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Brunch With…Rui Oliveira

13/12/2017 - 08:54, Brunch with, featured

Com apenas 29 anos, tem um percurso invejável: em Nova Iorque, passou por Citigroup e Morgan Stanley, e em Angola esteve no Banco Altântico, na Comissão do Mercado de Capitais, na BODIVA e na Unidade de Gestão de Dívida, do Ministério das Finanças. Hoje, é CEO da BFA Gestão de Activos.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes

O convidado desta semana é um jovem economista que, aos 29 anos, tem o privilégio de poder conciliar a paixão com o trabalho. Desde pequeno que ambicionava ser economista, pois queria trilhar o mesmo caminho que os pais. Hoje, esta parte do sonho está realizada, e os desafios têm-se sucedido. Rui Oliveira entrou para o mundo da alta finança muito cedo, com apenas 19 anos, numa altura em que vivia em Nova Iorque.

Entrou para o Citigroup, onde esteve quatro meses, inicialmente como estagiário, passando depois a analista estagiário. “Vivia em Nova Iorque, e foi lá que comecei o meu percurso. A minha primeira experiência, no Citigroup, foi numa área próxima daquilo que faço hoje, que é a gestão de activos”, conta. Com o eclodir da crise financeira, em 2008, Rui Oliveira saiu do Citigroup, para se juntar aos quadros de outro ‘gigante’ da alta finança, o Morgan Stanley, um dos maiores bancos de investimento do mundo, onde esteve cinco meses nas mesmas funções.

“Havia crise na altura, e o Citigroup foi forçado a vender parte dos seus activos”, lembra. O banco, recorde-se, acabou por fundir a gestora de patrimónios Smith Barney com a Morgan Stanley. “Tive de sair, foi uma decisão muito difícil de aceitar, porque sempre desejei trabalhar em Wall Street e, quando finalmente consegui, não fiquei por muito tempo.”

A crise, a ‘vilã’ da história

Após sair do Citigroup, Rui Oliveira decidiu a fazer um mestrado em Finanças na instituição britânica Imperial College, em Londres. Quando tudo parecia correr bem, já no fim do curso, Rui Oliveira procurou trabalho na City… mas a crise voltou a ser a ‘vilã’ da história. “Lá também estavam em crise, e não consegui emprego em lugar nenhum”, explica.

É então que, em 2011, Rui Oliveira decide voltar à terra natal. “A minha vinda para cá foi meio que ‘obrigada’. Na verdade, tinha intenções de voltar, mas não naquela altura, pois achava que tudo o que aprendi e o que fazia em Nova Iorque ainda era uma matéria que, em Angola, não se fazia sentir, porque o mercado de capitais ainda estava numa fase embrionária”, conta.

Já em Luanda, nos primeiros seis meses, para poder obter algum lucro e custear despesas, Rui Oliveira optou por voltar a fazer negociações em bolsa, um negócio que já fazia enquanto vivia fora do País.

“Assim que cheguei, como forma de sobrevivência, tive de retomar as negociações financeiras por via da bolsa, um negócio que já fazia nos tempos de faculdade. Na altura, não tinha emprego fixo ainda e precisava de dinheiro para me manter”, recorda.

Já em 2012, Rui Oliveira foi convidado para fazer parte dos quadros do então Banco Privado Atlântico, para a área da banca de investimento, com a função de analista sénior, cargo que ocupou durante um ano.
Em 2013, foi chamado para um novo desafio: constituir a área de banca de investimento do Banco Valor, na função de director.

“Foi um desafio enorme, ao mesmo tempo, uma experiência muito agradável, mas acabei por ficar também por pouco mais de um ano. Numa altura em que desejava ficar por mais algum tempo, fui atraído por um outro projecto.”
Em causa esteve um convite para assessorar o então presidente da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), hoje ministro das Finanças, Archer Mangueira, dando apoio em todos os assuntos relacionados com a infra-estrutura e desenvolvimento do mercado. O convite levou a que a carreira de Rui Oliveira no mercado de capitais em Angola se firmasse. E, passados estes anos, não esquece a oportunidade que lhe foi dada. “Muito do que sou, devo a este convite e ao compromisso que o dr. Archer teve comigo”, revela.

Da BODIVA para a BFA Gestão de Activos

Novo ano, novo convite. Em 2014, é desafiado a integrar a equipa fundadora da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), como director executivo. “Foi aí que me juntei ao conselho de administração da BODIVA, onde fiquei até ao lançamento do mercado da bolsa de títulos do Tesouro. Depois, fui para o Ministério das Finanças para estruturar e chefiar o Departamento de Mercados”, da Unidade de Gestão da Dívida (UGD), recorda.

Passados sete meses, Rui Oliveira foi de novo desafiado a mudar, desta vez para a BFA Gestão de Activos, como presidente da sua comissão executiva. E é lá que está hoje.

O projecto, afirma o jovem gestor, tem sido “desafiante, mas também prazeroso”. O balanço é positivo. “Tenho bastante orgulho de todos os passos que dei, e sinto-me abençoado”, conta.

Rui Elvídio Gonçalves de Oliveira nasceu em 1988, em Luanda. Viveu parte de sua infância no município da Maianga, até emigrar para os Estados Unidos, aos 17 anos. E foi em Nova Iorque que se licenciou em Gestão, no Berkeley College, sendo hoje certificado pela Bolsa de Londres como technical trader.

O homem da gestão de activos do BFA não abre mão de um bom livro de finanças e, no que toca a gastronomia, come de tudo, mas tem preferência pela comida tailandesa e as sobremesas. Quanto a sonhos e ambições, Rui Oliveira diz que ambiciona no futuro ser uma referência na história do mercado de capitais em Angola.

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