Mercado

Angola Recicla deslocaliza unidades para o Congo-Brazzaville

27/02/2018 - 09:08, Business, featured

Empresa de reciclagem tenta assim ‘fugir’ às dificuldades que tem enfrentado em Angola.

Por Edjaíl dos Santos

edjail.santos@mediarumo.co.ao

A Angola Recicla, empresa do grupo Global Manutenção e Serviços Técnicos, vai deslocar duas unidades fabris de reciclagem de metal e papelão localizadas na Zona Económica Especial (ZEE), em Viana, Luanda, para o Congo-Brazzaville, revela a directora executiva da firma, Patrícia Marques, acrescentando que a decisão surge após um convite das autoridades congolesas, que garantiram melhores condições do que em Angola.

“Tivemos a presença de várias autoridades de países africanos na inauguração da nossa fábrica, em Junho de 2017, com destaque para Marrocos e os dois Congos, e na ocasião convidaram-nos a investir nos seus territórios. Face às dificuldades que Angola atravessa, decidimos aceitar o convite do Congo-Brazzaville para diversificar os mercados”, explica.

A responsável adianta que, neste momento, estão a ser desactivadas as unidades fabris da zona industrial de Viana, para os equipamentos serem contentorizados e enviados para o país vizinho, sendo que está também a ser equacionada a entrada na República Democrática do Congo(RDC). “Apesar da instabilidade na RDC, estamos também a estudar se arriscamos ou não instalar-nos lá, porque ter as fábricas paradas em Angola é um crime”, afirma. Patrícia Marques defende que o Estado tem de compreender que um empresário ou investidor que não viva à base de subsídios do Governo tanto “pode investir aqui como em outra parte do mundo”, uma vez que a permanência  dos  investimentos  tem muito que ver com as condições e facilidades que as empresas encontram onde investem.

“Questões como a cedência de espaços para investimentos industriais, a burocracia e a forma de actuação das autoridades tributárias, nos últimos tempos, não ajudam. Por exemplo, aqui em Viana, na ZEE, paga-se uma taxa de condomínio e 60 meses de direito de superfície que totalizam mais de 2 milhões Kz mensais, o que é com pletamente inviável”, reclama a empresária. A responsável garante que é “inviável fazer mais aquisição de terrenos, porque são caros, custando mais do que as unidades industriais”. “Todos sabemos da especulação na venda de espaços, sendo incomportável esse investimento. Pedimos que nos cedessem um espaço maior, para aumentarmos a nossa capacidade produtiva, e não o fizeram. Por isso, vamos deslocar parte da nossa indústria para onde nos dão condições”, explica, esclarecendo que a empresa não vai “embora de casa” e que a estratégia passa apenas por “diversificar mercados”.

Novo investimento em Angola

Depois de ter garantido a exportação, em fase experimental, de dois contentores para Espanha e Turquia, a Angola Recicla pretende continuar a assegurar as necessidades dos clientes nacionais e internacionais, com a instalação de uma indústria de policarbonatos e de reciclagem de plásticos para fabrico de garrafas de água de cinco litros. “Estamos a ver quem serão os nossos fornecedores, porque precisamos de resíduos que sirvam para fabrico de garrafas de água de cinco litros, sendo que, até Abril, a nova unidade estará a funcionar e irá agregar mais a produção industrial que já temos, e com mais dez empregos”, adianta Patrícia Marques. A directora executiva denuncia que tem havido escassez de resíduos por conta da concorrência desleal de empresas chinesas e indianas que, actuando à margem da lei, recolhem plásticos e exportam-nos, sem sequer os transformar ou acrescentar riqueza ao País.

Desde Junho de 2017, resultando de um investimento de 6 milhões USD de sócios angolanos. O processo produtivo da firma consiste na recepção, pesagem e processamento de resíduos de plástico e metal, para produção de plásticos triturados e embalados em grandes sacos para comercialização a indústrias de produção de garrafas de plásticos e tampas.

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