Mercado

Angola Telecom prevê investir mais de 200 milhões USD

13/03/2018 - 08:35, Business, featured

O processo de recuperação da empresa vai incluir a introdução no mercado de serviços de rede sem fios.

Por Estevão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

A Angola Telecom tenciona investir entre 200 e 400 milhões USD (42,6 e 85,3 mil milhões Kz) para o lançamento do projecto de telecomunicações da rede móvel no País, revelou nesta semana o coordenador da comissão de gestão da empresa pública de telecomunicações. Falando em conferência de imprensa, nesta segunda-feira, no âmbito do 26.º aniversário da operadora pública, Eduardo Sebastião notou que o investimento será realizado em parceria com um futuro investidor, depois de concretizada a privatização.

Detentora de uma licença global para exploração, de serviços da telefonia móvel, Eduardo Sebastião frisou que a companhia está a preparar-se para se tornar no quarto operador de telecomunicações, com a adopção de serviços da rede móvel de voz e dados,bem como de televisão.

Mas para já, segundo Eduardo Sebastião, a prioridade da sua gestão recai para o projecto da recuperação da empresa para que seja auto-sustentável, para depois partir para a execução dos serviços da telefonia móvel.

Assim, a empresa pública de telecomunicações, fundada em Março de 1992 quer recuperar cerca de 150.000 clientes, que nos últimos sete anos deixaram de usar a rede fixa, contando a empresa actualmente com apenas 50.000 subscritores activos. Eduardo Sebastião destacou que a recuperação vai incluir o lançamento de um projecto para que, dentro de dois meses, se possa introduzir no mercado serviços da rede sem fios, sobretudo nas áreas em que não seja possível a aplicação da rede física.

O coordenador da comissão de gestão da operadora admitiu que a redução de clientes afectou o desempenho e a rentabilidade da empresa, apontando os actos de vandalismo de que a rede foi alvo como um dos grandes motivos da fuga de clientes. “Isso fez com que a empresa tivesse perdido a capacidade de intervenção diante dos clientes e assim foi como consequência a perda de grande parte dos clientes e a par disso sabemos que a empresa não estava preparada para o ambiente de concorrência”, sublinhou. Outro projecto em curso tem que ver com a instalação de 1500 cabinas telefónicas púbicas no País, destinados a pessoas de baixos rendimentos, depois aquisição de uma nova plataforma para dar resposta a estes serviços. Neste momento, indicou, estão a ser feitos trabalhos para identificar e localizar todas as cabinas existentes para
serem postas em funcionamento, ao mesmo tempo que a Angola Telecom já detém 1500 acabadas de importar.
Privatização

Quanto à alienação de 45% do capital da operadora, Eduardo Sebastião diz que o processo está em fase de avaliação, para a determinação do valor patrimonial da companhia e das acções a alienar. O responsável declarou que o processo segue de acordo com o programa traçado, sem no entanto adiantar prazos. A próxima fase, acrescenta, é consagrada à elaboração dos termos de referência e a submissão dos cadernos de encargos. Acto contínuo, conforme pontualiza, será aberto o concurso público para as empresas interessadas no processo. O Executivo decidiu que parte da alienação da Angola Telecom ocorra por dispersão bolsista, no mercado de capitais, na primeira de uma experiência adoptada para um amplo processo de privatizações. Neste processo, o coordenador da Comissão de Gestão ressalta que nenhum trabalhador será despedido. Pelo contrário, Eduardo Sebastião considera que a reestruturação vai permitir impulsionar a empresa que procura recuperar o lugar de destaque que detinha no mercado nacional. Avança que isto poderá ser feito por via da capacitação e do aumento do número de quadros, melhoramento do desempenho ao nível da facturação e cobrança e redução das despesas para garantir maior sustentabilidade. A Angola Telecom arrecadou, em 2017, cerca de 14 mil milhões Kz, receitas que a administração prevê duplicar este ano, no quadro da derradeira fase de reestruturação e privatização de parte do capital.

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