Mercado

Sistema financeiro teve um “reforço significativo” em 2016

23/10/2017 - 10:57, Banca

José Barata, sócio e líder do sector financeiro da Deloitte em Angola, esclarece sobre o estudo ‘Banca em Análise’, lançado nesta semana.

Por Nilza Rodrigues

Quais as principais conclusões da edição do ‘Banca em Análise’ deste ano?

A 12.ª edição do estudo ‘Banca em Análise’ destaca um conjunto de acontecimentos que marcaram de forma indelével a actividade bancária em Angola durante 2016, nomeadamente a adopção plena das Normas Internacionais de Contabilidade e de Relato Financeiro (IAS/IFRS) e a fusão do Banco Privado Atlântico (BPA) com o Banco Millennium Angola (BMA). O estudo também destaca a trajectória positiva do sector bancário, consubstanciada na melhoria de uma parte significativa dos indicadores e rácios de relevo para o sector. Tais indicadores incluem o aumento significativo do valor dos depósitos de clientes ou o aumento da utilização de meios electrónicos de pagamento, destacando-se um aumento de cerca de 40% das transacções em TPA (Terminal de Pagamento Automático), fruto do aumento da literacia financeira da população. Adicionalmente, para os bancos analisados neste estudo, importa ainda referir o aumento global da margem financeira e dos resultados líquidos do exercício.

Alguma inovação em termos de metodologia ou de novidade?

Tal como referi, existem dois acontecimentos que tiveram impacto em termos de metodologia e nas bases de preparação do nosso estudo, nomeadamente a adopção plena das IAS/IFRS, uma vez que tivemos de ter em consideração a comparação entre dois referenciais contabilísticos diferentes (CONTIF e CONTIF Ajustado), com as consequentes limitações associadas, bem como o processo de fusão do BPA com o BMA, que originou o Banco Millennium Atlântico, uma vez que os dados financeiros apresentados referentes ao exercício de 2016 já reflectem a referida fusão e, em virtude deste facto, não são directamente comparáveis com os dados financeiros referentes ao exercício de 2015. Não obstante estas limitações, foi seguida a metodologia utilizada nos estudos apresentados nos anos anteriores.

Na última edição, a banca mostrou-se resiliente face ao contexto económico. Essa resiliência mantém-se?

Na nossa opinião, o sector bancário angolano, durante 2016, demonstrou igualmente um elevado grau de resiliência, porque, apesar da conjuntura económica adversa materializada nos níveis historicamente baixos da cotação do petróleo nos mercados internacionais, conseguiu alcançar um desempenho positivo, sendo de destacar o reforço dos fundos próprios dos bancos, que registaram um aumento de cerca de 25% face a 2015, o que revela um significativo reforço da solidez do sistema financeiro angolano.

As fusões, tidas como o futuro pelo presidente do BCE, serão também uma tendência em Angola?

O processo de consolidação da banca em Angola teve início durante em 2016, com a já referida fusão entre o BPA e o BMA, sendo que existiam algumas expectativas no mercado sobre outras operações de fusão relevantes que estariam em curso, mas que não vieram a verificar-se. Não obstante, e face quer aos desafios económico-financeiros com que o País tem vindo a defrontar-se, quer face ao aumento significativo de exigência e complexidade em matéria de regulação e de supervisão bancária emanada pelo Banco Nacional de Angola, nomeadamente ao nível dos requisitos prudenciais, processos de compliance, prevenção do branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo, que têm vindo a exigir um elevado esforço, tanto a nível financeira, como a nível dos próprios recursos humanos dos bancos, é provável que estas situações conduzam a um incremento nos movimentos de consolidação do sector bancário no futuro próximo.

Que feedback têm tido do estudo ao longo destas edições?

O estudo ‘Banca em Análise’ já vai na sua 12.ª edição, o que representa um marco significativo da actividade da Deloitte em Angola, sendo que o mesmo tem vindo a acompanhar o progresso e o amadurecimento deste sector tão importante para o desenvolvimento económico do País. Adicionalmente, este estudo tem vindo a ser muito bem acolhido pelo sistema financeiro e público em geral, porque apresenta dados financeiros dos bancos a operar em Angola de forma sistematizada e precisa, uma selecção dos principais rácios e indicadores do sistema financeiro e entrevistas com líderes das instituições financeiras e organismos representativos do sector, que partilham as suas expectativas e desafios para o futuro da indústria e das entidades que lideram. Este feedback tem sido e continuará a ser um estímulo muito importante para o contínuo desenvolvimento desta iniciativa, confirmando a Deloitte como um parceiro de referência do sector bancário em Angola. Finalmente, é nossa opinião que este estudo também tem vindo a contribuir para uma melhoria dos níveis de educação financeira e conhecimento do sistema financeiro por parte da sociedade.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.