Mercado

Brunch With…Irmala Souza

20/12/2017 - 08:56, Brunch with, featured

Eis a história de uma mulher de coragem que deixou para trás a família e o seu país, para abraçar o projecto Belas Shopping. Tornou-se directora de marketinge tem conquistado um posicionamento no mercado nacional, fora do seu contexto cultural.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes

Há cerca de dez anos, Irmala Souza decidiu mudar de rumo. Fez a mala e seguiu para Luanda, onde abraçou o projecto Belas Shopping. Na altura, a actual directora de marketing do primeiro centro comercial de Luanda enfrentava o seu maior desafio profissional.

Mas, antes de contar este episódio na íntegra, Irmala fez questão de partilhar minuciosamente com o Mercado como foi a sua entrada no sector de centros comerciais e a experiência que viveu em Manaus, na Amazónia, antes de vir para Angola.

O envolvimento de Irmala com a área de marketing de centros comerciais começou como estagiária da Star Publicidade, uma agência de publicidade, que tinha um shopping center na sua carteira de clientes.

Meses depois de ter participado numa reunião no shopping, passou a agenciar o centro comercial Itaigara, em Salvador, onde começou como estagiária, tendo posteriormente assumido cargos de supervisão, gerência e direcção – isto em 1997.

Em 2003, com 27 anos, solteira e sem filhos, foi surpreendida por um convite para participar na abertura do primeiro shopping multifuncional em Manaus, no Brasil. Para ter sucesso no que precisava de fazer, Irmala Souza contou que foi necessário aprender a viver como as pessoas daquela região, descalçando um pouco a sua cultura para aprender uma outra. Para ela, ter passado quatro anos em Manaus teve grande importância no momento de decidir a vinda para Angola, porque, tal como disse, o Brasil é um país muito grande e, apesar de serem todos brasileiros, existe muita peculiaridade em relação a cada região do país.

O ano era o de 1997, marcado por mudanças e por esperança. “Foi a primeira vez que fiz as malas e saí da minha zona de conforto para abraçar um grande projecto. Foi um momento decisivo na minha vida”, confessa.

Passados quatro anos, já com alguma experiência adquirida na área de marketing, principalmente de centros comerciais, Irmala foi aconselhada a abraçar desafios maiores.
Através de um antigo colega de faculdade que, na altura, trabalhava para a agência de comunicação que fazia a campanha de investimentos imobiliários da Odebrecht em Angola, Irmala teve conhecimento da existência do projecto Belas Shopping. “Fiquei a saber que o director de marketing do Belas Shopping, por razões pessoais, tinha de regressar para o Brasil e que a administração procurava um profissional para substituí-lo”, contou.

Em 2007, Irmala resolveu ir à luta e ocupar o cargo. Mais uma vez fez as malas e, sem conhecer a cidade e sem ter ideia do que a esperava, aceitou o desafio e substituiu o director de marketing do Belas, função que ocupa há dez anos. “Estes anos em Angola contribuíram para que me tornasse uma pessoa e profissional melhor e deram-me a possibilidade de construir uma família”, frisou.

Brasileira de origem, mas residente em Angola há dez anos, Irmala Souza, 38 anos, iniciou o percurso profissional quando frequentava as faculdades de Direito Jurídico e de Comunicação, Publicidade e Propaganda.

Quando fez o vestibular para entrar para a universidade, a directora de marketing do primeiro centro comercial de Luanda estava indecisa sobre que curso seguir. Com um irmão de criação e um tio que eram grandes criminalistas da área jurídica em Salvador, no Brasil, a família de Irmala esperava que a mesma seguisse a área jurídica.

Mas, durante alguns anos, sentiu-se obrigada a frequentar a Faculdade de Direito e de Comunicação, Publicidade e Propaganda. “Todos achavam que eu ia ser uma grande juíza, procuradora ou promotora pública.”

Depois de três anos a conciliar as duas faculdades, com o estágio na agência de comunicação, chegou o momento em que teve de fazer escolhas e, muito a contragosto da família, decidiu interromper a área jurídica para abraçar aquilo que sentia que era o seu dom natural – a área de comunicação, principalmente de centros comerciais. “Naquela altura, ninguém entendia bem o que era isso. A minha mãe perguntou: ‘Você vai trabalhar numa loja?’ E eu respondi que não, que o meu trabalho seria na administração, criando estratégia, eventos.

Luanda era um mercado novo, bravo, virgem, onde se tornou muito prazeroso realizar as coisas. “As pessoas abraçavam os nossos projectos e vibravam com as nossas acções muito mais do que no Brasil”, recorda. Era uma sociedade deficiente em vários aspectos, e por estes motivos referenciados dava-se muito mais valor ao trabalho que era feito.

Em relação ao mercado, na altura pouco ou nada entendia dele, porque não existia o comércio formal. “As pessoas compravam tudo na rua, as lojas eram lojas de rua, e o nosso desafio era transportar tudo que era informal para dentro de um conceito de shopping center, onde existiam regras, disciplina, estrutura e organização de funcionamento”, diz. Questionada se, depois de tantos anos, gostaria de dar continuidade ao curso de Direito, confessa que poderia estudar por curiosidade e não por carreira, porque é muito feliz e realizada com o que faz profissionalmente.

“Sou muito apaixonada pelo meu trabalho, e todos os dias venho trabalhar para desenvolver e criar coisas para as pessoas, faço-o com satisfação e não me vejo a fazer outra coisa”, diz.

Casada e mãe de um menino de 10 meses, revela que, com a maternidade, ganhou mais força de lutar pelos seus objectivos. “Quero que o meu filho tenha orgulho em mim, na história que criei em outro país”, afirma.

Com muita convicção, Irmala Souza confessa que aprendeu duas lições com a vinda para Angola. Passou a dar mais valor à família depois do distanciamento. Segundo, passou a olhar para a vida de forma mais simples.

“A relação com a minha família ficou mais forte depois de vir para Angola, hoje dou mais valor aos elementos da minha família e aproveito-os ao máximo. E percebi que não precisamos de muito para sermos felizes”, conclui a nossa convidada desta semana.

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