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Sérgio Filipe “Estamos a dar os primeiros passos na Indústria 4.0 em Angola”

08/12/2017 - 09:38, featured, Markets

A Siemens Angola está empenhada em contribuir para o desenvolvimento da nova revolução industrial, através da aplicação de tecnologias digitais nos sectores energético, industrial e de infra-estruturas, revela o CEO da empresa.

Por Aylton Melo | Fotografia DR

Siemens tem actividade permanente em Angola desde aos anos de 1960, mas a relação da empresa com o País ganhou novos contornos na última década. Em que áreas esta relação é mais dinâmica?

Angola é um país estratégico para a Siemens. Ao longo dos anos, temos desenvolvido vários projectos, em parceria com empresas angolanas, muito importantes para a empresa e o País. Nos anos de 1960, fornecemos soluções para a indústria angolana, mas, efectivamente, foi a partir de 2006 que implementámos um vasto leque de soluções tecnológicas para energia, indústria, petróleo e gás, e ainda infra-estruturas e mobilidade. Por termos um vasto conhecimento e experiência nestas importantes áreas, vamos continuar a investir neste mercado, ajudando a economia angolana a desenvolver-se ainda mais e a diversificar-se.

Que investimentos realizaram recentemente?

Uma das áreas-foco, em que fazemos questão de estar mais activos e em que mais temos investido, é a dos recursos humanos. Por estarmos cá com os olhos postos no futuro, temos levado a cabo iniciativas que visam qualificar e melhor preparar o capital humano, para que este esteja apto a dar resposta às principais necessidades que o futuro trará. Temo-lo feito através, por exemplo, de uma estreita ligação e parcerias com universidades e institutos politécnicos, como a Universidade Agostinho Neto, o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), o Instituto Médio Industrial de Luanda (IMIL), ou o Instituto Médio Politécnico do Soyo. Temos ainda investido em projectos de responsabilidade corporativa. Em Angola, como no resto do mundo, a Siemens actua com uma perspectiva business to society, ou seja, acredita que o negócio só faz sentido se estiver ao serviço da sociedade. O nosso projecto na Escola Dom Bosco espelha esse compromisso e é um dos modos de retribuir o que de bom a sociedade angolana nos proporciona.

A Siemens é muito actuante no sector energético. Que projectos concretos estão em curso?

Estamos envolvidos em vários projectos, da energia à indústria, passando pelas infra-estruturas e mobilidade. Na energia, por exemplo, para tornar a rede eléctrica mais estável e fiável, estamos a desenvolver o projecto de renovação e extensão da subestação junto ao edifício-sede da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE). Na indústria, posso realçar o projecto desenvolvido para a Sonangol Logística, unidade dedicada ao enchimento, transporte e armazenamento de combustíveis líquidos e tanques de gás butano. A nossa equipa que está a trabalhar neste projecto é responsável pela monitorização e operação desta unidade e também pela assistência técnica remota destes depósitos de combustível, que são dos mais importantes de Luanda. Merece ainda destaque o trabalho realizado na Central Térmica do Soyo, à qual fornecemos turbinas geradoras de energia, bem como a intervenção no projecto Angola LNG, o maior produtor de gás natural liquefeito de Angola, para o qual providenciámos equipamentos semelhantes.

Que outras parcerias ao nível da energia foram consolidadas?

Já mencionei algumas referências nessa área, mas gostava de acrescentar um dos nossos projectos-bandeira no País: a construção, em regime ‘chave-na-mão’, da subestação eléctrica da Chicala, junto à baía de Luanda e à Fortaleza de São Miguel, que abastece a área da Chicala-Cholohanga. O modelo e a localização desta subestação, para a qual desenvolvemos uma solução compacta isolada a gás (GIS), permitem reduzir o seu impacto visual na cidade. Ainda na área da energia, fomos escolhidos como parceiros para a realização de um estudo de rede eléctrica de Luanda, a pedido da EDEL, e estamos a construir a linha de alta tensão de 60 kVque liga a subestação do edifício-sede da ENDE à subestação localizada na Boavista. Acreditamos que todas estas referências estão já a ter um impacto positivo na vida de milhares de pessoas, contribuindo para lhes fazer chegar electricidade com maior qualidade e menores interrupções no serviço. Por ser uma área na qual temos muitos anos de experiência, um vasto portefólio conhecimento, acreditamos que vamos poder desenvolver muitos mais projectos de sucesso.

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