Mercado

“Sector financeiro convergiu mais rápido para boas práticas”

02/10/2017 - 15:32, featured, Finanças

O sector financeiro angolano é um “bom exemplo” de convergência com as melhores práticas internacionais em reporte ao mercado, diz Inês Filipe, partner da KPMG Angola.

Por Ricardo David Correia

ricardo.lopes@mediarumo.co.ao

Angola está a desenvolver o mercado de capitais, mas há ainda problemas com a divulgação de informação das empresas.Como é que empresas como a KPMG podem ajudar a que haja uma evolução nesta matéria?

Ao nível dos mercados de capitais, devemos considerar um conceito alargado de informação e comunicação. Os mercados exigem informação e transparência para com os investidores, bem como o cumprimento dos prazos legais para o efeito. Há um caminho a percorrer em termos de aprendizagem e cultura de divulgação de informação relevante, tal como na melhoria da informação financeira. Como exemplo positivo, podemos destacar o sector financeiro, que, ao estar já abrangido pelas normas internacionais de relato financeiro, convergiu mais rapidamente para as melhores práticas.

Este processo passa, também, por uma mudança de mentalidade dos gestores?

É verdade. Quer ao nível de corporate governance, quer ao nível de uma gestão baseada em processos e sistemas de controlo interno, ou de uma cultura de gestão orientada pelo risco. Mas reforço que o tema da transparência e comunicação activa é fundamental. Outra questão na ordem do dia é a dos skills dos gestores, algo sublinhado no último ‘Global CEO Outlook’, um estudo internacional da KPMG que auscultou cerca de 1.300 CEO, que mostra que sete em 10 gestores pretendem desenvolver as suas capacidades e qualidades pessoais. Esta tendência deve ser estendida aos vários níveis das organizações, a começar pela alta direcção e assim sucessivamente.

Para que a bolsa de acções arranque, é forçosa a divulgação de resultados com periodicidade trimestral, ou semestral seria suficiente para manter os investidores informados?

A preparação e divulgação de informação numa base trimestral, semestral e anual é importante, sendo que o detalhe dessa informação varia conforme o período do ano. Mas a ‘chave’ passa por incutir uma cultura de comunicação ao mercado de factos relevantes. Falo de temas como nomeações ou alterações nos órgãos de gestão, alienação ou aquisição de participações, transacções ou outros momentos da vida da sociedade, que devem ser comunicados atempadamente.

Que trabalho têm feito junto de empresas angolanas para prepará-las para a bolsa?

Estamos a apoiar as organizações na avaliação das oportunidades associadas ao arranque do mercado de capitais, para que consigam tomar decisões fundamentadas sobre os passos a dar. Uma vez tomadas essas decisões, estamos em condições de apoiar as organizações na fase de implementação, por exemplo de processos de IPO. É importante sublinhar que cada caso é um caso. Não há um caminho único, aplicável por igual a todas as empresas, o que reforça a necessidade de acompanhamento especializado.

Os relatórios dos auditores devem acompanhar sempre a divulgação de resultados?

A certificação de demonstrações financeiras, nomeadamente as semestrais e anuais, por auditores externos é reconhecidamente um dos aspectos fundamentais para a confiança e transparência da informação financeira das empresas. No caso das contas trimestrais, não existe essa obrigatoriedade.
Mas, quando pensamos em empresas cotadas, é normal que os conselhos de administração fiquem mais confortáveis se contarem com uma presença mais próxima dos auditores ao longo de todo o ano.

Em Angola, convém sublinhar que a Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola tende a assumir um papel cada vez mais importante, enquanto organismo que guia e orienta a actividade dos peritos contabilistas no País.

Quais as áreas onde têm tido mais oportunidades de negócio?

Estamos apostados em crescer em todas as áreas em que prestamos serviços: Auditoria, Fiscalidade e Consultoria. Neste último eixo, por exemplo, estamos a crescer significativamente na área de IT Advisory,onde ajudamos as organizações a pensarem os seus sistemas de informação associados aos seus processos internos, informação de gestão, entre outros.

Quantos colaboradores tem a KPMG Angola?

Actualmente, cerca de 130.

E quantos são nacionais?

A esmagadora maioria dos quadros da KPMG Angola – perto de 90% – é angolana. Entre estes, encontramos formações académicas em áreas tão distintas como Contabilidade, Gestão, Finanças, Economia, Direito ou Informática, oriundos de universidades angolanas ou internacionais. O processo de recrutamento é semelhante, independentemente do local de formação.

Qual é a vossa política de desenvolvimento de quadros locais?

A KPMG Angola é uma empresa angolana e, como tal, investe na contratação e capacitação de jovens nacionais. Procuramos talentos com formação nas áreas de Gestão, Contabilidade, Economia, Finanças, Direito, Engenharia e Tecnologia, entre outras. Ao longo da sua carreira na KPMG, esses jovens beneficiam da transferência de conhecimento e formação contínua, que lhes permitem crescer profissionalmente. Temos um objectivo natural de promover cada vez mais quadros angolanos, acompanhando o desenvolvimento da nossa actividade. O crescimento da nossa firma será também o crescimento dos nossos profissionais.

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