Mercado

O que esperar dos mercados após o abalo da última semana

16/02/2018 - 09:56, Bolsa Internacional, featured

O mercado está mais apreensivo depois do choque da semana passada, apelidada de semana “fria” pelos analistas e gestores, mas nem tudo são espinhos, há esperanças e soluções.

Por André Samuel

andre.Samuel@mediarumo.co.ao

Depois de uma semana bastante difícil, com quedas fortes nos mercados de acções e o incremento substancial da volatilidade (principalmente nos mercados accionistas), na próxima semana os  mercados financeiros deverão continuar eminentemente técnicos, aponta o portfolio manager do Haitong Bank, António Serra.

Segundo o analista, citado pelo Funds People, nem tudo foram espinhos, até porque, na semana que acabou, o mercado recebeu boas notícias que não impediram a derrocada dos activos de risco: os dados macroeconómicos continuam pujantes nos principais blocos  económicos,  e,  por exemplo, na Alemanha, Merkel e  Schulz  chegaram  a  acordo  para  renovar a grande coligação. “A próxima semana vai ser parca em dados macroeconómicos. Com as recentes notícias de aumentos de salários nos Estados Unidos e, na semana passada, na Alemanha, há que estar atento. No entanto, haverá poucos discursos e reuniões de bancos centrais, com o mercado à espera do primeiro discurso no Congresso do novo presidente da Reserva Federal americana, Jerome Powell, que terá lugar apenas no final de Fevereiro. Além disto, na Ásia, os mercados deverão estar mais parados devido às festividades do ano novo chinês”, antevê.

Em resumo, aclara que a turbulência da semana “fria” se concentrou muito nos mercados de acções, e o S&P500 já não tinha uma correcção desta magnitude desde o Verão de 2015, quando a China desvalorizou a moeda, dando origem ao susto deflacionista de início de 2016.

O VIX subiu para perto de 50%, mas o fly-to-qualityfoi limitado: As yieldsde dívida pública americana continuam  perto  dos  máximos  do  ano  (os mercados preocupam-se com o ressurgimento da inflação), os spreads de dívida de empresas investment grade pouco alargou, e o dólar recuperou um pouco das perdas dos últimos meses.

Por sua vez, no segmento de obrigações high yield, o alargamento de spreadsfoi razoável, mas ainda minúsculo face ao estreitamento dos últimos anos, tendo em conta que, nestas fases, os fluxos de capitais são muito relevantes e foram “brutais” para as classes de obrigações nos últimos anos. “Mais do que olhar para o VIX e de como se desenrola esta correcção dos mercados de acções, vou estar de olho nos spreads do mercado de high yield, pois caso esta fase por que passamos de facto se agudize, será o segmento de crédito mais vulnerável a próxima peça do dominó a cair”, alerta.

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