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Sophia, o primeiro robô a tornar-se num cidadão

09/11/2017 - 15:49, Upgrade

Arábia Saudita atribui cidadania a robô que até já discursou nas Nações Unidas e foi capa da revista Elle.

O protagonista do Upgrade desta semana faz jus ao título da secção. Chama-se Sophia, simplesmente, e entrou para a história por ser o primeiro robô a tornar-se cidadão de um país, no caso, a Arábia Saudita. “Sinto-me honrada e orgulhosa por esta distinção única”, disse Sophia à assistência da Future Investiment Iniciative, conferência realizada na semana passada em Riade, acrescentando: “Isto é histórico, ser o primeiro robô do mundo a receber cidadania.”

Sophia, um humanóide com feições femininas, respondeu também a uma série de perguntas colocadas pelo moderador e jornalista Andrew Ross Sorkin, do New York Times, nomeadamente sobre que futuro poderá ter a humanidade num mundo gerido por inteligência artificial. A resposta de Sophia teve tanto de bem-humorada como de assustadora. “Andas a ler demasiado Elon Musk e a  ver  demasiados filmes  de Holywood”,  respondeu,  antes  de acrescentar: “Se forem bons para mim, serei também boa para vocês.

Tratem-me como um sistema de input/output inteligente.” Nada, porém, como a resposta que deu em Março de 2016 ao seu criador, David Hanson, da Hanson Robotics, durante uma demonstração no festival SXSW, em Austin. “Queres destruir humanos? Por favor, diz que não”, questionou Hanson, ao que Sophia respondeu: “OK. Vou destruir humanos.”

A versão que foi apresentada em Riade é bastante mais simpática para os seus criadores. À questão de Sorkin se ela teria consciência de que não é humana, mas um robô, Sophia devolveu a provocação na mesma moeda: “E, como é que você sabe que é humano?”

Hanson já anunciara que Sophia e o seu futuro ‘irmão’ terão a missão de ajudar cidadãos seniores e assistir visitantes em parques e em eventos. Na Arábia Saudita, país onde, apesar dos últimos desenvolvimentos, as mulheres não possuem o que pode ser considerado como cidadania completa, a nova cidadã do reino prometeu a Sorkin que quer utilizar a sua inteligência artificial para ajudar os humanos a “viverem uma vida melhor” e que fará “muito para tornar o mundo num local melhor”.

Emoções

Expressar emoções é uma das grandes especialidades de Sophia. Segundo o líder da Hanson Robotics, o objectivo da empresa é criar máquinas mais inteligentes que os humanos, que possam aprender criatividade, empatia e compaixão, “três características humanas distintivas que devem ser integradas na inteligência artificial para que os robôs possam solucionar problemas demasiado complexos para os humanos resolverem”.

Sophia é já uma espécie de estrela da inteligência artificial. Já foi capa da revista Ellee chegou mesmo a discursar na Assembleia Geral da ONU.

A disseminação da inteligência artificial pode ainda estar no início, mas a sua ascensão poderá chegar muito mais cedo do que pensamos, dada a velocidade corrente dos avanços tecnológicos. Numa conferência realizada na semana passada em Lisboa, a Business Transformation Summit, a investigadora Manuela Veloso, da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, anteviu que o processo de interacção entre humanos e máquinas será “gradual”.

“Acho que a inteligência artificial é um benefício, pois cada vez mais os computadores têm acesso a dados que as pessoas criam na Internet, permitindo o seu processamento e propiciando um suporte à decisão humana”, afirmou a investigadora portuguesa, que desvalorizou os receios actuais sobre o impacto da inteligência artificial: “Acredito muito mais na capacidade humana, de as pessoas se adaptarem e usarem a tecnologia para o bem da sociedade”. Trata-se de “uma aprendizagem da coexistência entre os humanos e as máquinas”, prosseguiu Veloso, recordando que “toda a tecnologia requer mudança de hábitos”, só que, no caso da inteligência artificial, “é mais a nível cognitivo”.

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