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Juncker quer euro para todos e ministro das Finanças europeu

14/09/2017 - 14:56, Global Report

Primeiro, a gaffe. Jean-Claude Juncker proferiu, perante o Parlamento Europeu, o seu discurso sobre o estado da União Europeia, cujas fronteiras definiu assim: “Não se iludam, a Europa estende-se de Vigo a Varna. De Espanha à Bulgária.”

“Expulsão” de Portugal à parte, o presidente da Comissão Europeia revelou aos eurodeputados a sua visão até final de 2018, assente em cinco prioridades para aproveitar “o vento favorável” que hoje sopra para construir uma Europa mais forte: comércio, indústria, alterações climáticas, cibersegurança e migrações.

“O vento é outra vez favorável, temos agora uma janela de oportunidade, mas que não vai ficar aberta para sempre. Aproveitemos por isso ao máximo o bom momento, e o vento nas nossas velas”, afirmou Juncker, antes de passar às grandes revelações: a adopção do euro por todos os Estados membros da UE e a criação de um ministro europeu das Finanças.

“O euro foi pensado para ser a moeda única da União Europeia como um todo”, afirmou o político nascido no Luxemburgo, acrescentando: “Se queremos que o euro una, em vez de dividir, o nosso continente, então ele deve ser mais do que a moeda de um grupo selecto de países.”

Apontando “uma união económica e monetária mais forte” como prioridade, Juncker enumerou os passos para lá chegar: a criação de um fundo monetário europeu, de uma linha orçamental específica para a zona euro e a figura do ministro da Economia e das Finanças. “Precisamos de um ministro europeu da Economia e Finanças, alguém que acompanhe as reformas estruturais nos nossos Estados-membros”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, para quem “este ministro europeu da Economia e Finanças deveria coordenar o conjunto dos instrumentos financeiros da UE quando um Estado-membro entra em recessão ou é atingido por uma crise que ameace a sua economia”.

Juncker, que termina o seu mandato em 2019, considerou ainda que o Mecanismo Europeu de Estabilidade o fundo de resgate permanente da zona euro deve “evoluir progressivamente para um fundo monetário europeu”, e adiantou que a Comissão apresentará propostas concretas nesse sentido já em Dezembro próximo.

Em termos de segurança, Juncker propôs a criação de uma agência europeia de cibersegurança, argumentando que os ataques informáticos podem ser “mais perigosos do que armas e tanques”.

O líder europeu disse que, apesar do trabalho realizado, como o combate à propaganda terrorista e radicalização na Internet, “a Europa ainda não está devidamente equipada para os ataques informáticos”.

Numa altura em que alguns Estados membros fecham fronteiras, nomeadamente a Leste, Juncker defendeu a entrada imediata de Bulgária e Roménia no espaço Schengen. O presidente da CE argumentou que uma Europa com robustas fronteiras externas, como deve ser o caso, também tem de ser “inclusiva”, e sustentou que é chegada a altura de dar acesso ao espaço Schengen a Roménia e Bulgária, e, em breve, à Croácia, assim que este país cumprir todos os critérios.

Sobre o alargamento da UE, Juncker debruçou-se especificamente sobre a Turquia, que, na sua opinião, não é previsível que, num futuro próximo, venha a reunir as condições necessárias para integrar o projecto europeu, instando o governo de Ancara a parar de insultar a Europa e os seus líderes.

Juncker lembrou que qualquer negociação com países candidatos assenta, acima de tudo, no “Estado de direito, justiça e valores fundamentais”, o que, argumentou, “afasta a Turquia” da adesão. E parem de chamar aos nossos Estados-membros e chefes de Estado fascistas e nazis. A Europa é um continente de democracias maturas”, atirou.

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