Mercado

O agronegócio como motor de desenvolvimento de África

23/10/2017 - 09:33, featured, Finanças

Em 2050, a população mundial atingirá 9 mil milhões de pessoas, e urge aumentar a produção alimentar em quase 70%.

Por Estêvão Martins

A África subsariana enfrenta diferentes desafios, incluindo o aumento dos investimentos nos mais variados sectores, com vista à erradicação da pobreza e a alcançar a sustentabilidade alimentar até 2030, conforme indica a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O organismo da ONU diz que só  é  possível  erradicar  a  fome até 2030, se se alterarem os actuais  sistemas  e  políticas  de  desenvolvimento agrícola. A FAO aponta que o sector privado é responsável pela maioria dos investimentos na agricultura, e espera-se que isso continue no futuro, tendo em vista os objectivos de desenvolvimento sustentável até 2030.

E, para alcançar esses objectivos até à data prevista, a FAO explica que a produção agrícola terá de aumentar em cerca de 50% até 2050, a fim de atender às necessidades alimentares e produção de rações.Até meio do século, a população mundial deverá ser de 9 mil milhões de pessoas. Por isso, urge elevar a produção alimentar em cerca de 70%, sendo que as terras aráveis terão também de aumentar quase 60%, para corresponderem à procura alimentar.

A agricultura é, de longe, o maior consumidor de água, representando cerca 70% do total e até 95% nos países em desenvolvimento, e as estimativas actuais indicam um aumento de 45% no consumo até 2030. O sector agrícola é também a maior entidade patronal do mundo, empregando cerca de 60% dos trabalhadores nos países menos desenvolvidos.
A FAO nota igualmente que, por cada pessoa subnutrida, há duas obesas ou com excesso de peso. Contudo, registam-se mais 10 mortes de pessoas por desnutrição do que por obesidade, por dia.

Perto de 1/3 dos cereais são utilizados para produzir rações e biocombustíveis. A procura global do produto exigirá que 40 milhões de hectares sejam convertidos para esse tipo de cultivo nos próximos anos, menciona a FAO.Mesmo com este défice, 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos comestíveis são desperdiçados por ano,
Representando 1/3 da produção mundial e quatro vezes a quantidade necessária para cobrir a subnutrição no mundo.

A ASM – Angola School of Management realizou recentemente uma conferência-colóquio, na qual aborda o tema e a sua contribuição para a evolução do agronegócio no País. A nível nacional, as condições naturais, o contexto macroeconómico e cambial e a importante substituição das importações oferecem um quadro de investimento mais atractivo para o agronegócio.Embora Angola seja considerada a 16.ª nação com maior potencial agrícola no mundo, cultiva apenas 4,1% desse potencial. A colheita de cereais em 2017 deverá permanecer inalterada, uma vez que a seca nas zonas centrais de produção condiciona a produção nacional.

Casos de sucesso em África

Alguns países da África subsariana apresentam resultados positivos nos seus investimentos. Por exemplo, a produção de leite no Quénia representa 14% do PIB agrícola e entre 6 a 8% do PIB nacional. O volume de leite processado por ano cresceu mais de 150% na última década. As exportações para a região, Ásia e Norte da África aumentaram de 100 mil Kg, em 2001, para 10,9 milhões, em 2008, de acordo com o KDB – Kenya Dairy  Board  –  ‘Quality  milk  for health’. A Costa do Marfim e o Gana são os maiores produtores mundiais de cacau, representando acima de 32% e 19%, respectivamente, da produção mundial em 2014. A Costa do Marfim exporta 3,75 mil milhões USD/ano, e o Gana, 1,98 mil milhões USD.

A produção de arroz no Mali aumentou cinco vezes em duas décadas (Coulibaly, 2004). A produção total de 930 milhões de toneladas em 2002 quase respondeu às necessidades domésticas do país O rendimento médio nacional aumentou de 1,9 toneladas/hectare para  2,1  toneladas/hectare  entre 1998 e 2001.

A área cultivada também cresceu significativamente, aumentando 130% entre 1990 e 2001. Na Guiné, por exemplo, a produção de arroz mais do que duplicou numa década (registavam-se 845 milhões de toneladas em 2003), fornecendo 85% do consumo doméstico total.

Crescimento, segundo Fausto Simões

O economista e docente universitário Fausto Simões frisa, num artigo de opinião publicado recentemente pelo Mercado,  que,  para  os  países  em  desenvolvimento e da África subsariana em particular, o agronegócio vem crescendo, destacando-se nas suas balanças de pagamento e comerciais e em relação ao PIB.Em Angola, a realidade não é excepção, diz, acrescentando que é do conhecimento público que, nos últimos anos, o sector não-petrolífero tem crescido mais que o sector petrolífero, e uma das causas é a relativa atenção que o Executivo tem dado a alguns operadores no sector agro-pecuário.

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