem por diferentes companhias nacionais, o entrevistado diz que esta simbiose deve estar interligada com o nível social dos angolanos.

“Precisamos de criar um ambiente propício para tal. Estamos a falar de melhores instituições de ensino, melhores zonas urbanas, empresas fortes, com mais negócios e mais financiamentos à economia, uma agricultura forte, entre outros”, disse.

Para Pascoal Diogo, a actividade seguradora é muito dependente da estabilização social de um país. Explica, no entanto, que, caso haja níveis altos de inflação, baixos salários, poder aquisitivo desfavorável ou um ambiente de negócio também adverso para as empresas, é impossível termos um mercado segurador equilibrado e amadurecido.

Perspectiva

Em relação a 2018, o especialista perspectiva um universo de mais cinco novas seguradoras para o mercado. Por outro lado, alerta, a ARSEG – Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros – tem de capacitar constantemente os seus quadros e agir como uma entidade supervisora moderna e mais actuante, com meios tecnológicos modernos, à luz dos mercados mais maduros, para benefício da indústria seguradora angolana. Pascoal Diogo considera, entretanto, que os governantes e gestores têm de ganhar mais cultura de seguros e  implementar  mecanismos  mais  fortes de actuação no sentido da inversão da fraca aposta nos seguros. Segundo nota, não se admite, nos dias de hoje, termos no País entidades públicas e privadas em que até mesmo os seguros obrigatórios, como o automóvel e o de acidentes de trabalho, e o mais recomendável para os seus trabalhadores (seguro de saúde), são ignorados pelo patronato. “Temos de confiar mais na actividade seguradora, porque a transferência dos riscos para as companhias serve de alívio para as empresas e particulares, bem como para a redução de custos de orçamento”, adverte.

Na sua análise, as seguradoras têm de estreitar mais os laços entre si no que toca a negócios de co-seguro, acreditar mais na capacidade local de partilha de riscos, contando com a experiência do capital humano mais tarimbado e calejado do sector.

A ASAN – Associação de Seguradoras Angolanas, acrescenta, por força da sua existência, precisa de rever os pressupostos de inscrição para acoplar as demais companhias que ainda não se encontram inscritas na associação. Como refere, a organização necessita também de actuar de forma mais proactiva e moderna, tendo como exemplo outros mercados mais estruturados.

Carência na formação

O mercado carece de quadros e especialistas do sector segurador. Na qualidade de formador, Pascoal Diogo sugere que todos os intervenientes do mercado têm de multiplicar os esforços no sentido da capacitação dos quadros do sector.

Afirma que a ASAN e a Academia de Seguros e Fundo de Pensões (ASFP), em parceria com outros mercados mais maduros, têm apostado na formação constante e especializada, mas este esforço, avança, é ainda insuficiente comparando com a do pessoal versus satisfação dos clientes.

“Precisamos de contribuir todos para o aumento da literacia financeira no País. Mais ainda porque o benefício não é apenas para quem trabalha no sector, mas fundamentalmente para a população, de forma global, governantes, gestores públicos e privados”, assinala.

Estes últimos, pontualiza Pascoal Diogo, à luz de diversas exposições e alegações, acabam por não providenciar seguros para os seus colaboradores, como uma questão de capricho. O mais grave nisso, de acordo com o especialista, é que este tipo de atitude acaba por encarecer os custos orçamentais, em vez da transferência dos riscos e custos para as companhias.

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