Mercado

João Lourenço: desafios do novo Presidente

06/09/2017 - 20:19, Geral

Na sua primeira comunicação ao País após a divulgação dos resultados definitivos das eleições de 23 de Agosto, o Presidente da República eleito, João Lourenço, disse acreditar que, com a “ajuda do povo”, o seu Governo “vai trabalhar para construir um futuro melhor para Angola e para os angolanos

Num agradecimento a todos que o apoiaram até à sua confirmação como Presidente da República, deixou a promessa de “governar para todos”, tendo lamentado o comportamento dos partidos da oposição, que, ainda assim, convidou para a cerimónia da sua investidura.

Os desafios de Lourenço

Quando entrar em funções, Lourenço terá pela frente vários desafios económicos e financeiros, como o Mercado assinalou na última edição (dia 1 de Setembro).

Um deles é a gestão das reservas internacionais líquidas (RIL), que têm vindo a ser afectadas pelas necessidade de divisas para importação, devido à queda das receitas do petróleo.

“O Banco Nacional de Angola (BNA) mantém uma política de gestão criteriosa das RIL. É expectável que os próximos dirigentes devam traçar uma estratégia para reforçar, ou melhor, dar seguimento ao trabalho feito neste âmbito. Os resultados têm sido satisfatórios face aos objectivos traçados”, considera Diógenes Neto, economista.

No sector dos seguros e fundos de pensões, que se assume como um grande investidor institucional, um dos principais desafios para os próximos anos será, segundo o presidente da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), a criação da Empresa Nacional de Resseguros (Ango Re).

Ao Mercado, Aguinaldo Jaime explica que a entrada em funcionamento da resseguradora nacional deve proporcionar a retenção no País de 500 milhões USD – cerca de 50% do negócio das seguradoras, que é ressegurado no estrangeiro –, aliviando a pressão sobre as reservas externas.

Os trabalhos preparatórios têm vindo a ser desenvolvidos pela Comissão Instaladora da Ango Re, constituída pelo Ministério das Finanças e ARSEG, e Aguinaldo Jaime acredita que o processo vai ganhar novo fôlego com entrada em funções do novo Executivo.

No mercado de capitais, um dos desafios que o futuro Governo terá pela frente, no sentido de ‘revolucionar’ o sistema financeiro angolano, será prosseguir com as políticas de dinamização do sector, incluindo o lançamento da bolsa de acções.

A CMC, liderada por Vera Daves, tem nas mãos a responsabilidade de implementar as medidas necessárias para estimular o mercado, que, ainda assim, tem vindo a dar importantes passos nos últimos cinco anos.

O mercado de capitais, recorde-se, pode funcionar como alternativa de financiamento para as empresas, numa altura em que a banca não vive os melhores dias. Por outro lado, facilita a formação de uma cultura de poupança e propicia maior transparência no sistema financeiro como um todo.

 Outro desafio poderá vir do sector do comércio e distribuição. O Manifesto Eleitoral prevê a operacionalização de 50% dos Centros Logísticos de Distribuição (CLOD) previstos na rede logística nacional, em parceria com o sector privado.

Deste modo, em função das distorções e dos problemas que ainda afectam o sector do comércio, distribuição, negociação de produtos agrícolas, entre outros, a centralização destas actividades numa estrutura especializada, como uma bolsa de mercadorias,  realidade  já  presente  em  muitos  países africanos, pode surgir como um desafio ao novo Governo.

 

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