Mercado

O que acontece quando a taxa de juros sobe

08/12/2017 - 15:21, featured, Opinião

O Banco Nacional de Angola (BNA) continua a tomar decisões em linha com o Plano Intercalar do Governo, ao ter decidido subir a Taxa Básica de Juro de 16% para 18%, no passado 30 de Novembro.

Por Aylton Melo

O Banco Nacional de Angola (BNA) continua a tomar decisões em linha com o Plano Intercalar do Governo, ao ter decidido subir a Taxa Básica de Juro de 16% para 18%, no passado 30 de Novembro. Foi uma das quatro decisões do Comité de Política Monetária (CPM), com o propósito de reverter os altos níveis de inflação acumulada, ou seja, travar o ascendente do nível geral de preços.

A Taxa BNA não era alterada desde Maio de 2016, quando aumentou, face ao mês anterior, de 12% para 16%. Mas, à luz do referido Plano, já era expectável, se observarmos as reformas de curto prazo, que o Estado o quisesse implementar, para valorizar a moeda nacional e adequar a política monetária ao serviço da estabilidade financeira.

Aplica-se o mesmo quando o BNA põe termo à obrigação de os clientes dos bancos comerciais constituírem cativos em moeda nacional como condição prévia para a compra de moeda estrangeira, ou quando decide que o coeficiente das reservas obrigatórias a ser aplicado sobre os depósitos dos clientes dos bancos comerciais, em moeda nacional, será reduzido de 30% para 21%. Com isto, há uma clara demarcação entre a nova administração do banco central e a anterior. As políticas restritivas adoptadas pela anterior administração não terão gerado os resultados esperados de forma eficiente, priorizando as importações, mas também tinham por fim conter a subida da inflação, que rondou os 40% em 2016. No final do primeiro trimestre do ano, recorde-se, a inflação mensal começou a desacelerar o ritmo de subida ao longo do ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A desaceleração da subida da inflação alivia o bolso das famílias e das empresas angolanas, assim como a contenção da subida das taxas de juro do banco central.

Por outro lado, o epicentro dos problemas inflacionários do País – ‘importações versus exportações’mantém-se. Embora tenham sido “definidas ideias concretas no Plano Intercalar para estimular o fomento e o aumento da produção nacional, com vista a reduzir paulatinamente as importações dos produtos que podem ser produzidos internamente, aumentar a diversificação e consequente aumento as exportações”. Ainda assim, vai levar algum tempo até que haja um equilíbrio entre a necessidade de importações face as exportações. Enquanto não se alterar o paradigma da importação em Angola, face à quase inoperância do sector produtivo, à excepção do sector petrolífero, será quase impossível vivenciarmos níveis de inflação abaixo dos 7% em Angola, por via, única e exclusivamente, de medidas de políticas monetárias.

Saiba mais do Jornal Mercado, edição 133, já nas bancas!

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.