Mercado

Fundo quer trazer tecnológicas para África

06/03/2018 - 08:33, Bodiva, featured

Consultora de desenvolvimento lança fundo até 55 mil milhões USD para trazer para África empresas de alto potencial tecnológico. Retorno pode atingir 19% ao ano, durante cinco anos.

Por André Samuel

andre.Samuel@mediarumo.co.ao

A Pulsar Development, consultora de desenvolvimento de negócios, está a criar um fundo de investimento em alta tecnologia na Europa, para operarem no continente, sem que cessem as suas actividades no país de origem. Segundo informação disponibilizada no website da consultora, o fundo corresponde a um “conceito inovador”, cujo objectivo é apoiar as necessidades futuras das economias africanas em crescimento. O principal desafio, lê-se no site, é “persuadir potenciais investidores” a participarem no fundo.
“Está em causa a criação de um conglomerado de tecnologia para alcançar e capitalizar as empresas europeias de alta tecnologia, realizando sinergias de alto crescimento entre estas e os mercados de crescimento africano”, indica a Pulsar Development.

O fundo pretende explorar a “lacuna existente há décadas, fruto da falta de colaboração entre as economias/governos africanos e as empresas tecnológicas europeias”, acrescenta. O objectivo é “criar um crescimento substancial no futuro, aplicando critérios de investimento rigorosos e fornecendo uma vasta rede de vendas dentro de África”. Somente as empresas com alto potencial de desempenho na região africana serão consideradas alvo de investimento. A título de exemplo, a empresa refere projectos de soluções fiáveis de purificação de água e fornecedores de sistemas de energia fotovoltaica com uma potência de 1 a 10 W, capazes de substituir fontes não saudáveis e ineficientes, como lâmpadas de querosene e velas.

Retorno ajustado ao risco é “vantajoso”

Ao longo dos últimos 10 anos, os países africanos registaram altas taxas de crescimento e reagiram melhor à crise económica global em comparação com outras economias emergentes, assinala a companhia. Os retornos ajustados ao risco de longo prazo são “vantajosos em relação aos países desenvolvidos e são relativamente iguais aos mercados fronteiriços”. As perspectivas económicas em África, divulgadas no relatório do Banco  de  Desenvolvimento  Africano (BDA), em Janeiro de 2018, apontam para um crescimento global do PIB de 3,6% em 2017, avançando para 4,1% em 2018 e 2019. “Ainda assim, continuam a existir desafios, especialmente ao nível das transformações estruturais, que permitiriam a criação de mais empregos e reduziriam a pobreza através da reafectação da mão-de-obra a actividades tradicionais com produtividade reduzida, como a agricultura”, assinala a empresa. A necessidade de industrialização do continente é “fundamental para minimização da pobreza e criação de emprego. Entretanto, a insuficiência de infra-estruturas produtivas em alguns serviços, como energia, água e transporte, apresenta-se como entrave para o processo de industrialização”, acrescenta. “O continente precisa de mais financiamento para o desenvolvimento. Porém, a acumulação de dívida deve ser consistente com as necessidades de desenvolvimento dos países e com a capacidade de cumprimento das obrigações dos empréstimos sem comprometer os fundamentos para o crescimento futuro”, conclui.

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