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Fundamentos da Teoria Neoclássica Keynesiana vs. Teoria Monetária liderada por Milton Friedman

11/12/2017 - 16:10, featured

O confronto de ideias entre monetaristas e adeptos de Keynes não tem fim à vista

Por Fausto Simões

Professor titular da UAN e coordenador da Comissão Instaladora da Ordem dos Economistas

 

A Teoria Neoclássica Keynesiana

O mais importante economista da primeira metade do século XX foi, sem dúvida, John Maynard Keynes (1883-1946), filho de um professor de Economia, John Neville Keynes, que nascera destinado a influenciar massivamente tanto a economia de seu país, a Grã-Bretanha, como a dos EUA. Com excepção de Karl Marx, nenhum outro homem em toda a literatura económica causou tanto furor como ele, tanto na teoria como na prática económica.

O impacto do seu trabalho sentiu-se sobre o pensamento político-económico e a formulação da política em quase todas as nações capitalistas. O seu último escrito sobre teoria económica – e também o mais importante – surgiu em 1936, intitulado The General Theory of Employment, Interest and Money(Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro). Keynes provocou adorações de uns e severa crítica de outros. Foi elogiado pela maioria das coisas boas e considerado culpado por muitas das coisas más que se tornaram parte da política nacional durante as duas últimas décadas.

A dinâmica das suas teorias provocou a formação de um forte grupo pró-Keynes, enquanto os seus pontos vulneráveis, juntamente com o que expressam ou implicam no tocante à acção governamental, produziram um forte grupo anti-Keynes.

Anterior ao pensamento revolucionário keynesiano, a microeconomia pressu punha que as forças de oferta e de procura provocariam automaticamente ajustes para o equilíbrio em todos os preços e valores, plena utilização dos factores de produção e um preço de equilíbrio para o uso de cada um. Os desvios desses níveis eram considerados temporários. De um modo geral, a análise anterior do preço e do valor assentava em hipóteses baseadas no laissez faire, e a aplicação de tal teoria implicava uma política delaissez fairee a perfeita mobilidade dos factores no seio de uma economia auto-reguladora. Poder-se-ia exemplificar como em casos específicos da microeconomia, a procura pelo trigo ou o nível salarial de uma determinada indústria.

Noutra visão, a macroeconomia cuidava dos totais ou agregados. Tratava do rendimento nacional total afectado pelos gastos e poupanças totais. A microeconomia está nela incorporada. Observa o comportamento da economia total e reconhece que o dano de uma das partes é prejudicial ao todo. A ideia de fluxo é da maior importância, pois a renda total nacional da sociedade deve ser mantida em certos níveis para garantir os níveis desejados de investimento, economia e emprego. É uma espécie de conceito de equilíbrio geral. Contrariando a microeconomia, não aceita o laissez faire, considerando-o, na verdade, uma filosofia inteiramente indigna de confiança e que pode ser julgada como grandemente responsável pelas violentas perturbações no nível das actividades comerciais e pelo desemprego subsequente.

Mas a macroeconomia é anterior a Keynes. A Teoria dos Ciclos Comerciais, seja ela monetária ou não na sua forma de apreciar a questão, interessa-se primordialmente pelos problemas dos rendimentos e empregos flutuantes, que preocuparam os economistas por muitos anos. Os estudos primitivos sobre os ciclos comerciais raramente empregaram evidências empíricas, mas, pelo menos nos EUA, a microanálise existiu por meio século. Keynes fez a ênfase recair inteiramente sobre  os  níveis  dos  rendimentos  que  afectavam os níveis de emprego, o que constitui, naturalmente, uma ênfase diferente da encontrada nos estudos anteriores.

É provavelmente verídico que toda a economia keynesiana tenha sido destinada a encontrar as causas e curas para o desemprego periódico. Keynes desviou-se claramente da maioria das economias anteriores, até mesmo da do seu professor Alfred Marshall, considerada pela maioria dos eruditos quase sacrossantos. É verdade que muitas das suas ideias combinaram com as dos economistas anteriores, como Lauderdale, Malthus, Rae, Sismondi, Say, Quesnay e outros. Keynes combinou as suas próprias teorias e os desenvolvimentos anteriores numa análise que ocasionou transformações na economia aceite pelas revoluções sociais.

A publicação, em 1936, da Teoria Geral de John Maynard Keynes veio, sem dúvida, dar outra visão ao mundo dos equilíbrios económicos e sociais que deviam nortear o mundo. Em síntese, Keynes propunha um conjunto de ideias assentes numa intervenção estatal na vida económica com o objectivo de conduzir a um regime de pleno emprego. As teorias de John Maynard Keynes tiveram enorme influência na renovação das teorias clássicas (daí a designação da sua teoria de neoclássica) e na reformulação da política de livre mercado. Ele acreditava que a economia seguiria o caminho do pleno emprego, sendo o desemprego uma situação temporária que desapareceria graças às forças do mercado.

O objectivo do keynesianismo era manter o crescimento da procura em paridade com o aumento da capacidade produtiva da economia, de forma suficiente para garantir o pleno emprego, mas sem excesso, pois isto provocaria um aumento da inflação.

Na década de 1970, o Keynesianismo sofreu severas críticas por parte de uma nova doutrina económica: o Monetarismo. Em quase todos os países industrializados, o pleno emprego e o nível de vida crescente alcançados nos 25 anos posteriores à II Guerra Mundial foram seguidos por inflação. Os keynesianos admitiram então que seria difícil conciliar o pleno emprego e o controlo da inflação, considerando, sobretudo, as negociações dos sindicatos com os empresários por aumentos salariais. Por esta razão, foram tomadas medidas que evitassem o crescimento dos salários e preços, mas, a partir da década de 1960, os índices de inflação foram acelerados de forma alarmante.

A partir do final da década de 1970, os economistas têm adoptado argumentos monetaristas em detrimento daqueles propostos pela doutrina keynesiana. Mas as recessões, em escala mundial, das décadas de 1980 e 1990, reflectem os postulados da política económica de John Maynard Keynes.

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