Mercado

Francisco Pinto: “Precisamos de dar novos desafios aos nossos quadros”

09/10/2017 - 09:45, featured

A Griner Engenharia está a procurar oportunidades de negócio noutras regiões
do continente africano para alargar a sua base de actividade, diz o CEO
da empresa, que tem actualmente cerca de 25 obras em curso em Angola.

Por Líria Jerusa | Fotografia Carlos Muyenga 

O que esperam há 10 anos em Angola com a marca Griner. Quais são as grandes diferenças entre o mercado de então e o de hoje?

Uma diferença importante é que a capacidade das empresas é avaliada, hoje, não apenas pela qualidade da sua organização, dos seus quadros e pelo parque de equipamentos que possuem, mas também pela componente financeira – e, especialmente ,pela capacidade de obtenção de divisas para a aquisição dos materiais e equipamentos necessários à execução dos projectos.

A Griner é, hoje, uma empresa, conhecedora, competente e comprometida com a qualidade e sustentabilidade dos projectos que realiza.

Por outro lado, o mercado sofreu um ajustamento muito grande a uma nova realidade económica e financeira do País: redução do número de novos projectos, menos empresas a actuar e condições económicas dos contratos mais exigentes.

O sector tem sido muito afectado pela crise dos últimos anos. Foram forçados a suspender projectos?

Havia projectos em curso que foram cancelados e outros em que o seu início foi suspenso.

Quais os montantes envolvidos e de que projectos falamos?

O montante total destes projectos é superior a 15 mil milhões Kz. O tipo de projectos mais afectados foram aqueles ligados à actividade imobiliária (edifícios) e das empresas petrolíferas (instalações industriais).

Qual o impacto da carência de cambiais na vossa actividade? A situação tem melhorado?

O início de um novo projecto depende, em primeiro lugar, do facto de o dono de obra ou a empresa construtora terem capacidade de obtenção das divisas para a sua execução.

Portanto, o impacto dos cambiais na nossa actividade é crítico, e a situação tem vindo a registar, gradualmente, uma pequena melhoria, fruto do maior volume de contratação de serviços locais.

O facto de serem controlados por um banco permite que tenham mais ‘músculo financeiro’ e acesso a divisas?

Relativamente ao acesso às divisas, no contexto actual, e com o modelo de venda pelo Banco Nacional de Angola (BNA), não.

A Griner insere-se numa área não financeira de um grupo que é financeiro. A relação que temos com o banco [BAI], enquanto tal, gere-se por critérios de mercado. Já a relação accionista é efectuada noutro fórum, mas um dos factores críticos de sucesso tem sido a autonomia dada à equipa de gestão em sintonia com a estratégia definida e controlo do accionista.

A situação de crise obrigou-vos a reduzir pessoal?

A Griner teve cerca de 1500 colaboradores próprios e chegou a ter mais cerca de 2000 que trabalhavam nos nossos projectos por via de pequenas e médias empresas.

Actualmente, somos cerca de 1000 colaboradores e há mais 1000 de pequenas e médias empresas subcontratadas.

Neste momento, que trabalhos vossos estão em curso e quais os prazos de execução?

A nossa carteira de obras é muito variada, num total de cerca de 25, que vão desde edifícios de habitação, de escritórios, ou comerciais, até infra-estruturas rodoviárias, hidráulicas e de energia.

Os prazos de execução vão até um máximo de três anos.

Qual o volume da carteira de trabalhos em curso?

O volume da nossa carteira das obras em curso e em fase de arranque é de cerca de 90.000 milhões Kz.

Qual foi a obra ou as obras mais emblemáticas que realizaram até agora?

A Academia BAI, o Masuika Office Plaza e a EN225 estão entre as obras já concluídas. A segunda fase da Assembleia Nacional e os trabalhos de construção civil na Central de Ciclo Combinado do Soyo estão entre as obras em curso, e a nova ponte sobre o rio Kwanza está nas obras em fase de arranque, entre outras, também muito relevantes.

No que toca à reabilitação das estradas da Samba Caju, Quiculungo e Bolongo, em que fase estão estes projectos?

Estamos nesta fase a concluir a montagem do estaleiro de obra e a acomodação do tráfego.

Quando está previsto entregar a obra do Shopping Fortaleza? Qual volume total de investimento nesta obra?

Prevemos concluir esta fase no final do mês de Novembro.

O investimento total deste projecto é da responsabilidade da sociedade promotora. A Griner é líder do consórcio com a Soares da Costa (SDC), responsável pela construção civil.

No ano passado, previam investir na criação de uma central de betão e outra de caixilharia.

Qual o ponto da situação destes projectos?

Este tema é um pouco mais estratégico. A decisão que tomámos pressupõe a participação em projectos industriais, situados na cadeia de valor a montante da construção.

Entendemos que temos responsabilidades no desenvolvimento de indústrias que permitam diminuir as importações, melhorar a qualidade dos materiais e reduzir os custos.

Esta fase da economia, implicou que muitas destas indústrias fecharam e outras encontram-se com graves problemas financeiros e operacionais.
A nossa actividade é penalizada por este efeito, pelo que tomámos a decisão de procurar melhorar a situação actual.

Quais os maiores desafios deste sector em Angola no curto prazo? E no médio/longo prazo?

Alguns destes desafios estão implícitos nas respostas anteriores: as divisas e as indústrias de materiais de construção. A maturidade e a experiência profissional dos recursos humanos são um desafio que só o tempo e as oportunidades poderão minimizar. O aumento da produtividade e a redução dos custos de produção são os grandes desafios de médio prazo, para os quais concorrem não apenas as empresas, mas também o contexto onde estão inseridas.

Têm projectos de internacionalização?

A Griner tem uma estratégia e objectivos para trabalhar noutras geografias. Estamos nesta fase a efectuar um forte investimento para nos posicionarmos em duas zonas do continente africano, nas regiões ocidental e Sul.
Pretendemos minimizar uma característica do nosso mercado, com fortes picos de procura e períodos sem novos projectos, que nos obrigam a reestruturações muito violentas, com efeitos nos resultados. Por outro lado, precisamos de dar novos desafios aos nossos quadros, que já deram mostras de poderem assumir novas responsabilidades, e outras podem surgir.

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