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Facturação da Biocom atinge 200 milhões USD este ano

15/12/2017 - 11:26, Business

A fábrica está há mais de um ano a gerar receitas e a custear despesas, sobre um investimento total que ascende a 870 milhões USD.

Por Roberto Alves

A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) alcançou neste ano uma facturação de 200 milhões USD, revelou a direcção da empresa, nesta semana, durante um encontro com jornalistas, em Luanda.

De acordo com o director comercial da Biocom, Fernando Koch, a facturação corresponde a 88% em vendas de açúcar, 7% provem da venda de energia e 5% de etanol.

O resultado reflecte o investimento da empresa na mais alta tecnologia para o aumento da produção, através da qual bateu vários recordes de produtividade e conquistou alguns prémios internacionais. Em Novembro último, a fábrica foi premiada pela sua eficiência geral, disponibilidade de colhedoras, entre outras performances mensais que superam as de outras geografias, pela Biocom Brasil.

De 29 de Junho a 30 de Novembro, a Biocom produziu 58.102 toneladas de açúcar, 12.094 metros cúbicos de etanol e gerou 62.617 megawatts de energia eléctrica, superando o alcançado na safra anterior, em que foram produzidas 51.515 toneladas de açúcar.

“Conseguimos produzir em maior quantidade com menor custo nesta safra”, declarou o director-geral adjunto, Luís Bagorro Júnior. Para 2018, indicou o referido director comercial da empresa prevê duplicar para 100 mil toneladas a capacidade de produção de açúcar. Esta safra vai começar um mês antes do habitual, ou seja, em Maio. As metas previstas no plano de negócios desta agro-indústria indicam que a produção de açúcar atingirá as 256 mil toneladas, e a de etanol, 33 mil m³.

Quanto à energia, a previsão é que ascenda aos 235 Gwh de energia exportável em 2020/2021. A produção de açúcar, de acordo com as previsões do plano de negócios da Biocom, poderá atingir as 250 mil toneladas na safra de 2022, ano em que o projecto atingirá a maturidade. Este valor representará 60% das importações actuais e, eventualmente, das necessidades de consumo do mercado nacional. Actualmente, a Biocom possui 2786 colaboradores, entre contratados e subcontratados, sendo que 92% são nacionais. A companhia possui um Programa de Desenvolvimento Interno (PDI), que consiste em investimentos para a formação e desenvolvimento profissional, focado na transferência de conhecimento prático, realizada no dia-a-dia de trabalho, com acompanhamento pedagógico e nas capacitações técnicas do sector sucro-energético.

Estrangeiros serão 2% em 2022

Com isto, até 2022, a Biocom pretende reduzir o número de trabalhadores estrangeiros na fábrica, para 2%. O projecto agro-industrial da Biocom está implantado em Cacuso, Malanje, uma área de 81,201 mil hectares, dos quais 11,095 mil estão reservados à preservação da fauna e flora locais. Os 70,106 mil hectares são agricultáveis e vêm sendo cultivados ano a ano. Actualmente, o plantio da cana-de-açúcar ocupa 22 mil hectares, área que chegará a 42,500 mil hectares na safra 2022.

Clientes e custos aumentam

A Biocom tem, por outro lado, uma carteira de 500 clientes, sendo que a maior parte compra açúcar, e a indústria nacional de bebidas, principalmente espirituosas, compra o álcool de etanol hidratado. A produção de etanol comercializada ronda, segundo o director comercial, um milhão de litros por mês. A energia eléctrica é vendida à RNT. A fábrica está há quase dois anos a gerar receitas e a custear despesas sobre um investimento total que já ascendeu aos 870 milhões USD. Os custos de manutenção mantêm-se, entretanto, elevados, segundo Fernando Koch.

Neste ano, houve despesas de investimento na ordem dos 12 milhões USD em compra de equipamentos. “Foi um investimento para a compra de equipamentos usados na safra deste ano. Para o pró- ximo, estimamos a mesma despesa em equipamentos”, avançou. O responsável disse ainda que poderão continuar a ser feitos investimentos até o projecto atingir a maturidade. “Nesta etapa, os custos diluem-se. Estamos a chegar a níveis de custo operacionais equiparáveis aos das empresas produtoras de açúcar a ní- vel mundial”, referiu ainda o director.

A Biocom é um dos maiores investimentos privados feitos no sector não-petrolífero. Para o arranque do projecto foram investidos 750 milhões USD, dos quais 500 milhões USD resultaram do financiamento de um sindicato de bancos, tendo o restante vindo dos três accionistas, nomeadamente, o grupo Cochan (com 40%), a Odebrecht Angola (também com 40%) e Sonangol Holdings (com 20%).

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