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Zaire ganha um feriado a partir de 2018

21/09/2017 - 12:32, Capital Humano

PR decretou 8 de Julho como feriado no Zaire, para celebrar a elevação do centro histórico de Mbanza Congo a Património Mundial da Humanidade. No próximo ano, o dia calha num domingo.

Por: Ricardo David Lopes

Presidente da República, para assinalar a declaração, pela UNESCO, do Centro Histórico de Mbanza Congo como Património Mundial da Humanidade.

De acordo com o Decreto Presidencial n.º 205/17, de 11 de Setembro, a instituição desta data como feriado provincial pretende “manter viva a importância deste facto histórico [declaração da UNESCO] e da cidade de Mbanza Congo”.

“É instituído o dia 8 de Julho, feriado local na província do Zaire, em comemoração da declaração de Mbanza Congo como Património da Humanidade, constituindo também a data de aniversário da cidade de Mbanza Congo”, afirma o diploma, assinado pelo Presidente José Eduardo dos Santos.

A Comissão de Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou, dia 8 de Julho passado, recorde-se, por unanimidade, o centro histórico de Mbanza Congo como Património Mundial da Humanidade, sendo a primeira validada no País pela organização internacional.

O projecto ‘Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar” foi lançado oficialmente pelo Governo em 2007, com o objectivo de candidatar a capital do antigo Reino do Congo, fundado no século XIII, à lista de património da UNESCO.

Património nacional desde 2013

O centro histórico de Mbanza Congo estava já classificado como património cultural nacional desde 10 de Junho de 2013, pressuposto sem o qual, aliás, não seria possível a candidatura.

O relatório da UNESCO recomendou a colaboração com outros países na identificação de outros locais e pontos do interesse do antigo Reino do Congo e da rota dos escravos de África para a América, “com potencial” para serem inscritos na lista de património mundial.

O reino encontrava-se perfeitamente organizado aquando da chegada dos portugueses, no século XV, segundo o Governo explicou na candidatura.

Mbanza Congo foi, no século XVII, a maior cidade da costa ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 44 mil habitantes.

A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude, que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado ‘Tadi dia Bukukua’, supostamente o antigo palácio real.

Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da D. Mpolo (mãe do rei D. Afonso I, enterrada viva por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo.

Dividido em seis províncias que ocupavam parte das actuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

Angolanos devem envolver-se

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, afirmou, no final do mês passado, que a elevação do Mbanza Congo a património mundial vai obrigar todos os angolanos a envolverem-se na transformação daquela urbe em pólo de desenvolvimento para a região do Congo e da província do Zaire, em particular.

A instituição de feriados provinciais não é usual em Angola, onde existem, actualmente, 11 feriados nacionais e algumas datas comemorativas que não são feriado.

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