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Gestão de 20 empresas públicas alterada desde Setembro

22/12/2017 - 13:55, Business, featured

Em vésperas de Natal, João Lourenço exonerou e nomeou nove novos conselhos de administração para as empresas públicas, subindo assim para 20 o número de exonerações.

Por Edjaíl dos Santos
edjail.santos@mediarumo.co.ao

Desde que tomou posse, João Lourenço já exonerou diversas administrações de empresas estatais, dos sectores de diamantes, minerais, petróleos, comunicação social, água, energia e transportes. Um tsunami de demissões que atingiu 20 firmas públicas.

As últimas mexidas aconteceram nas passadas terça-feira e quarta-feira, quando o Presidente da República exonerou e nomeou nove novos conselhos de administração para as empresas públicas ENDE, EPAL, TAAG, ENANA, Caminhos-de-Ferro de Luanda, Moçâmedes, Benguela e os portos de Luanda e Lobito, bem como o Entreposto Aduaneiro.

De acordo com a informação disponibilizada pela Casa Civil da Presidência, foram exoneradas as administrações dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), Benguela (CFB) e Moçâmedes (CFM), que passam a ser lideradas, respectivamente, por Júlio Bango Joaquim, Luís Teixeira e Daniel João Quipaxe (reconduzido), em conselhos de administração com cinco elementos cada.

Da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) foi exonerada a administração liderada por Lionídio Gustavo Ferreira de Ceita, passando o conselho de administração, de sete elementos, a ser presidido por Diógenes Flores Diogo.

Na Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) foi afastada a administração de Francisco Dias Talino, que passa a ser liderada por Ruth do Nascimento Safeca.
O Presidente exonerou ainda o conselho de administração da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), neste caso reconduzindo Manuel Ferreira de Ceita na liderança.

A nova vaga de exonerações e mexidas chega ainda às empresas públicas que gerem os portos do Namibe, Lobito e Luanda, que passam a ser lideradas, respectivamente, por António Samuel, Agostinho Estêvão Felizardo e Alberto António Bengue (reconduzido).

Antes o Presidente da República já havia renovado a administração de outras firmas públicas como a Sonangol, a Endiama, a SODIAM, a Ferrangol, os órgãos públicos de comunicação social (Angop, TPA, RNA e Edições Novembro) e a Imprensa Nacional.

Uma onda de mexidas que se antevê longe do fim. A demissão mais mediática levada a cabo pelo PR foi a de Isabel dos Santos, que durante mais de um ano liderou a petrolífera nacional, em Junho de 2016, na altura com a tarefa de assegurar a reestruturação da firma estatal. Em Novembro último, o Chefe de Estado, João Lourenço, lembrou que importa levar a cabo um “combate sério contra certas práticas, levadas a cabo quer por gestores quer por funcionários públicos”. “Práticas que, em princípio, lesam o interesse público, o interesse do Estado, o interesse dos cidadãos que recorrem aos serviços públicos”, disse JLo. “Ninguém é suficientemente rico que não possa ser punido, ninguém é pobre demais que não possa ser protegido”, foi um dos mais sonantes avisos do novo Presidente da República durante a tomada de posse, a 26 de Setembro.

Empresas sem actividade

O Estado conta com 75 empresas públicas. Porém, grande parte delas tem uma actividade residual, sendo que a sua privatização será uma das medidas do Governo, prevista no chamado Plano Intercalar. Esse plano, que termina no mês de Março, prevê a privatização em bolsa de empresas de referência que estão actualmente nas mãos do Estado.

A acção de venda das empresas “em prejuízo” é assim a materialização da promessa eleitoral do Presidente da República, que, na altura, prometeu estudar formas de privatização das empresas que são “um peso morto para o Estado”.

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