Mercado

Moody’s mantém previsão de inflação de 25% em 2017

08/09/2017 - 10:16, Finanças

Agência lembra que novas desvalorizações do kwanza farão subir a inflação. Resultado das eleições favorece estabilidade política, mas população quer melhores condições de vida.

Por: Ricardo David Lopes

A inflação anual de 2017 poderá baixar para 25%, mas uma desvalorização do kwanza face ao dólar irá inverter esta tendência de descida, indica um relatório da Moody’s sobre os desafios da economia angolana no pós-eleições.

Segundo o documento, a que o Mercado teve acesso, os resultados das eleições de 23 de Agosto “favorecem a estabilidade política”, mas a capacidade do Governo para suportar o crescimento da economia real será “bastante limitada”.

A inflação “permanece alta, afectando negativamente o poder de compra da população”, diz a nota da agência de rating, lembrando que, após ter atingido um pico de 42% em 2016, a inflação se fixou em 29% em Julho.

“Apesar de mantermos a previsão de inflação anual de 25%, outra potencial desvalorização do kwanza irá, provavelmente, inverter esta tendência”, assina a Moody’s, que lembra que a subida de preços a que o País tem assistido se explica por “sucessivas desvalorizações do kwanza e pela liberalização dos preços da energia”.

O Governo, recorde-se, no Orçamento Geral do Estado para este ano, prevê uma meta de inflação anual de 15,8%. A agência de notação de risco assinala que o resultado das eleições do passado dia 23 de Agosto, com a vitória do MPLA, “promove a continuidade das políticas económicas”, mas alerta que o Presidente eleito, João Lourenço, irá “entrar em funções num contexto de desafios fiscais e sociais significativos, dada a difícil situação económica que o País enfrenta”.

“A economia permanece vulnerável à volatilidade do preço do petróleo, que conduz à escassez de dólares e a possíveis novas desvalorizações da moeda” nacional.

“O programa de João Lourenço tem como meta a diversificação da economia […], mas tal será muito difícil de atingir num país onde o petróleo é responsável por mais de 90% das receitas das exportações”, diz a nota, adiantando, contudo, que o novo PR terá “oportunidade de clarificar os objectivos das novas políticas nos próximos trimestres” e também com a aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2018.

A agência admite esperar que o crescimento económico e a receita em dólares “aumentem gradualmente até ao final do ano, suportados quer pela recuperação do preço do petróleo, quer pela subida da produção de petróleo e gás, que poderão suportar a economia não-petrolífera”.

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