Mercado

Negociação na BODIVA atinge máximo do ano em Agosto

02/10/2017 - 14:27, Markets

Mercado secundário de dívida pública negoceia títulos no valor de 62,8 mil milhões Kz no mês passado. Construtoras vendem títulos entregues para pagamento de dívidas.

Por André Samuel

andre. samuel@mediarumo.co.ao 

O Mercado Secundário de Dívida Pública (MSDP) movimentou cerca de 62,8 mil milhões Kz em Agosto, atingindo máximos do ano, segundo o relatório de negociação da BODIVA.

O valor representa quase o triplo face ao mês de Julho, quando tinham sido movimentados títulos no valor de 21,2 mil milhões Kz.
No mês de Agosto, foram realizados 229 negócios no MSDP, mais 67% face a Julho, indica o documento, a que o Mercado teve acesso. Dos 62,8 mil milhões Kz movimentados no mês passado, cerca de três quartos, ou seja, 42 mil milhões, dizem respeito a transacções envolvendo obrigações do Tesouro, enquanto os bilhetes do Tesouro representaram o resto.

Verifica-se assim que os investidores continuam a optar por negociar títulos com maturidade curta, tendo a preferência pelos que maturam em 2018 ‘rendido’ 116 negócios, originando um volume de 26,8 mil milhões Kz. Já os cupões de médio prazo – com vencimento em 2020 –, movimentaram 17,9 mil milhões Kz nos 54 negócios realizados.

Indústria compra, comércio e construção vendem

Ainda segundo a BODIVA, no segundo trimestre deste ano, as empresas do sector da indústria transformadora foram as que mais negociaram títulos de dívida pública em mercado secundário na posição compradora, com um total de 20,04 mil milhões Kz.

Isto deve-se ao facto de estas empresas utilizarem os títulos indexados para se protegerem do risco de desvalorização cambial.

Os principais vendedores foram as empresas do sector da construção, com 16,22 mil milhões Kz, logo seguidas pelas do sector de comércio a grosso e a retalho, com 11,30 mil milhões Kz.

Este movimento deve-se, principalmente, ao facto de muitas destas empresas terem recebido do Estado títulos como forma de pagamentos de serviços por si prestados, negociando-os, depois, em mercado secundário como forma de obterem liquidez.

Entretanto, a Economist Intelligence Unit (EIU) afirmou considera que a recente adesão da Comissão do Mercado de Capitais (CMC) de Angola à Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO) é “positiva”, porque ajuda ao financiamento e cria transparência.
Segundo os analistas da revista britânica The Economist, também “o processo de colocar as empresas em bolsa, com troca de acções, levará a mais transparência dentro das empresas públicas angolanas”.

Bolsa de acções é vantajosa

“A possibilidade de a bolsa de Luanda, que actualmente transacciona apenas dívida, poder avançar para uma bolsa de acções tem sido sucessivamente anunciada. Ter uma bolsa completamente funcional criaria fontes alternativas de financiamento para as empresas privadas em Angola e ajudaria a desbloquear capital actualmente preso em activos fixos, permitindo ainda atrair investimento estrangeiro”, dizem os analistas, para quem o mercado de acções poderá também ter “um efeito positivo sobre o kwanza”.

A CMC, recorde-se, foi oficialmente admitida como membro ordinário da IOSCO em Julho, após a assinatura de um memorando de entendimento multilateral.
A adesão da instituição à organização internacional representa a concretização de um dos objectivos da entidade angolana, no sentido de dotar o sistema financeiro nacional de um mercado de valores mobiliários transparente e eficiente.

A BODIVA, enquanto Sociedade Gestora de Mercados Regulamentados, tem como missão promover o desenvolvimento do Mercado Regulamentado de Valores Mobiliários e Derivados (MRVM&D) e, desse modo, contribuir para o financiamento sustentado da economia.

A instituição assume a responsabilidade de colocar à disposição do MRVM&D as infra-estruturas físicas e tecnológicas necessárias para que o mercado possa funcionar de modo eficiente, de acordo com as boas práticas internacionalmente reconhecidas e com custos competitivos, mesmo no plano externo.
A entidade tem de gerir e coordenar as infra-estruturas institucionais do MRVM&D (membros do mercado, contraparte central e central de valores mobiliários), para que a negociação e a liquidação das transacções de títulos decorram sem falhas.

Promover a sã concorrência no MRVM&D, através da divulgação clara, rigorosa e tempestiva da informação indispensável para a tomada de decisões financeiras e pela elevação dos padrões de conhecimento, é outra das missões da BODIVA.

A entidade liderada por António Furtado deve ainda gerir os negócios com espírito empresarial de criação de valor, por via da convergência de interesses entre emitentes e investidores e da competitividade no contexto das economias subsarianas.

Segundo informações publicadas no seu site, a BODIVA coloca à disposição da economia angolana mercados juridicamente seguros, onde as entidades que procuram financiar as suas actividades (os emitentes) e aqueles que pretendem rentabilizar os seus capitais (os investidores) poderão negociar com equidade, confiantes de que não serão discriminados ou preteridos no acesso à informação, nem no acesso às oportunidades de negociação que surjam.

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