Mercado

Operadores insatisfeitos com custos das Normas MiFID II

09/10/2017 - 16:29, Bolsa Internacional

Directiva europeia que visa criar mais transparência nos mercados financeiros agrava custos dos operadores.

Por André Samuel

andre.samuel@mediarumo.co.ao

A revisão da directiva que regula o mercado de instrumentos financeiros da União Europeia, que entra em vigor em 3 de Janeiro de 2018, está a forçar as corretoras e instituições bancárias a uma “brusca” adaptação da sua estrutura organizacional e operacional, desencadeando uma onda de contestação por parte destes agentes, segundo a Bloomberg. A Directiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros (DMIF 2/MiFID II) visa restabelecer a confiança no mercado financeiro e impõe melhorias na partilha de informações por parte dos correctores, na formação de preços e nos pagamentos entre si.

Com vista a conferir mais transparência ao sistema, a partir do próximo ano, os correctores deverão transferir para uma plataforma aberta e mais bem regulamentada as negociações de diversos valores mobiliários, limitando as transacções não negociadas entre correctores, que são características do mercado.

Este novo pacote de regras contempla também a regularização do comércio automatizado (que cresce exponencialmente). Os algoritmos devem ser registados, testados e incluir mecanismos que permitam desligá-los quando necessário.

Todas as instituições que transaccionam acções ou títulos europeus em qualquer parte do mundo estão sujeitas aos novos regulamentos. Por esta razão, as empresas financeiras estão a criar enormes sistemas de relatórios de dados para se coadunarem ao MiFID II.

A implementação destas regras poderá custar cerca de 811 milhões USD. Os operadores do mercado reagem, alegando que os custos desta adaptação são elevados, e os gestores de pequenas operações vêem-se obrigados a juntar-se numa só plataforma para compartilharem os custos da revisão regulamentar da UE e obter ajuda com a documentação e os obstáculos legais de conformidade.

Consultores ganham com sistema

Se, para os operadores, esta realidade é “nada agradável”, ela agrada às consultoras, que registam maior procura dos seus serviços, como relatam a Mirabella Advisers e a Brooklands Fund Management. As plataformas dispõem de ‘pacotes’ de aplicativos e serviços que as empresas podem aproveitar para reduzir os custos de administração. Com isto, os gestores de investimento podem focar-se em fazer o melhor que sabem: concentrar-se em ganhar dinheiro.

Para o fundador da Lightfield Capital, em Londres, Samuel Gruen, juntar-se a uma plataforma não foi uma opção, mas a única alternativa. Em 2016, lançou um hedge fundcom activos avaliados em 20 milhões USD.

De acordo com o director executivo da plataforma Privium Fund Management BV em Amesterdão, Clayton Heijman, a junção em plataformas pode ajudar a mitigar custos iniciais de um hedge fundque, na Europa, rondam 500 mil USD a 2 milhões USD, de acordo com a estratégia. Clayton acrescenta que, fora da plataforma, o custo para um gestor estar actualizado nas regras MiFID II é de, no mínimo, 25 mil USD por ano, sem incluir os custos com pesquisa.

Com a entrada em vigor das novas regras, os operadores terão de pagar os relatórios de pesquisas separadamente das comissões de corretagem, com preços cotados por bancos que variam de milhares a centenas de milhares de dólares.

Impactos e oportunidades

O mundo financeiro mudou radicalmente com os impactos sofridos pela crise no sector que eclodiu em 2007. Nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008, as acções e os títulos recuperaram. O que não recuperou é a confiança pública.

Os investidores ‘responsabilizam’ as entidades que construíram e comercializaram produtos denominados ‘tóxicos’, e estas entidades, por seu turno, ‘culpam’ as agências de ratingpelas generosas notações de risco atribuídas a esses produtos.

Entretanto, os governos ainda sofrem as consequências de uma crise financeira global. Perante este cenário, os intervenientes do mercado verificaram que a regulamentação existente para a distribuição de produtos financeiros era insuficiente e desactualizada. Perdeu-se confiança no mercado, a estabilidade financeira foi severamente afectada, e os consumidores viram os seus níveis de protecção abalados de forma drástica. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que na Europa, onde um vasto conjunto de novas regras – MiFID II – irá impor transparência sem precedentes aos comerciantes e procurar conter conflitos de interesses.

 

 

 

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